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II Enapac: encontro nacional debate maneiras de fortalecer a segurança jurídica no controle externo

05/08/2026

II Enapac: segurança jurídica em foco - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Começou nesta quarta-feira, 5 de agosto, o II Encontro Nacional de Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas (Enapac), sediado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O evento, que acontece ao longo de dois dias (5 e 6 de agosto), reúne, na capital mineira, procuradores, consultores, assessores jurídicos, membros e especialistas de todo o país para debater o aprimoramento da atuação jurídica nos órgãos de controle externo. 

Promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e pelo Instituto Ruy Barbosa (IRB), em parceria com o TCE-MG, o II Enapac tem como propósito central consolidar espaços de diálogo e cooperação interinstitucional. A iniciativa busca o compartilhamento de boas práticas e o desenvolvimento de soluções jurídicas inovadoras, eficientes e comprometidas com o interesse público e a efetividade da gestão pública brasileira.
 
Autoridades se reúdem para discutir melhorias no controle externo - Foto: Veronica Manevy/TCEMG
 
O presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo, agradeceu a presença dos participantes e ressaltou o empenho de todos na manutenção do controle externo, com destaque para aqueles que atuam longe dos holofotes.
 
"O trabalho desenvolvido por esses profissionais é silencioso, mas são eles que sustentam a segurança jurídica, contábil e administrativa das decisões dos tribunais. Nenhuma decisão relevante nasce apenas da vontade de quem decide; ela nasce do diálogo, da reflexão, do estudo, da técnica e do compromisso fundamental com a Constituição. É esse o papel das procuradorias, consultorias e assessorias jurídicas", enalteceu o conselheiro.
 
Solenidade de Abertura e Cooperação Nacional
A sessão solene de abertura, realizada às 9h30, deu início aos trabalhos e antecedeu a Palestra Magna do encontro. Na oportunidade, o presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo, e o presidente da Atricon, Edilson de Sousa Silva, destacaram a importância da união e da harmonização das áreas jurídicas do controle.
 
Em seu pronunciamento, o presidente da Atricon enfatizou o papel integrador do estado de Minas Gerais e defendeu a atuação conjunta das unidades técnicas.
 
"Minas nos ensina que instituições fortes não se formam por acaso. Não podemos fazer da nossa casa uma casa de estranhos. O Direito tem que prevalecer aqui e devemos sempre pensar na posição institucional dos Tribunais de Contas, especialmente diante do Judiciário, que impacta diretamente a nossa atuação", ressaltou Edilson de Sousa Silva.
 
O dirigente sublinhou a necessidade de alinhar precedentes, estratégias e soluções entre as unidades jurídicas dos 33 Tribunais de Contas brasileiros. Como avanço concreto desse esforço, citou a criação da Rede de Lideranças das Unidades Jurídicas dos Tribunais de Contas (Reju), instituída em 2 de junho deste ano com o objetivo de articular uma agenda permanente de cooperação técnica e troca de experiências.
 
O presidente nacional da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), Nelson Pellegrino, também participou do evento. Em sua fala, ressaltou que o diálogo constante entre as procuradorias é indispensável para uma resolução pacífica e eficiente de conflitos, destacando a busca por caminhos conjuntos e saídas negociadas em vez do litígio.
 
Palestra Magna 
 
Professora Maria Sylvia Di Pietro é referência em direito administrativo - Foto: Veronica Manevy/TCEMG
 
A Palestra Magna ficou a cargo da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, uma das maiores referências do Direito Administrativo no Brasil. Mestra, doutora e professora aposentada da Faculdade de Direito da USP, além de procuradora aposentada do Estado de São Paulo, a jurista é autora de obras que norteiam o fazer jurídico no país.
 
Durante a conferência, a palestrante observou que os últimos anos foram ricos em avanços jurídicos e destacou a inspiração do direito europeu continental na evolução do sistema brasileiro. Entre as principais tendências assimiladas pela gestão e pelo controle público no país, Di Pietro citou a constitucionalização dos princípios administrativos, a garantia do direito à boa administração, o amplo acesso à informação e a documentos públicos, a proteção de dados pessoais e o fortalecimento das agências reguladoras.
 
Ao final de sua fala, a professora destacou a necessidade de reflexão sobre os limites da atuação institucional frente à Administração Pública. Maria Sylvia Di Pietro explicou que o termo controle abrange tanto a ideia de fiscalização quanto a de comando, e alertou para uma tendência dos órgãos de controle em assumir papéis de gestão, o que pode resultar em indevidas interferências na rotina administrativa.
 
Pauta Estratégica e Programação
A pauta do II Enapac volta-se para temas centrais e transversais da Administração Pública, como governança, integridade, inovação, transformação digital e segurança jurídica. As discussões priorizam a uniformização de entendimentos, reforçando o papel decisivo das consultorias e assessorias jurídicas na construção de um controle externo mais preventivo, seguro e assertivo.
 
Encerrando a programação, os participantes cumprem, no dia 7 de agosto, uma agenda institucional com visita técnica ao município de Ouro Preto (MG).
 
Presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo - Foto: Veronica Manevy/TCEMG