Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Auditoria identifica baixa atividade de comitê estadual para a primeira infância

15/10/2026

Funcionamento irregular do comitê foi observado durante o período de análise, entre abril de 2025 e junho de 2026 - Imagem gerada com suporte de IA

Uma sala de reuniões vazia, raras palavras pronunciadas e praticametne nenhuma decisão tomada. Esse retrato, criado a partir de suporte de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA), é a imagem do que foi apurado por uma auditoria operacional do TCEMG.  Neste trabalho, realizado entre abril de 2025 e junho de 2026, o Tribunal focou atenção na primeira infância a partir dos programas de visitação domiciliar Criança Feliz (PCF) e Estratégia Saúde da Família (ESF).

A auditoria identificou que o Comitê Estadual para a Primeira Infância, fundamental para a integração das ações entre Estado e Prefeituras, não funcionou adequadamente. Criado pelo Decreto nº 48.829/2024 com a finalidade de integrar ações voltadas às crianças de zero a seis anos, durante 15 meses - abril de 2025 a junho de 2026 - o comitê realizou apenas dois encontros: um para a posse dos integrantes e outro para discutir o regimento interno, que deveria ser concluído em 90 dias. Mas isso não aconteceu. Até o final da auditoria do TCEMG, o documento ainda não havia sido finalizado. 

“O Estado de Minas Gerais não fomenta de forma efetiva a integração intersetorial entre saúde, assistência social e educação para fortalecer os programas de visitação domiciliar. O Comitê Intersetorial existe formalmente, mas opera de forma incipiente. Não há protocolos formais, capacitações conjuntas ou fluxos integrados de encaminhamento institucionalizados”, indica o relatório.

A falta de funcionamento regular do colegiado é relevante porque as políticas para a primeira infância dependem da atuação conjunta de diferentes áreas. Saúde, assistência social, educação, direitos humanos e planejamento precisam compartilhar informações, definir prioridades e acompanhar metas.

Sem reuniões frequentes e regras de funcionamento, o comitê corre o risco de se tornar apenas uma estrutura formal, sem capacidade de orientar os municípios ou coordenar ações estaduais.

Desconhecimento

“Gestores das regionais de saúde declararam, em entrevista, desconhecimento sobre a existência do Comitê, o que revela fragilidade de comunicação institucional e de engajamento intersetorial”, consta em outro trecho do resultado da auditoria, reforçando a distância existente entre a coordenação estadual e as equipes responsáveis pelo apoio direto aos municípios.

O TCEMG recomenda, entre outros pontos, que o Estado fortaleça o comitê, conclua o regimento interno, estabeleça calendário de reuniões, defina responsabilidades e crie mecanismos para acompanhar a execução das políticas públicas.

Os benefícios esperados, de acordo com o relatório, são: "Fortalecimento da rede de proteção social e promoção do desenvolvimento integral; Melhorias na eficácia e efetividade das ações do programa Estratégia Saúde da Família; Aumento da capacidade de resposta a situações de vulnerabilidade social de forma coordenada; e Desenvolvimento da política intersetorial nos municípios e no Estado de Minas Gerais”.

Relatório de auditoria

Para chegar às conclusões, a auditoria operacional “Primeira Infância: Programas de Visitação Domiciliar Criança Feliz e Estratégia Saúde da Família (Estado) envolveu diversas ações combinadas. São elas:

- envio de questionário eletrônico aos 853 municípios;
- entrevistas com gestores/as estaduais e municipais, e agentes comunitários de saúde (ACS);
- visitas técnicas presenciais em 12 municípios;

- além da análise de planos, normas, atas, programas, mecanismos de monitoramento e instrumentos de planejamento. 

Clique aqui para acessar o relatório na íntegra.