Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Professor Eric Balm fala sobre sua paixão pelo berimbau e pelo congado mineiro

18/11/2025

O professor Eric Balm e João Miguel ao centro.

Palestra

Com a presença de inúmeros mestres capoeiristas, o professor assistente de música e etnomusicologia do Trinity College (Irlanda), Eric A. Galm, apresentou, nesta segunda-feira (17/11), na Sala Ágora, um pouco de sua trajetória como percussionista e seus estudos sobre o a música, a cultura brasileira, especialmente o berimbau e sua simbologia. Seguindo os Ritmos do Congado Mineiro e os Toques do Berimbau, Alma da Música Brasileira foi o tema de sua palestra em formato de roda de conversa.

João Miguel, gestor do Núcleo TCEMG Cultural, explicou na abertura do evento, que, conforme entendimento do conselheiro-presidente, Durval Ângelo, no ano em que o TCEMG comemora 90 anos, o Tribunal deve ser uma instituição que esteja a serviço da comunidade, junto à comunidade. E, para isso, tem realizado eventos, debates com o objetivo de sensibilizar as instituições para que se atentem à questão da reparação histórica com o povo preto. E completou: “as instituições precisam discutir isso de forma responsável para celebrar essa cultura plural.”

João Miguel destacou ainda a alegria de poder receber o professor Eric, estudioso de um tema tão importante de nossa cultura, proporcionando a troca de saberes e de olhares aos convidados, que de alguma forma são ponte entre pessoas e histórias, fortalecendo os laços de cultura, de amizade, da convivência e da fraternidade.

O professor confessou ser um apaixonado pelos instrumentos de percussão brasileiros, que foram referência em sua trajetória acadêmica, mais precisamente do berimbau. Falou também de seus projetos como o Trinity Samba Fast, um festival musical comunitário que apresenta a cultura brasileira aos alunos norte-americanos; sobre sua participação na festa da Associação das Guardas do Congado de Itabira/MG; sobre a missa conga nos EUA e também de seus projetos futuros, que inclui uma missa conga em Roma.

O professor Eric falou que o berimbau se tornou um símbolo da identidade nacional brasileira e que trouxe influências em diferentes estilos musicais como a bossa nova, a música popular, eletrônica, erudita, na capoeira, na poesia, em histórias para crianças, ou seja, na alma da música e da cultura popular brasileira.   

Segundo explicou o mestre Ray, Raimundo Ferreira de Sousa, o berimbau proporciona combinação de ritmos, toques e contra toques.  

Segundo o site Wikipedia, o instrumento berimbau representa a resistência cultural do povo africano e é muito importante para a capoeira  porque determina-lhe o ritmo e a maneira como o jogo/dança acontece. Ele era usado em rituais fúnebres na África para fazer conexão com o mundo dos mortos e foi trazido para o Brasil pelos escravos. Tem ainda um significado espiritual, pois está ligado à ancestralidade e ao sagrado. Hoje, está presente na música e na identidade do folclore brasileiro.

 

Roda de conversa

Após a palestra do Professor Galm, os participantes da roda de conversa compartilharam experiências e reflexões sobre a capoeira e seu papel social e cultural.

O roteirista e diretor de cinema Júlio de Souza destacou a importância da aproximação do TCEMG com a comunidade do seu entorno. Ele mencionou, como exemplo, a iniciativa do Núcleo Cultural que trouxe a exposição do artista plástico Agnaldo Canutto, morador do Morro das Pedras, que expôs suas esculturas em madeira no Tribunal. Júlio também ressaltou o papel da Casa na fiscalização dos recursos destinados à cultura, lembrando que esses investimentos impactam diretamente ações educativas e sociais voltadas às comunidades. 

O mestre Henrique abordou o preconceito ainda presente em alguns territórios em que  atividades ligadas à cultura africana — como religiões, danças e a própria capoeira — muitas vezes não são bem vistas, sobretudo pela predominância de fiéis de igrejas evangélicas em certas regiões. 

A mestranda Sinhá, Fernanda da Conceição Santos, explicou o significado do grito “Auê, auê, êêê”. Segundo ela, trata-se de um canto de chamada e resposta comum nas rodas, utilizado para anunciar um novo momento, expressar a força da cultura ou saudar os participantes. Dependendo do contexto, pode ser um grito de celebração, de incentivo à roda ou ainda uma forma de chamar a atenção do público.

A palavra foi franqueada a todos os convidados que puderam se manifestar.

O conselheiro-presidente, que também esteve presente à roda de conversa, falou da alegria em receber todos os mestres do batuque e lembrou que o som do berimbau é poderoso e que representa a ancestralidade.

Durval Ângelo falou ainda da iniciativa importante do TCEMG que, pela primeira vez em sua história, reservou 30% das vagas para pessoas pretas, pardas, indígenas, quilombolas (PPIQ) e pessoas transgênero. E rogou que tudo isso sinalize uma abertura do Tribunal de Contas mineiro a todas essas questões sociais.

Estiveram presentes ainda o mestre primo, Alexandre Ferreira Nunes, que juntamente com a mestranda Sinhá e o mestre Ray fazem parte do Grupo Internacional Oficina de Capoeira; ainda o maestro e coordenador do Festival Internacional de Corais, Bandas e Congados (FIC), Lindoma Gomes; o mestre Shaolin, da Capoeira do Parque; o professor Zumbi do Grupo Vereda; o professor Dom Din, da Capoeira de Rua; o mestre Gercino Alves Batista, da Capoeira de Angola, de Lagoa Santa; o músico e produtor cultural, Adriano George; e os mestres Júlio de Souza, Daniel Tamietti e Rafael Regali, da Flor do Cascalhos, entre outros.

Durante o evento, o som do berimbau arrebatou os convidados por diversos momentos.

 

Regina Kelles | Coordenadoria de Imprensa TCEMG 

Palestra Internacional "O Berimbau e a Música Brasileira"