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Home Office aumenta produtividade e melhora qualidade de vida no TCE
27/10/2017
"Mantenho o meu local de trabalho impecável", contou Gleice

Já é muito comum encontrar exemplos de empresas privadas em todo o mundo que, com o objetivo de reduzir custos e, principalmente, aumentar a produtividade de seus funcionários, adotaram o home office como estratégia. Gigantes como a Google, Amazon, Xerox, IBM, Adobe, 3M, Philips, dentre outras, já adotaram o sistema. Além disso, o trânsito caótico das cidades e o apelo por um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional têm feito as empresas repensarem suas práticas de gestão de pessoas

Surpreendentemente, além de agradar aos funcionários, a prática do chamado home office já rendeu muita economia para os bolsos das empresas. Levando em consideração esses pontos, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) oficializou em 2017, por meio da Portaria nº 60/PRES, publicada no Diário Oficial de Contas (DOC) do dia 11 de agosto, um Projeto-Piloto para os servidores que possuem o perfil e desejam experimentar a modalidade em que eles podem exercer suas funções remotamente

Rogério separou um cômodo em sua casa exclusivamente para o trabalhoO analista de Controle Externo da 2ª Coordenadoria de Fiscalização Municipal, Rogério César Álvares, foi um dos servidores que se inscreveu para o Projeto-Piloto do TCEMG e desde agosto trabalha em casa. O servidor contou que está totalmente adaptado ao sistema de home office e já percebeu uma melhora significativa na qualidade das suas “análises técnicas, bem como um aumento de cerca de 50% dos processos instruídos”. Para Rogério, que mora no bairro Castelo, localizado na Região da Pampulha, um dos pontos mais positivos é que seu estresse com o trânsito praticamente acabou. “Agora não preciso ir todos os dias ao Tribunal e, quando vou buscar e entregar meus processos, costumo ir fora dos horários de pico, o que fez com que eu diminuísse muito meus gastos com combustível”, comemorou o servidor. 

Rogério e sua esposa passeiam regularmente com seus cachorrosRogério, que cria dois cachorros da raça Dobermann, contou que agora pode manter uma rotina de passeios com os dois. Antes, segundo ele, era mais complicado porque o gerenciamento do tempo era mais difícil de ser feito. “Agora posso trabalhar de bermuda, camiseta e chinelo, fazer minhas refeições na hora certa e de forma mais saudável o que me deixou mais confortável para realizar minhas tarefas diárias, tanto as pessoais quanto as profissionais”, enfatizou o servidor, que hoje comemora sua nova fase de vida. 

A Diretoria da Tecnologia de Informação (DTI) do TCEMG implantou, para os que estão em Home Office, o sistema VPN (Virtual Private Network), solução encontrada pelo Tribunal para conectar os servidores e possibilitar que eventuais problemas técnicos sejam rapidamente solucionados pelos especialistas da TI. Rogério fez questão de elogiar o sistema que, segundo ele, “funciona perfeitamente e permite o acesso à Intranet e a todos os outros sistemas disponibilizados na sede do Tribunal”. 

Duas dificuldades sentidas por quem está trabalhando em casa são a falta dos colegas de trabalho e os obstáculos para separar a vida pessoal e profissional. Rogério contou que para suprir a falta dos amigos, quando não vai ao Tribunal, utiliza constantemente aplicativos de mensagens instantâneas e procura ao máximo “não atrapalhar os afazeres diários de sua esposa e de seu filho, para que eles também não o atrapalhem”. Mesmo com essas dificuldades, o servidor considera que o trabalho remoto possui mais “pontos positivos do que pontos negativos e que espera que esse Projeto-Piloto se torne permanente”. 

Gleice incluiu exercícios físicos em sua rotinaOutra servidora do Tribunal que também participa do Projeto-Piloto é a analista de Controle Externo da Coordenadoria para Otimização da Análise de Processos, Gleice Santiago Domingues. Hoje Gleice comemora o ganho na qualidade de vida porque, segundo ela, trabalhar em Home Office dá liberdade para ajustar o horário pessoal com o horário do trabalho e ainda aumentar a produtividade. “A rigidez de horário e o compromisso com os horários de chegada e saída sempre foram fatores que atrapalhavam muito minha qualidade de vida e, hoje, concilio as duas coisas além de produzir mais que o dobro”, afirmou a servidora. 

