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Missão Pampulha: Convênio entre TCEMG e UFMG viabiliza estudo ambiental na Bacia da Pampulha

13/07/2026

Missão Pampulha: projeto busca estabelecer soluções para a revitalização da região - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

A Pampulha, que completou 10 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2026 após tombamentos nas esferas estadual (década de 1980), federal (década de 1990) e municipal (início dos anos 2000), enfrenta desafios ambientais em sua bacia hidrográfica. O território abrange 96 km² entre Belo Horizonte e Contagem, abriga centenas de nascentes e impacta 460 mil pessoas que registram os reflexos do crescimento urbano, da degradação e da poluição.

Diante desse cenário, a Sala Ágora do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) sediou, no dia 13 de julho, a assinatura do Projeto Missão Pampulha, que visa estruturar a governança e estabelecer soluções para a revitalização da região. O ato reuniu autoridades, servidores, pesquisadores e estudantes. 

O projeto avançará com um investimento de R$ 27 milhões ao longo de três anos. Serão executadas 58 atividades por uma equipe que reúne profissionais de áreas da UFMG, incluindo os departamentos de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA) e de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos (EHR), o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), o Instituto de Geociências (IGC), a Escola de Arquitetura e o Cedeplar, entre outros.

Entre as atividades está o monitoramento contínuo da qualidade da água da lagoa, incluindo a profundidade da lagoa (topobatimetria), análise de sedimentos, medições de gases e odores, e estudo da biodiversidade e riscos à saúde.

O diagnóstico da Bacia e da Lagoa da Pampulha integra o plano de trabalho firmado entre o Estado de Minas Gerais, os municípios de Belo Horizonte e Contagem, a Copasa e o TCEMG. Esta atuação conjunta visa implementar um Sistema de Governança e Gestão voltado à sustentabilidade hídrica da bacia. Para isso, o acordo conta com a participação dos Comitês de Governança (CG) e de Gestão Integrada (CGI) — para atuação dos órgãos envolvidos — e viabilizará um estudo das causas da poluição e de seus impactos na lagoa. 

Auditoria e Investimento em Governança

A iniciativa responde a uma auditoria operacional realizada pelo TCEMG, que avaliou as ações de recuperação sob a ótica da governança multinível. O relatório gerou recomendações para a coordenação institucional e o monitoramento das políticas públicas.

O projeto mobilizará aproximadamente 343 pesquisadores de diferentes formações (incluindo mestres e doutores), contando com 120 pesquisadores diretos — dos quais 30 são professores — e promovendo a formação de recursos humanos por meio de 6 pesquisas de doutorado, 27 projetos de iniciação científica e 20 estágios de pós-doutorado.

A mesa de honra do evento contou com a presença do presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo; do reitor da UFMG, professor Alessandro Fernandes Moreira; da procuradora-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Sara Meinberg; da presidente da Copasa, Marília Carvalho Melo; da subprocuradora-Geral do MPC, Maria Cecília Borges; da controladora-geral de Contagem, Nicole Bleme (representando o Prefeito Ricardo Faria); e do secretário Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, João Paulo Mena Barreto (representando o prefeito Álvaro Damião).

Durante a solenidade, Durval Ângelo afirmou que a ação demonstra a preocupação do TCEMG em induzir políticas públicas e concretizar direitos fundamentais. Segundo ele, o projeto cumpre o papel constitucional da Corte de Contas de exigir do poder público o dever de zelar por esse patrimônio.

“Estamos construindo um modelo de governança que valoriza a cooperação entre instituições e a utilização da ciência como fundamento da ação política. Essa experiência poderá se tornar referência para outros territórios e para outras políticas públicas que demandam respostas articuladas e sustentáveis.”

Em seguida, o reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira, tratou da conexão do conhecimento aos recursos governamentais para gerar inovações aplicadas à realidade da população.

"Na engenharia, gosta-se muito de trabalhar com predição exatamente para evitar o pior. É o princípio de prever para não remediar. É com muita alegria que a UFMG participa deste convênio, pois a principal missão da universidade é servir à sua sociedade. Hoje, inclusive, somos a universidade com um dos maiores impactos no meio ambiente na América do Sul, segundo o ranking da Times Higher Education."

 Evento reuniu autoridades, professores e estudantes envolvidos no projeto - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Fases do Projeto

A coordenação-geral dos trabalhos técnicos ficará a cargo da professora associada do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, Camila Amorim, que detalhou o planejamento estruturado em sete etapas:

Etapa 1 – Planejamento e Mobilização: Fase inicial para organizar a governança do projeto, alinhar as instituições públicas, criar o Comitê Técnico-Científico e estruturar os planos de comunicação e gestão de dados.

Etapa 2 – Integração de Dados Existentes: Reunião, padronização e validação de dados históricos já disponíveis (como qualidade da água e saneamento) em uma base geográfica unificada.

Etapa 3 – Mapeamento por Imagens: Uso de imagens de satélite e sensoriamento remoto para analisar o território ao longo do tempo, mapeando o crescimento urbano, o uso do solo e a qualidade da água da bacia.

Etapa 4 – Pesquisas de Campo (Dados Novos): Monitoramento multidisciplinar intenso para preencher lacunas de dados, incluindo a profundidade da lagoa (topobatimetria), análise de sedimentos, medições de gases e odores, e estudo da biodiversidade e riscos à saúde (sob a abordagem One Health).

Etapa 5 – Análises por Eixos Temáticos: Interpretação e cruzamento dos dados em áreas específicas (física, biológica, socioeconômica e hídrica) para entender as vulnerabilidades e os conflitos de uso do solo na bacia.

Etapa 6 – Diagnóstico e Cenários Futuros: Transformação dos dados em inteligência para simular cenários futuros diante do crescimento urbano e das mudanças climáticas, além da criação de indicadores de segurança hídrica e dispersão de odores.

Etapa 7 – Validação e Entrega: Oficinas participativas com a comunidade e gestores para validar os resultados, entrega de um Banco de Dados Aberto e criação de diretrizes técnicas para subsidiar os Planos Plurianuais (PPA) dos municípios e as futuras ações de revitalização.

A assinatura deste termo é um passo decisivo em direção ao objetivo de entregar uma Lagoa da Pampulha despoluída e restaurada para todos que a usufruem.

 Reunião em prol da segurança ambiental - Foto: Veronica Manevy/TCEMG