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Mesas de Conciliação ganham destaque no II Enapac

06/08/2026

As Mesas de Conciliação e Prevenção de Conflitos incentivam soluções para questões complexas

A experiência do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) com as Mesas de Conciliação e Prevenção de Conflitos esteve entre os principais destaques da programação da manhã desta quinta-feira, 06/08/2026, durante o segundo dia do II Encontro Nacional de Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas (II Enapac). Ao reunir representantes dos órgãos jurídicos dos tribunais de contas de todo o Brasil, o evento discutiu como mecanismos consensuais podem fortalecer a atuação preventiva do controle externo e ampliar a segurança jurídica na solução de controvérsias envolvendo a administração pública.

Instituídas em 2025, as Mesas de Conciliação e Prevenção de Conflitos integram a estratégia do TCEMG de incentivar soluções para questões complexas da gestão pública. O modelo permite que órgãos públicos, entidades e demais interessados construam, com o acompanhamento técnico do TCE e do MPC-MG, alternativas consensuais para impasses que poderiam resultar em impasses longos ou comprometer a execução de políticas públicas. Ao longo do primeiro semestre deste ano, o mecanismo contribuiu para acordos envolvendo áreas como saúde, mobilidade urbana e saneamento básico, consolidando-se como uma das principais iniciativas de controle preventivo desenvolvidas pelo Tribunal.

Ao apresentar a experiência do TCEMG, o auditor de controle externo Túlio Machado defendeu que o fortalecimento da consensualidade passa, antes de tudo, pela retomada da cultura do diálogo.

“Perdemos um pouco daquela noção da pretensão resistida. A mesa de conciliação é basicamente isso: retomar essa habilidade negocial e a importância da conversa entre as partes”, explicou.

Segundo Túlio, as mesas não representam flexibilização da atividade fiscalizatória. Ao contrário, permitem que o Tribunal atue de forma antecipada, construindo soluções juridicamente seguras, vantajosas para o interesse público e com maior potencial de cumprimento pelos envolvidos. Para isso, explicou, cada acordo é submetido a critérios de juridicidade, vantajosidade e adequação, além de permanecer sujeito ao acompanhamento e ao monitoramento do próprio Tribunal.

Entre os casos apresentados durante a exposição estiveram acordos relacionados ao Hospital Regional de Teófilo Otoni, ao Hospital Regional de Sete Lagoas, à ampliação do Hospital de Conceição do Mato Dentro e ao transporte metropolitano da Região Metropolitana de Belo Horizonte. No caso do transporte coletivo, a construção consensual permitiu direcionar recursos para a renovação da frota, viabilizando a aquisição de 600 novos ônibus, com previsão de outros 250 veículos.

Também participante do painel, o procurador do Ministério Público de Contas de Minas Gerais, Marcílio Barenco, destacou que conflitos relacionados a políticas públicas exigem soluções capazes de reunir todos os atores envolvidos, permitindo a construção de respostas duradouras e acompanhadas continuamente pelos órgãos de controle. Para o procurador, o consensualismo representa um novo paradigma para enfrentar problemas estruturais da administração pública, preservando a fiscalização e a segurança jurídica das decisões.

Reforma tributária


Abrindo a programação da manhã, o corregedor do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES), conselheiro Domingos Augusto Taufner, explicou que a reforma tributária amplia as responsabilidades dos tribunais de contas, especialmente na fiscalização das receitas públicas, durante a mesa de debates Consultivo Geral.

Segundo Taufner, além da nova estrutura de arrecadação, as alterações exigirão atenção das consultorias jurídicas na análise de pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, já que a mudança da carga tributária poderá tanto elevar quanto reduzir custos ao longo do período de transição.

Durante a apresentação, Taufner também detalhou a estrutura do novo modelo tributário, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pelo Imposto Seletivo, criado para incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Na sequência, o corregedor do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), conselheiro Adircélio de Moraes, defendeu uma atuação cada vez mais integrada entre corregedorias e procuradorias jurídicas, destacando que o fortalecimento do diálogo institucional contribui para prevenir irregularidades, aprimorar procedimentos internos e ampliar a segurança jurídica das decisões dos tribunais de contas. Os debates da mesa Consultivo Geral foram mediados pelo consultor-geral do TCE, João Alves.


Thiago Rios Gomes / Coordenadoria de Imprensa