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Segurança pública e mulheres no controle norteiam debates em segundo dia de congresso internacional

20/05/2026

Participantes do congresso acompanham, atentamente, painel no segundo dia do evento - foto: Thiago Guarah
O segundo dia do X Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas, realizado no The One Eventos, em Belo Horizonte, foi marcado, na manhã desta quarta-feira (20/05), por debates sobre o papel dos tribunais de contas no acompanhamento das políticas públicas, na promoção da cidadania e na defesa dos direitos das mulheres, crianças e adolescentes. O evento é promovido em parceria entre o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e o Instituto Rui Barbosa e segue até sexta-feira (22/05).
 
O painel “Mulheres do Controle: o controle interno e externo em diálogo institucional a favor da cidadania”, reuniu representantes de tribunais de contas, universidades e organismos internacionais para discutir a participação feminina nos espaços de decisão e o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.
 
A presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Cristiana de Castro, destacou o papel dos controles interno e externo no acompanhamento das políticas públicas durante a execução. Ela explicou a atuação das auditorias de resultados e afirmou que “os tribunais de contas podem contribuir efetivamente para a boa governança pública e, assim, melhorar a vida dos cidadãos”. A conselheira também ressaltou instrumentos utilizados pelas cortes, como comunicados, articulações institucionais, auditorias e capacitações, além do Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM), utilizado como parâmetro para orientar administrações públicas.
 
A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre, Naluh Gouveia, apresentou experiências da corte acreana na análise do orçamento estadual destinado às políticas para mulheres. Ela mostrou iniciativas do TCE-AC, como a criação de coordenadoria especializada, fiscalização sobre gravidez na adolescência, ações de letramento racial com enfoque em gênero, mesa técnica sobre órfãos do feminicídio e um comitê permanente sobre equidade racial. “Precisamos ir aonde for preciso. Os tribunais de contas não devem ser locais de esperança, mas sim de direitos”, afirmou.
 
Presidente do Bloco Argentino da ASUR-MERCOSUR, Myriam Radrizani abordou os desafios da presença feminina nos espaços de poder. Ela falou sobre o conceito de “cidadania restritiva”, quando há participação sem poder efetivo de decisão, e relatou sua trajetória como primeira mulher a presidir a corte de contas de sua região (Formosa/ARG). Segundo ela, mudanças estruturais ocorreram em Formosa a partir de investimentos em educação, democracia e políticas de gênero.
 
Já a professora da Universidade Federal de Minas Gerais e diretora do Centro de Excelência Jean Monnet, Carla Volpini, apresentou reflexões sobre a inserção das mulheres no controle e na formulação de políticas públicas sob a perspectiva interseccional. Ela destacou a atuação da Corte Interamericana de Direitos Humanos e explicou o conceito de controle de convencionalidade, ressaltando o papel das decisões judiciais e institucionais na transformação social, citando casos concretos e as políticas resultadas a partir deles. O painel foi mediado pela presidente da Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas - Audicon, conselheira Milene Cunha.
 
Segurança pública e direitos fundamentais
 
Já o outro painel da manhã discutiu violência contra mulheres, crianças e adolescentes, além da importância de políticas públicas baseadas em evidências e do papel do controle externo na fiscalização dessas ações. Ele foi mediado pelo conselheiro Renato Rainha, do TC do Distrito Federal.
 
A auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, Rayane Marques Silva Macau, apresentou auditoria sobre políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. Ela explicou as etapas do trabalho, mostrou dados nacionais e internacionais e destacou dificuldades encontradas no atendimento às vítimas, como deficiência na integração de registros, baixa qualidade do primeiro atendimento, dificuldade de acesso aos serviços especializados e fragilidade da governança em rede.
 
O analista de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Ceará, Ricardo Pessoa de Carvalho, detalhou o levantamento nacional realizado em 2024 sobre o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente vítima ou testemunha de violência. Ele apresentou dados sobre o aumento da violência contra crianças e jovens, explicou os eixos da auditoria — como governança, prevenção, acolhimento e produção de dados estatísticos — e destacou boas práticas implementadas em estados brasileiros. Segundo ele, o trabalho contribuiu para a criação do Comitê de Segurança Pública no IRB e para a realização de auditorias e inspeções especiais em tribunais pelo país.
 
Diretor do Instituto Cidade Segura, Alberto Kopittke defendeu a utilização de políticas públicas na área da segurança pública baseadas em evidências concretas. Durante a apresentação, ele mostrou exemplos de programas que apresentam resultados efetivos na redução da violência e destacou a importância do uso de dados para orientar medidas preventivas e protetivas voltadas às mulheres, crianças e adolescentes.
 
Palestras
 
A professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Sónia Martins Reis, abordou a relação entre direito fiscal, desenvolvimento e cidadania no contexto orçamentário e do controle exercido pelos tribunais de contas. Ela afirmou que o orçamento público representa uma decisão política e que seu cumprimento é uma obrigação constitucional, destacando que a efetividade das políticas públicas e do controle externo é fundamental para a promoção da justiça social e da democracia. O conselheiro Reginaldo Ennes, do TCE-AP, presidiu a mesa
 
Já o jurista e professor Jorge Ulysses Jacoby Fernandes falou sobre as competências dos tribunais de contas na organização do Estado. Ele ressaltou a essencialidade das cortes de contas, reconhecida legalmente pelo Congresso Nacional neste ano, e defendeu que esses órgãos exercem papel fundamental na garantia da legalidade, legitimidade e eficiência da aplicação dos recursos públicos. O conselheiro Ivan Bonilha, do TCE-PR, presidiu a mesa.