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Livro sobre escavações no antigo DOPS/MG será lançado com experiência imersiva em Belo Horizonte

10/09/2026

Belo Horizonte, setembro de 2026 – Objetos recuperados nas escavações do antigo Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (DOPS/MG), imagens do trabalho arqueológico e registros de um dos principais espaços de repressão política do estado estarão reunidos em uma experiência imersiva durante o lançamento do livro Memórias Aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG. 

O evento será realizado no dia 11 de setembro de 2026, às 18h30, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte, com entrada gratuita.
 
Escrito por Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Costa, o livro, publicado pela Pedro & João Editores, apresenta os resultados da primeira pesquisa arqueológica com escavações realizada no Brasil em um centro de detenção utilizado para o confinamento de presos políticos durante a ditadura militar.
 
Realizada em 2020, nas antigas instalações do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (DOPS/MG), a pesquisa recuperou 287 fragmentos de materiais, entre tijolos, ossos, vidro, metal, papel, plástico e outros vestígios.
 
No lançamento, o público poderá conhecer parte dessa história também por meio das materialidades encontradas durante a pesquisa arqueológica. As peças recuperadas nas escavações estarão expostas no evento, acompanhadas por projeções de fotografias que registram o trabalho realizado no antigo DOPS/MG. A proposta é aproximar o público dos vestígios e das imagens de um espaço marcado pela repressão política, transformando o lançamento em uma experiência de encontro entre livro, arqueologia, memória e história.
 
Sobre o livro
A pesquisa investigou diferentes áreas do antigo DOPS/MG por meio de escavações arqueológicas, análise espacial, documentação das estruturas arquitetônicas e escaneamento 3D do edifício. Das seis intervenções previstas, cinco foram efetivamente realizadas, permitindo compreender diferentes momentos de transformação e uso do prédio.
 
Mais do que revelar objetos, o estudo analisa a arquitetura, as celas, os corredores e demais espaços como parte da própria experiência da repressão. A obra demonstra como a organização espacial do DOPS/MG funcionava como um mecanismo de confinamento e controle, ao mesmo tempo em que registra as formas de solidariedade e resistência construídas pelos presos.
 
Ao transformar o antigo DOPS/MG em objeto de investigação arqueológica, os autores evidenciam que os lugares da repressão são patrimônios da memória coletiva, fundamentais para a educação em direitos humanos e para a compreensão da história brasileira. A pesquisa também integra um movimento mais amplo de preservação e musealização do edifício como espaço público de memória.
 
Com 180 páginas, o livro aborda as materialidades da opressão e da violência, as estruturas arquitetônicas do edifício, os vestígios recuperados nas escavações, a dimensão sensorial da experiência da repressão e as estratégias de resistência dos presos. Durante o evento, será feita distribuição gratuita do livro em formato impresso (para as 50 primeiras pessoas) e digital.
 
Sobre os autores
Andrés Zarankin é professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atua na área de Arqueologia. Coordena o Laboratório de Estudos Antárticos em Ciências Humanas (LEACH) e participou da coordenação da pesquisa arqueológica desenvolvida no DOPS/MG.
 
Caroline Murta Lemos é pesquisadora da área de Arqueologia da Repressão e da Resistência, desenvolvendo estudos sobre as materialidades dos centros de detenção da ditadura brasileira.
 
Denise Costa dedica suas pesquisas às relações entre memória, repressão e resistência no DOPS/MG. Sua trajetória acadêmica inclui estudos sobre os espaços de repressão em Belo Horizonte e sobre as marcas deixadas pela ditadura no antigo Departamento de Ordem Política e Social.
 
Informações gerais
Lançamento "Memórias Aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG" 
Data: 11 de setembro de 2026 (sexta-feira)
Horário: 18h30
Local: Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG)
Endereço: Avenida Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo, Belo Horizonte (MG)
Entrada gratuita