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No Dia da Ouvidoria, TCE afirma que multará gestor que não cumprir a exigência

26/03/2026

O ouvidor Adonias Monteiro garante que as ouvidorias fortalecem a transparência e contribuem para a democracia                 Créditos: Daniele Fernandes

Com o tema Informação que move a Gestão, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) realizou, nesta quarta-feira, 25 de março, mais uma edição do Dia da Ouvidoria, com o objetivo de evidenciar a Ouvidoria como ferramenta estratégica para transformar a escuta do cidadão em informação capaz de subsidiar decisões, além de fortalecer as políticas públicas e aprimorar a governança.

O ouvidor do Tribunal de Contas, conselheiro em exercício Adonias Monteiro, proferiu a palestra de abertura, ressaltando que o tema é essencial para a administração pública e para a cidadania. Adonias identifica a data como oportunidade para agradecer a quem diariamente recebe demandas, organiza informações e aproxima o cidadão do poder público. “Esse trabalho fortalece a transparência, qualifica os serviços e contribui para a democracia”, garantiu.

Seguido pela secretária executiva da Rede Ouvir, Gláucia Fernandino de Castro  garantiu que o evento traduz com muita eficiência o que as ouvidorias vivenciam em seu dia a dia. Segundo Gláucia de Castro, a informação que chega às Ouvidorias é a voz do cidadão, a expressão de uma necessidade, de uma expectativa, angustia, de uma crítica ou de um reconhecimento.  “Ouvir requer atenção, empatia e sensibilidade”, garante a secretária, complementando que é justamente essa escuta qualificada que tem o potencial de orientar decisões, aprimorar  políticas públicas e fortalecer a confiança entre o cidadão e as instituições. Para Castro, “ouvidoria é estratégia e contribui para a boa governança”.

Na sequência, a ouvidora-geral do Estado, Gabriela Campos Siqueira, diz que é bom ver que em Minas Gerais o controle social tem se fortalecido. Fez menção ao acordo celebrado entre o TCEMG, a Ouvidoria Geral do Estado, o Ministério Público de Contas, entre outras instituições, para auxiliarem os municípios no fortalecimento de ouvidorias já em funcionamento  e na construção de canais de ouvidoria  de municípios que não tinham nenhum contato com o cidadão. “Desde o início do ano temos intensificado nossas ações com diálogo, com  diagnostico e com capacitação para essas ouvidorias”, informou.

A ouvidora-geral da União, Waldirene Paes de Medeiros lembrou que no ano passado, no TCEMG, foi discutida a necessidade de levar essa visão contemporânea das ouvidorias para as gestões públicas. Para ela, por muito tempo a Ouvidoria foi vista como uma unidade reativa. “Com o tempo, temos percebido a mudança desse paradigma”, ponderou, tendo ainda acrescentado que a Ouvidoria “é um ponto de conexão entre o estado e a sociedade, “um radar sensível, capaz de captar sinais, percepções, demandas e expectativas da sociedade”. “Quando bem estruturada, torna-se poderosa produtora de informação qualificada, que aprimora políticas públicas e antecipa problemas para prevenção de crises, além de fortalecer a governança e transformar a vidas das pessoas”, garantiu.

TCE  exigirá a criação de ouvidorias nos municípios 

“Os que mais mandam tem que ser os que mais obedecem”, disse o presidente do TCE, conselheiro Durval Ângelo, em seu pronunciamento, fazendo menção à tribo chiapas, do Sul do México, que sempre se guiou por esse princípio. Remontando ao Primeiro Testamento (Bíblia de Jerusalém), Durval enfatiza uma fala do rei Salomão, que pede “sabedoria para ouvir o povo; sabedoria para discernir entre o bem e o mal, e, principalmente, sabedoria para governar construindo o bem para todo o povo”, tendo destacado, entretanto, que Salomão só governou bem quando ouviu o povo. Para o presidente do TCE, “governar tem que ser “ouvir”, e acrescenta: “não pode ser um exercício solitário do poder, daí a importância das ouvidorias nas prefeituras. Durval Ângelo salienta que a própria Constituição Federal, desde seu preâmbulo, diz que “o poder emana do povo” e assim dever ser exercido. “Se somos Estado Democrático de Direito, temos que ouvir para governar”, conclui o presidente, afirmando que a partir deste ano o Tribunal vai cobrar o cumprimento dessa exigência constitucional, de que todos os municípios criem suas ouvidorias. Garantiu ainda que o TCE multará o CPF do gestor, caso essa obrigação não seja cumprida.

Com a palestra “Como a Gestão se transforma por meio da participação?”, o ouvidor-geral da prefeitura de Belo Horizonte, Gustavo Nassif, deu início aos trabalhos, sendo seguido do 1º painel da manhã, com o tema “Informação, Cooperação e Resultado: Como cada Poder transforma a escuta em Valor Público, mediada pela auditoria de Controle Externo e coordenadora da Pós-Graduação da Escola de Contas, Luciana Moraes Raso Sardinha. O painel teve a participação da ouvidora-geral de Minas Gerais, Gabriela Campos Siqueira; do ouvidor-geral do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Desembargador José Américo Martins Costa; e do ouvidor da Câmara de Belo Horizonte, vereador Bráulio Alves Lara.

A manhã também contou com um momento interativo, Mito ou Verdade, coordenado pelo assessor da Ouvidoria de Prevenção e Combate à Corrupção, Vinícius Costa Gomes. Participaram ainda da cerimônia, compondo o dispositivo de honra, o procurador-geral do Ministério Público Junto ao TCEMG, Marcílio Barenco; e o ouvidor do Ministério Público de Minas Gerais, Rolando Carabolante.

Denise de Paula / Coordenadoria de Imprensa