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Congresso internacional ressalta tribunais de contas na promoção de direitos e políticas inclusivas

21/05/2026

Conselheiro Edilberto Pontes (TCE-CE), ao centro, mediou o painel sobre Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo - Foto: Thiago Guarah

A programação do X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas seguiu, na tarde dessa quarta-feira (20/5), com mais uma rodada de apresentações e discussões sobre o papel do controle na promoção do desenvolvimento, da cidadania e da efetividade das políticas públicas.

A primeira palestra foi conduzida pela juíza conselheira da Secção Regional dos Açores (SRA) do Tribunal de Contas, Cristina Flora, com o tema "O Tribunal de Contas e a tutela dos direitos humanos do cidadão europeu". A mediação foi do procurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPC-MG) e presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), Marcílio Barenco, que destacou a importância do intercâmbio entre experiências europeias e brasileiras. 

Durante a apresentação, Cristina ressaltou que, mesmo quando investigados, cidadãos e cidadãs, gestoras e gestores públicos devem ter seus direitos respeitados. "Quando uma pessoa está sendo investigada ou julgada pelo Tribunal de Contas, ela tem direitos que precisam ser respeitados, seguindo tanto as leis nacionais quanto as regras europeias de proteção aos direitos humanos". A magistrada também destacou que, em casos de erro do Estado, não basta indenizar, sendo necessário corrigir a situação, inclusive com a possibilidade de reabertura de processos. 

A juíza conselheira dos Açores, Cristina Flora, abordou o papel dos tribunais de contas na tutela dos direitos humanos - Foto: Thiago Guarah

Desafios das políticas públicas

Na sequência, o painel "Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo" reuniu especialistas para discutir desafios das políticas públicas no Brasil. A moderação ficou a cargo do conselheiro do Tribunal de Contas do Ceará (TCE-CE) e vice-presidente de Ensino Pesquisa e Extensão do Instituto Rui Barbosa (IRB), Edilberto Pontes. 

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Marcelo Barros Gomes, apontou que a falta de coordenação entre os níveis de governo compromete a eficácia das ações públicas e defendeu maior integração institucional. Segundo ele, os tribunais de contas podem contribuir para aprimorar essa articulação e estimular boas práticas. 

Já a subprocuradora-geral de Contagem (MG), Renata Ramos de Castro, destacou a necessidade de se aproximar conhecimento teórico e prática. Para ela, o desenvolvimento deve ser entendido de forma ampla. "O desenvolvimento é um direito fundamental, previsto tanto em normas internacionais quanto na Constituição brasileira, mas esse desenvolvimento não é só crescimento econômico. Ele precisa incluir vários aspectos, como qualidade de vida, redução das desigualdades e proteção do meio ambiente para ser verdadeiramente efetivo", disse. 

Renata também defendeu o fortalecimento do papel dos tribunais de contas. "Quando o desenvolvimento não chega aos municípios, ele simplesmente não se concretiza para quem mais precisa. É necessário repensar o papel dos tribunais de contas", afirmou, reforçando que essas instituições devem atuar como indutoras e articuladoras de políticas públicas. 

A consultora de Orçamentos do Senado Federal, Rita de Cássia dos Santos, ressaltou que os órgãos de controle podem influenciar melhorias ao orientar decisões e disseminar boas práticas. Ela também enfatizou a importância de servidoras e servidores técnicos, e do uso de dados e tecnologia no aperfeiçoamento das políticas públicas. “O uso de dados e de ferramentas como a inteligência artificial pode ajudar a identificar causas com mais clareza”, afirmou. De acordo com ela, esse processo permite análises mais precisas e contribui para decisões mais fundamentadas. 

Rita acrescentou, ainda, que os tribunais de contas podem aprimorar sua atuação ao incorporar perguntas mais conectadas às necessidades reais da população. “É essencial questionar desigualdades que, muitas vezes, são naturalizadas, ouvir quem é diretamente afetado e utilizar melhor as informações disponíveis para desenvolver políticas públicas mais justas e eficazes”, concluiu. 

O painel foi encerrado com a participação do CEO da Cemig SIM, Iuri Mendonça.

Congresso

O X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas continua até sexta-feira (22/5). Participam epresentantes dos tribunais de contas, especialistas e autoridades para discutir o papel do controle na promoção do desenvolvimento, da cidadania e da efetividade das políticas públicas. 

Com o tema “A essencialidade dos tribunais de contas, o direito ao desenvolvimento, a cidadania e os direitos humanos - controlar para melhorar a vida das pessoas”, o evento aborda a atuação das instituições de controle externo na garantia de direitos e na melhoria da gestão pública. 

Veja galeria de fotos do congresso:

X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas