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Painel revela avanços e desafios de controladorias do Semiárido Mineiro

10/09/2026

Da esq. para a dir.: Analice Horta (AMM); Alana Dourado (CI de Januária); João Gabriel Alves (TCEMG); Ádila Soares (CI de Jaíba); e Luan Almada (CI de Jacinto), Foto: Veronica Manevy/TCEMG

A importância da Decisão Normativa nº 02/2016 e os desafios enfrentados pelas controladorias municipais foram discutidos durante mesa de debates do II Seminário Controles Internos e os Desafios na Gestão, realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte, em parceria com a Associação Mineira de Contadores Públicos (AMCP), Conselho Estadual de Controle Interno de Minas Gerais (Coneci-MG) e Associação Mineira de Municípios (AMM). O painel reuniu representantes de municípios do Semiárido Mineiro contemplados pelo Programa de Aceleração do Crescimento dos Controles Internos Municipais (PAC-CI).

 
O programa, conduzido pela Controladoria Interna do TCEMG, foi criado para fortalecer a atuação dos órgãos de controle interno municipais, com foco em transparência, gestão de riscos nas contratações e acompanhamento de políticas públicas. No final do ano passado, 10 municípios foram selecionados para receber apoio técnico, capacitação e acompanhamento durante um ano.
 
Mediador do debate, o auditor de controle externo João Gabriel Alves afirmou que a Decisão Normativa TCEMG (DN) nº 02/2016 - com as Orientações sobre Controle Interno - foi um marco para a estruturação dos controles internos em Minas Gerais. "A norma trouxe uma base para começarmos a estruturar o controle interno e para os gestores entenderem a importância das controladorias", destacou.
 
A controladora interna de Jaíba, Ádila Soares de Oliveira, relatou que, ao assumir a função, encontrou uma unidade sem estrutura e atuando de forma predominantemente operacional. Com o apoio do programa e as orientações da DN, a controladoria deixou de apenas aprovar despesas e passou a trabalhar de maneira mais planejada, antecipando ações. "Parei de atestar os empenhos e comecei realmente a atuar de forma preventiva e, às vezes, corretiva", afirmou.
 
De Januária, a controladora interna Alana Araújo Dourado destacou a mudança na percepção dos gestores sobre o controle. "O programa foi justamente dizer: nós não vamos auditar vocês; estamos aqui para fazer um trabalho de instrução", disse. Segundo ela, a iniciativa também contribuiu para melhorar respostas a questionários, o portal da transparência e a integração entre as secretarias.
 
O controlador interno de Jacinto, Luan de Castro Almada, também apresentou avanços obtidos após a estruturação da unidade, como o controle da frota, a redução de pagamentos sem fundamento legal e a melhoria dos índices de transparência. “A gente tem que ver de onde saiu e onde está hoje", afirmou. Para ele, a evolução foi possível com base na DN nº 02/2016 e no PAC-CI.
 
O painel foi também uma oportunidade para a assessora técnica da AMM, Analice Carvalho Horta, ressaltar a importância da definição exata de funções e responsabilidades. "Quem controla não executa. O controlador está lá para fiscalizar e ajudar o prefeito a não ter problemas na ponta", explicou. Ela também defendeu que o controle interno seja visto como parceiro da gestão. “Quando o controle trabalha com o apoio do gestor, a população só tem a ganhar".
 
Ao final, os participantes reforçaram que a efetividade das controladorias depende de autonomia, equipes qualificadas, apoio dos gestores e rotinas que sejam, de fato, executadas.
 
A DN nº 02/2016 completa dez anos em 2026 e permanece como referência para o fortalecimento dos controles internos municipais em Minas Gerais. Não por acaso, esta segunda edição do seminário faz menção justamente ao aniversário das orientações.