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2º Enapi: "Cuidar das crianças é o maior investimento que o Brasil pode fazer", afirma ministro da Educação

28/08/2025

Ministro Camilo Santana conduziu a palestra 'O futuro que nasce na Primeira Infância' - Foto: Daniele Fernandes/TCEMG

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou as metas da recém-instituída Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), nesta quinta-feira (28/8), no segundo dia do 2º Encontro Nacional da Primeira Infância (Enapi), no Minascentro, em Belo Horizonte. No decreto federal, publicado neste mês de agosto, a proposta é estabelecer a colaboração entre estados, municípios e União, entre outros objetivos.

“A PNIPI um marco para o Brasil. Integrar as ações de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, com comunicação direta às famílias via aplicativo, é crucial para garantir um cuidado integral e romper o ciclo intergeracional da pobreza", reforçou o ministro. "Investir na primeira infância é investir no futuro do país, com retorno comprovado de 13% sobre o investimento, segundo dados da Unicef", complementou Camilo.

Segundo o ministro, a meta do Governo Federal é entregar, até 2026, alguns produtos, como a integração da filha de creches com o CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais), além de disponibilizar dados e serviços unificados sobre a primeira infância. "A gente precisa trabalhar com a família da criança. Nós vamos usar a tecnologia para informar (a mãe, pai ou responsável), para construir uma política do bem, de formação fraterna nesse país", enfatizou.

Outro propósito citado com foco na primeira infância é o de alcançar, até o ano que vem, a presença de 50% das crianças de 0 a 3 anos em creches. "A alfabetização na idade certa também é prioridade. São ações concretas para garantir que todas as crianças brasileiras tenham um começo de vida digno e com oportunidades iguais", enfatizou Camilo Santana.

Planos municipais

De acordo com o ministro, a política prevê um protocolo de integração, prevenção e proteção à primeira infância.

"Todo município vai ter que fazer o seu Plano Municipal da Primeira Infância. Hoje, metade dos municípios já têm, mas faltam 2,6 mil", disse. "Queremos atingir a mesma meta que nós alcançamos com a política de alfabetização, que teve adesão de 100% dos municípios", completou.

Carta ao ministro

O presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Ceará (TCECE), Edilberto Pontes, mediador do painel, falou da importância do tema e da evolução do Encontro Nacional da Primeira Infância, da primeira edição - com 70 participantes, em Fortaleza -, para os 1,3 mil deste 2º Enapi, na capital mineira.

"Veja como cresceu, como é importante que várias instituições estejam envolvidas nessa assunto, que tem muita intersetorialidade. É fundamental que governos, União, estados, municípios, setor privado, terceiro setor, todos se envolvam nessa causa tão importante para o país".

Após a apresentação do ministro, o conselheiro-presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCEMG), Durval Ângelo, reforçou o compromisso com a área prioritária. "Se você quer uma colheita para a vida toda, plante sementes de educação", afirmou, citando um provérbio chinês. "É com esse pacto que estamos comprometidos", sinalizou Durval Ângelo.

Em seguida, o presidente do Comitê Técnico da Primeira Infância do Instituto Rui Barbosa (IRB), conselheiro Edson Ferrari, entregou ao ministro uma carta de compromisso assinada pelas presidências do IRB e da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).

"Nós, dos tribunais de contas, estamos lhe oferecendo todo o apoio possível e necessário, tanto institucional como operacional, como contribuição para a implementação da política nacional integrada de primeira infância", leu Ferrari.

O documento, na íntegra, pode ser conferido neste link.

Respeito e inclusão

A palestra da professora da UFMG e pesquisadora sobre discurso, acessibilidade e inclusão, Sônia Pessoa, levou ao público reflexões e dados, a partir do tema "A primeira infância como potência contra o capacitismo".

Na ocasião, Sônia abordou a questão do preconceito contra crianças com deficiência e as consequências para a vida delas, da primeira infância à vida adulta. A professora também compartilhou experiências pessoais e ressaltou que a inclusão não se resolve apenas com amor, mas sim com tomada de decisão e ação coletiva.

A palestrante apresentou, ainda, dados alarmantes sobre a exclusão escolar de crianças com deficiência, com 49% tendo mais probabilidade de nunca terem frequentado a escola. São altos também os índices das que estão fora dos ensinos fundamental, médio e superior.

"Nós não podemos fazer uma discussão sobre capacitismo e sobre primeiras infâncias partindo de um padrão que concebe um corpo normativo, que é estabelecido em um construto social, e tomá-lo como referência. Nós precisamos olhar a singularidade", defendeu.

Potenciais da diversidade

A mesa com o tema "Um olhar abrangente sobre a primeira infância: desafios e potenciais da diversidade" completou os destaques do período da manhã. O debate foi mediado pelo diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal.

Confira, a seguir, alguns depoimentos dos participantes:

"A gente trata o brincar como patrimônio. O brinquedo e a brincadeira é uma das maneiras de a gente pensar nas nossas identidades (...) Brincar é coisa de lei, da nossa Constituição, dos Direitos Humanos, de toda a população. Brincar é o que garante a saúde, a proteção e o crescimento exuberante"
Ailton Gobira - Coordenador da área de Patrimônio cultural da Escola Livre de Artes da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte

"Por que a gente tem que ouvir as crianças em todas as políticas públicas, em todos os espaços? Além de ser um direito, é um aprendizado de cidadania, qualifica o debate, acrescenta novas perspectivas".
Desirée Ruas - Coordenadora do Movimento BH pela Infância e Secretaria Executiva da Rede Primeira Infância de Minas Gerais (Repi-MG)

"Uma sociedade uma nação que cuida, que zela pela infância nada mais faz do que zelar por si própria, e não como investimento futuro: o faz no tempo presente. Porque a vida social se enche de outro sentido quando a gente consegue partilhar a organização do cotidiano com as crianças".
Sandro Vinicius Sales dos Santos - Professor adjunto do Departamento de administração escolar da Faculdade de Educação da UFMG

"Não se faz política pública com cartolina e canetinha: se faz com investimentos. Nós prefeitos temos que fazer o dever de casa, temos que ter controle das contas para que a gente tenha capacidade de investir naquilo que a população tanto espera, como é o caso da educação infantil".
João Marcelo Dieguez - Prefeito de Nova Lima

Último dia

Nesta sexta-feira (28/8), o destaque do 2º Enapi será a divulgação de um relatório inédito de auditorias coordenadas nacionalmente sobre primeira infância, com mapeamento realizado pelos 33 tribunais de contas brasileiros. Analistas do TCEMG também farão um recorte sobre a situação em Minas Gerais. Será lançado, ainda, um portal especial sobre primeira infância, desenvolvido pela equipe técnica do Tribunal mineiro.

Mais informações sobre a programação:
eeventos.tce.mg.gov.br/encontroprimeirainfancia2025

 

Confira, a seguir, galeria de fotos:

II ENAPI - Encontro Nacional da Primeira Infância - Segundo Dia