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Apenas 0,06% das irregularidades no estacionamento rotativo de Uberlândia resultaram em multas válidas

26/08/2026

A fiscalização do estacionamento rotativo de Uberlândia e o controle dos recursos arrecadados com o serviço apresentaram falhas que comprometeram a rotatividade das vagas e causaram prejuízo aos cofres públicos. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) constatou que apenas 0,06% dos avisos de irregularidade emitidos pelos monitores da “Zona Azul” resultaram em autuações válidas.

Os dados foram consolidados pela própria Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (Settran) entre setembro de 2020 e junho de 2023.

A auditoria analisou a prestação do serviço pela Instituição Cristã de Assistência Social (Icasu), responsável pela operação da Zona Azul por meio do Contrato Emergencial nº 325/2019. O trabalho verificou especialmente a fiscalização, a arrecadação e a aplicação dos recursos.

A prefeitura alegou que o número reduzido de agentes de trânsito prejudicou a fiscalização e informou ter realizado concurso para preencher 40 vagas. O relator do processo, conselheiro Alencar da Silveira Jr., considerou, porém, que cabia ao município manter agentes disponíveis durante o funcionamento da Zona Azul.

No voto, o conselheiro destacou que a baixa fiscalização provocou perda de receitas e a “frustração da finalidade do estacionamento rotativo, de assegurar com eficácia o uso democrático do espaço em vias e logradouros públicos de Uberlândia”.
Na prática, a fiscalização é parte do mecanismo que permite a rotatividade: ao evitar a permanência irregular dos veículos, contribui para que as mesmas vagas possam ser utilizadas por diferentes motoristas ao longo do dia.
Falhas no controle dos recursos
A auditoria também constatou que a Settran não fazia o controle instantâneo e eletrônico das receitas arrecadadas e das despesas realizadas pela Icasu, embora essa obrigação estivesse prevista no contrato. Entre maio de 2022 e outubro de 2023, também não houve representante formalmente designado pela secretaria para fiscalizar a execução do serviço.
Na análise das prestações de contas, os auditores identificaram ainda uma transferência de R$ 65 mil da conta da filial da Icasu para a conta da matriz da instituição. Desse total, foi comprovada a aplicação de R$ 9.456,74 no pagamento de encargos relacionados a trabalhadores vinculados ao serviço.
Para os R$ 55.543,26 restantes, não houve comprovação da aplicação em despesas relacionadas ao contrato. O relator considerou que houve desvio de recursos, dano aos cofres públicos e, por isso, determinou ao então diretor-presidente da Icasu, Antônio Naves de Oliveira, o ressarcimento do valor, com atualização monetária e juros.
Além da devolução, Antônio Naves recebeu multa de R$ 5 mil. O ex-secretário municipal de Trânsito e Transporte, Divonei Gonçalves, recebeu multa de R$ 12 mil, enquanto as então coordenadoras da Área de Zona Azul, Elen de Oliveira e Ellen Ferreira, receberam multa de R$ 8 mil cada.
A auditoria teve como objetivo verificar a regularidade da prestação do serviço de estacionamento rotativo pago em Uberlândia, especialmente a arrecadação e a aplicação dos recursos.

Cabe recurso da decisão.


Thiago Rios Gomes / Coordenadoria de Imprensa