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Oficina reproduz dinâmica de trabalho real e fortalece gestão fiscal responsável

24/04/2026

Olhos atentos à tela do computador para acompanhar os indicadores que atestam a gestão fiscal dos municípios - foto: Daniele Fernandes/TCEMG

CARANDAÍ - Em uma das salas do terceiro pavilhão de aulas da Escola Municipal Deputado Abelardo Pereira, em Carandaí, estudantes atentos não tiram os olhos das telas dos computadores. Diferentemente de alunos e alunas do ensino fundamental, que frequentam a unidade escolar de segunda a sexta-feira, esses alunos e alunas são técnicos e técnicas que atuam na gestão dos municípios de Carandaí, Barbacena, Queluzito, Cristiano Otoni e Alfredo Vasconcelos. A sala está repleta e é necessário compartilhar computadores.

Os temas em discussão diferem muito daqueles usualmente tratados em sala de aula, assuntos que integram o currículo básico obrigatório, denominado Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O debate gira em torno de procedimentos e dúvidas relacionados à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a aplicação da legislação em situações práticas, como a elaboração e divulgação do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF), principais instrumentos de transparência e controle das contas públicas. Os dois documentos permitem que a sociedade e os órgãos de controle monitorem a saúde financeira do município.

As situações são diversas: tratam das despesas com pessoal; operações de crédito, garantias e contragarantias; metas de arrecadação e de receita; elaboração de balancetes; alienação de ativos, entre outras temáticas da gestão fiscal na administração pública.
 
Segundo Ane Marla Raimundo, coordenadora de gestão fiscal do TCEMG, auditora de controle externo e uma das pessoas responsáveis pela condução da oficina, a proposta é apostar na participação, por meio de uma estratégia de aprendizado baseada na “gamificação” (uso de elementos, mecânicas e o design de jogos em contextos que não são jogos para engajar estudantes, motivar a ação e facilitar a resolução de problemas). “Com base nas principais dúvidas e problemas que identificamos no Tribunal, estruturamos uma ementa e com base nela vamos dialogando com os participantes sobre o que é correto e o que não é. Criamos um sistema de pontuação e dessa forma vamos estimulando as pessoas a verificarem a situação real do município no qual atuam”, esclarece Ane Marla.
 
“A gente espera que a oficina contribua para evitar que erros aconteçam e sejam identificados pelas auditorias do Tribunal. O caminho é apostar na prevenção”, completa o também auditor de controle externo e integrante da equipe de gestão fiscal, José Francisco Vieira Jr.
 
Ane Marla Raimundo e José Francisco Vieira: responsáveis pela oficina  - foto: Daniele Fernandes/TCEMG
 
Para cada item (17 ao todo) da oficina, há recomendações, alertas e a apresentação do que fazer para não deixar os municípios em apuros. Um dos itens, objeto de esclarecimentos dos responsáveis pela oficina “Gestão Fiscal Responsável – Planejamento e Transparência”, uma entre as seis opções de formação oferecidas durante o Encontro Técnico em Carandaí, foi a “Regra de Ouro”. Na gestão fiscal dos municípios, assim como na União e nos Estados, é um limite constitucional que proíbe a administração pública de se endividar para pagar despesas comuns do dia a dia.
 

Mariane Neto, contadora, atua na Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento de Alfredo Vasconcelos. Ela relata que este é o quarto encontro técnico com o TCEMG que participa, pois é uma “oportunidade para se manter atualizada”. “Essas oficinas oferecem informações para nós, que atuamos na gestão fiscal dos municípios. E há muitas pessoas que desconhecem os procedimentos corretos”, afirma. Outro aspecto ressaltado é que as oficinas contribuem para romper com a tradição de fazer “como sempre foi feito”. “Mas quando a gente participa das oficinas, percebe que não pode agir dessa forma”, alerta.

Para Sônia Maria Lopes, secretária de Ação Social de Carandaí, a oficina representou um desafio. Ela explica que não imaginava que haveria “um aprofundamento na parte contábil ... e sobre a Lei Orçamentária”. “Imaginei que seria uma oficina introdutória, para que nós, da gestão, pudéssemos compreender a origem dos recursos e como proceder para uma gestão responsável”. Mesmo enfrentando desafios, ela esclarece que a oficina produziu um alerta. “A iniciativa do TCEMG é importante porque indica os inúmeros procedimentos que existem para que as políticas públicas possam ser melhor executadas e os benefícios cheguem à população”, explica.