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"Quem recebe uma criança, recebe o futuro": Campanha da Fraternidade 2027 dialoga com prioridade do TCEMG à Primeira Infância

04/03/2026

A Campanha da Fraternidade de 2027 traz como tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças” e como lema a passagem bíblica “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim recebe” (Mateus 18:5). Ao propor a centralidade da infância no debate social, a campanha lança luz sobre um compromisso que ultrapassa o campo religioso e encontra respaldo direto na Constituição Federal: a proteção integral e a prioridade absoluta às crianças.
 
No Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), essa diretriz tem se traduzido em ações concretas. Na gestão 2025-2026, a Primeira Infância foi definida como prioridade estratégica, em consonância com a orientação do Sistema Tribunais de Contas, que tem fortalecido, em âmbito nacional, o acompanhamento das políticas públicas voltadas às crianças de zero a seis anos.
 
A convergência entre o chamado ético ao cuidado e o compromisso institucional com políticas públicas eficazes é evidente: proteger a infância não é apenas uma questão de sensibilidade social, mas uma decisão estruturante para o desenvolvimento humano e para a redução das desigualdades.
 
Atuação articulada e controle qualificado
 
O Instituto Rui Barbosa (IRB) conta com o Comitê Técnico da Primeira Infância, espaço de articulação nacional voltado ao aprimoramento do controle externo nessa área. Entre as iniciativas recentes está a participação na Auditoria Coordenada Nacional que avaliou políticas públicas para a Primeira Infância nos estados e municípios, como os programas Criança Feliz e Agentes Comunitários de Saúde. 
 
O objetivo dessas ações é qualificar a atuação do controle externo, ampliando a capacidade de análise sobre planejamento, execução orçamentária e resultados das políticas intersetoriais. Ao acompanhar a elaboração e a execução dos Planos Municipais pela Primeira Infância, o Tribunal reforça seu papel orientador, contribuindo para que os gestores públicos incorporem evidências, planejamento e metas claras na formulação de políticas.
 
Transparência e dados a serviço da infância
 
Em 2025, durante o II Encontro Nacional da Primeira Infância, o TCEMG lançou o “Portal 1, 2, 3 e Já”, que reúne informações estratégicas para monitoramento e avaliação das políticas voltadas às crianças. A ferramenta amplia a transparência e oferece subsídios técnicos para que municípios identifiquem fragilidades e aprimorem suas ações.
 
O uso qualificado de dados permite verificar se os recursos destinados à Primeira Infância estão, de fato, alcançando as famílias e promovendo resultados concretos. Mais do que fiscalizar, trata-se de induzir boas práticas e fortalecer a cultura do planejamento de longo prazo.
 
Prioridade absoluta
 
A literatura científica é consistente ao demonstrar que os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Investimentos realizados nessa etapa geram impactos duradouros, com reflexos na aprendizagem, na saúde, na produtividade e na própria sustentabilidade fiscal dos entes públicos.
 
Nesse contexto, a prioridade à Primeira Infância precisa se refletir no orçamento, na integração entre políticas e na avaliação permanente dos resultados. O controle externo exerce papel decisivo para que a prioridade, prevista na Constituição e reafirmada por iniciativas como a Campanha da Fraternidade, não permaneça apenas no plano simbólico.
 
Ao dialogar com o tema de 2027, o TCEMG reafirma seu compromisso institucional com o cuidado das crianças mineiras. Receber uma criança, como sugere o lema da campanha, é reconhecer nela o presente e o futuro da sociedade. Garantir políticas públicas eficazes para essa etapa da vida é, portanto, um dever compartilhado entre família, sociedade e Estado.