Um ponto positivo em comum apontado pelos dois servidores foi o alívio causado pela ausência de estresse do trânsito. Gleice, que mora em Nova Lima, contou que chegava a ficar entre uma e duas horas parada no trânsito e isso, segundo ela, era muito “desgastante”. Os benefícios com a economia de tempo permitem que a servidora possa conviver mais com a sua família. “Hoje consigo ser mais presente na vida do meu filho e do meu marido porque posso tomar café da manhã com eles, almoçar com meu filho, ajudar nos afazeres escolares e depois levá-lo a escola”, vibra. 

A prática regular de exercícios físicos é um dos pontos que a servidora Gleice enumerou como vantagem em poder trabalhar remotamente. “Voltei para a academia e já percebi que até a qualidade do meu sono melhorou, porque agora ficou mais fácil encaixar os exercícios na minha rotina”, considerou. 

A servidora contou que, para suprir a falta dos colegas de trabalho, conciliou os dias das missas do Cenáculo de Orações do TCEMG com os dias que vai ao Tribunal para entregar e pegar seus processos. “Vou à missa porque as pessoas que mais convivo estão sempre lá e acabou se tornando um momento para encontrar”, explicou. 

O sistema de VPN disponibilizado para os servidores em Home Office também foi motivo de elogios por parte da servidora que contou que não teve nenhum problema de conexão. “Em qualquer hora que me conecto, consigo acessar tudo o que preciso para trabalhar”, afirmou. 

A coordenadora Cláudia Ávila AndradeA coordenadora da Coordenadoria para Otimização da Análise de Processos, Cláudia Ávila Andrade, gestora da servidora Gleice, falou sobre os desafios de gerenciar servidores no sistema Home Office. Atualmente ela é responsável por outras três pessoas trabalhando remotamente e lembrou que é fundamental o “servidor ter perfil para trabalhar em casa”. 

“Acho que essa experiência está sendo muito positiva, porque o rendimento aumentou muito e vemos que eles estão felizes. Percebemos que a qualidade de vida melhorou muito e isso, é claro, traz um resultado positivo para a própria instituição”, com essas palavras a coordenadora avaliou o Projeto-Piloto do TCEMG. Cláudia contou que usa todas as plataformas tecnológicas disponíveis para manter o contato frequente. “Já fizemos até um grupo no WhatsApp para poder facilitar a nossa comunicação”, declarou. 

Com a finalidade de se organizar e medir a produtividade dos servidores, a coordenadora explicou que fez pastas individuais para, dessa forma, manter “o controle dos processos que estão com cada um e saber quais ainda precisam ser feitos”. Até agora todos os “obstáculos foram facilmente resolvidos”, completou. 

Cláudia destacou que, para o trabalho fluir da melhor maneira possível, os servidores em Home Office redobraram a atenção para diminuir ao mínimo o número de correções e evitar o retrabalho. “Posso dizer que na minha coordenadoria a produtividade aumentou muito então, é claro, que meu trabalho de revisão também ficou maior e eles precisam ser mais cuidadosos”, considerou. 

A coordenadora lembrou que o Projeto-Piloto pode “reter no Tribunal pessoas experientes e talentosas que ainda podem oferecer muito para a instituição e, consequentemente, para a sociedade”. 

O presidente do TCEMG, conselheiro Cláudio Terrão, quando se encontrou com os servidores, em agosto, que iriam trabalhar em Home Office, destacou o empenho da Diretoria de Gestão de Pessoas e da DTI e falou da “coragem e esforço dos pioneiros para que o projeto funcionasse. ” 

A diretora de TI do Tribunal de Contas, Cristiana Siqueira, quando organizou o treinamento para os servidores usarem a plataforma VPN, salientou que para dar suporte aos servidores “foi criado no sistema da Central de Relacionamento com o Servidor (CRS) uma categoria específica para as demandas do home office, permitindo uma maior agilidade nas solicitações desses servidores. 

Além do TCEMG, instituições públicas como o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) já implantaram o sistema para seus servidores e outros tribunais já estudam a possibilidade de permitir o Home Office

Texto e fotos: Thiago Rios Gomes