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Paulo Scott discute o racismo no campo do Direito em mais um Sempre um Papo

01/07/2026

Sempre um Papo debateu racismo no Direito - foto: Tamires Araújo

É através da colonização que o direito moderno chega às Américas e ao que viria a ser o Brasil. Influenciado pelo antigo Direito Romano, ele surge como um dos elementos centrais para a construção dos estados-nacionais europeus. A expansão colonial expande sua área de atuação e, a partir do século XVI, as legislações europeias passam a agir, também, como legitimadoras da exploração dos territórios conquistados. O Direito, nesse sentido, ganha um novo tipo de viés, o racial.

Na atualidade, o Direito é uma das ciências mais prestigiadas na sociedade brasileira. As Escolas de Direito de Olinda e do Rio de Janeiro, fundadas em 1827, estão entre as instituições de ensino mais antigas e renomadas do país. Essa área das ciências sociais, no entanto, continua profundamente marcada pelo racismo que estrutura a própria sociedade brasileira. Essa constatação foi um dos pontos de partida para que o poeta e escritor Paulo Scott escrevesse o livro Direito Constitucional Antirracista, obra tema do último Sempre um Papo, que ocorreu na noite de terça-feira, 30/6, no auditório Vivaldi Moreira do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.

O autor da obra é graduado em Direito pela PUC-RS, mestre em Direito Público pela UFRS e doutor em Psicologia pela UFRJ. Sua publicação mais recente foi editorada pela Editora Revista dos Tribunais e está prevista para ser lançada, em breve, em inglês nos Estados Unidos. A conversa sobre o livro foi mediada por Sabrina Braga, servidora do TSE e doutoranda em Direito pela UFMG.

Ao longo do debate, o autor tratou da formação do sistema jurídico brasileiro enquanto extensão dos interesses da “casa grande”, parafraseando a principal obra de Gilberto Freyre. Durante seu processo de escrita, Scott afirma ter sido profundamente impactado pelas vivências negras que o circundaram, como a do pai e a da avó, yalorixá que faleceu quando ele tinha 9 anos de idade. Seu trabalho destaca a importância do letramento racial entre os profissionais que exercem e constroem o direito, lembrando que o Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, majoritariamente negra.

Nesse sentido, o escritor permeou questões relativas a medidas de compensação aos crimes cometidos pelo Estado contra a população negra. A fala reforça a importância das colocações do conselheiro-presidente do TCEMG, Durval Ângelo, que ao realizar a abertura do Sempre um Papo, ressaltou a necessidade das políticas de cotas raciais adotadas pelo TCE para o concurso para servidores e servidoras. A iniciativa do conselheiro Licurgo Mourão, que também prestigiou a discussão sobre o livro, já foi implementada e esteve presente no último concurso da Corte de Contas Mineira.

Projeto “Sempre um Papo”

Criado em 1986, o “Sempre um Papo” é parte de uma série de iniciativas que visa ao incentivo à leitura e possibilita, conjuntamente, a associação entre cultura, educação e responsabilidade social. Resultado de uma parceria entre a Associação Cultural Sempre um Papo e a Copasa, sua missão é contribuir para o desenvolvimento de políticas de incentivo ao hábito da leitura, a fim de formar cidadãos mais críticos.

Veja, abaixo, fotos do evento.

 

Sempre um Papo - Paulo Scott