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Democracia se fortalece com autocrítica e instituições sólidas, afirma presidente do TCEMG em encontro nacional sobre avaliação dos Tribunais de Contas

17/09/2026

Em encontro para validar nova metodologia do MMDI-TC, Presidente Durval Ângelo defende o fortalecimento das instituições para garantir o Estado Democrático de Direito - Créditos: Veronica Manevy

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), conselheiro Durval Ângelo, destacou, nesta quarta-feira (16/9), a importância da avaliação permanente das instituições públicas como instrumento de fortalecimento da democracia e de aprimoramento do controle externo. A declaração foi feita durante a abertura do encontro promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), realizado no Auditório da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo.

O evento reúne representantes, servidores e servidoras de Tribunais de Contas de diversas regiões do país para discutir e validar a nova metodologia do Marco de Medição de Desempenho e Impacto dos Tribunais de Contas (MMDI-TC), principal ferramenta de avaliação do sistema de controle externo brasileiro. A iniciativa busca aperfeiçoar os critérios de análise da atuação das Cortes de Contas, identificar oportunidades de melhoria e estimular a disseminação de boas práticas institucionais.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, Durval Ângelo ressaltou que o fortalecimento da democracia passa necessariamente pela capacidade das instituições de se avaliarem e se aperfeiçoarem continuamente.

“A todo momento é preciso rever métodos, princípios e ações. A democracia se constrói com autocrítica e com o fortalecimento das instituições”, afirmou o presidente do TCEMG. Segundo ele, o processo de avaliação contribui para garantir a imparcialidade e a legitimidade das decisões tomadas pelos órgãos de controle e pelos tibunais em geral. “A democracia perde quando não somos avaliados”, concluiu.

Durante sua fala, o presidente também destacou iniciativas implementadas pelo Tribunal de Contas mineiro que dialogam diretamente com os princípios defendidos pelo MMDI-TC, entre elas a criação e o fortalecimento da Ouvidoria, da Corregedoria e da Controladoria Interna, além da ampliação dos encontros técnicos e dos mecanismos de transparência e participação social, enfatizando a criação dos nove portais de transparência.

Ferramenta de transformação institucional

Representando o presidente da Atricon (Edilson Silva), o conselheiro Antônio Joaquim, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, apresentou um panorama histórico do projeto, lembrando que o movimento de modernização dos Tribunais de Contas teve início ainda no começo da década de 2010.

Segundo ele, o Marco de Medição de Desempenho e Impacto surgiu da necessidade de promover mudanças estruturais nas instituições de controle, fortalecendo valores como integridade, transparência e responsabilidade. Antônio Joaquim citou a criação de códigos de ética e mecanismos de governança como marcos fundamentais desse processo de transformação.

Para o conselheiro, os avanços proporcionados pelo MMDI-TC contribuíram para ampliar a credibilidade e a respeitabilidade dos Tribunais de Contas perante a sociedade. “Os Tribunais de Contas são essenciais para a consolidação da República e da democracia”, afirmou.

Também participou da abertura o presidente do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás, conselheiro Joaquim Castro. Em sua exposição, ele destacou que a busca por resultados mais efetivos exige revisões constantes nos processos e modelos de atuação. “Se queremos resultados diferentes, temos que mudar o processo”, defendeu.

O conselheiro apresentou a experiência do TCM-GO na implementação do MMDI-TC e relembrou a evolução da metodologia ao longo dos anos. Segundo ele, a iniciativa ganhou novo impulso a partir de 2015, teve seu escopo ampliado em 2017 e, nos anos seguintes, passou a incorporar avaliações temáticas voltadas à efetividade das políticas públicas.

Ao enfatizar o papel transformador do controle externo, Joaquim Castro lançou uma reflexão aos participantes: “Qual é o nosso propósito se não podemos mudar a vida das pessoas?”. Para ele, o desafio dos Tribunais de Contas é avançar continuamente na produção de resultados concretos que impactem positivamente a sociedade.

Três dias de debates e construção coletiva

Após a cerimônia de abertura, tiveram início as atividades técnicas do encontro. A programação começou com a apresentação da pactuação do treinamento, do projeto-piloto e das etapas de validação da nova metodologia, conduzida pela servidora Risodalva Castro, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, e por Paulo Passanol, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

Ao longo da manhã, os participantes discutiram temas estratégicos relacionados à evolução do modelo de avaliação, entre eles cultura organizacional; valores e crenças institucionais; governança e gestão; a transição de uma atuação focada em procedimentos para uma atuação orientada a resultados; além dos mecanismos de controle das contas anuais.

O encontro prossegue pelos próximos dois dias, reunindo especialistas e profissionais do controle externo em um esforço coletivo para aperfeiçoar a metodologia que orienta a avaliação e o fortalecimento dos Tribunais de Contas brasileiros.

Denise de Paula / Coordenadoria de Imprensa