Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Seminário aborda impactos da Reforma Tributária em licitações e contratos

23/10/2026

Da esq. para dir.: o presidente do IMDA, Geraldo Spagno; o advogado Murilo Vale; o procurador-geral de Uberaba, Marcelo Venturoso; e a advogada Maria Fernanda Pires - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

O diretor-geral Gustavo Vidigal representou o Tribunal na abertura - Foto: Veronica Manevy/TCEMGO Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) sediou, nesta sexta-feira (23/10), o seminário "Impactos da Reforma Tributária nas Licitações e Contratos Administrativos". O encontro reuniu gestores/as, servidores/as e especialistas para discutir os reflexos das novas regras no planejamento das contratações públicas e na execução dos contratos. A iniciativa foi promovida pelo Instituto Mineiro de Direito Administrativo (IMDA), em parceria com a Escola de Contas Professor Pedro Aleixo.

Na abertura, o diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal, ressaltou a relação entre as contratações públicas e as políticas públicas. "O papel do Estado é extremamente importante na indução de políticas públicas", afirmou. Ele ainda destacou os desafios enfrentados pelos municípios e defendeu o planejamento e o debate técnico para compreender os efeitos da reforma. 

Em seu pronunciamento, o presidente do IMDA, Geraldo Luís Spagno, destacou a importância de um direito administrativo atento às necessidades da sociedade. O Instituto, afirmou ele, está aberto a novos associados interessados em contribuir para "um direito administrativo útil, atualizado, sempre debatido democraticamente e em prol da sociedade".

Discussões

O painel "Impactos da Reforma Tributária na Administração Pública" teve participação do procurador-geral de Uberaba, Marcelo Venturoso, e do advogado Murilo Vale. A advogada Maria Fernanda Pires e Geraldo Spagno conduziram a mediação e as perguntas aos convidados. 

Vale enfatizou que a mudança no sistema tributário exige atenção desde o planejamento das licitações, inclusive na estimativa de custos e na elaboração do orçamento de referência. Para ele, os critérios e créditos considerados precisam ser apresentados com clareza. "É recomendável, sim, que o orçamento seja feito líquido de crédito", afirmou, defendendo que o cálculo e as premissas sejam transparentes no edital.

Venturoso, por sua vez, alertou que a recomposição econômico-financeira não pode se basear apenas na mudança nominal das alíquotas: é necessário demonstrar o impacto efetivo sobre os custos do contrato. Também chamou atenção para a dificuldade de se distinguir os efeitos da reforma dos riscos ordinários de mercado ou de eventuais erros na proposta. "Os municípios ainda não estão preparados, ou pelo menos a maioria dos municípios não está preparada para fazer essa diferenciação", disse.

Durante o debate, Maria Fernanda questionou se a prorrogação de um contrato sem ressalva poderia levar à perda do direito ao reequilíbrio por impactos tributários que se concretizem posteriormente. Partindo da ausência de manifestação, "como um direito constitucional de manutenção das condições efetivas da proposta pode ser presumido?", indagou. A discussão evidenciou a dificuldade de compatibilizar a preclusão [perda de direito] com uma transição gradual, considerando-se que os efeitos ainda são incertos.

A subprocuradora-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPC-MG), Maria Cecília Borges, também acompanhou as discussões.

Perguntas e respostas: temas em debate

A mediação também trouxe outras questões técnicas sobre os impactos da reforma nos contratos. Em síntese, os temas abordados foram:

Reequilíbrio econômico-financeiro: a análise deve considerar os efeitos concretos da reforma no contrato, e não apenas a variação nominal de tributos. A comprovação do impacto e a separação entre mudança tributária, risco de mercado e falha na proposta foram apontadas como desafios;

Concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs): as revisões ordinárias devem considerar os custos tributários. Durante a transição, mudanças progressivas podem motivar pedidos extraordinários, conforme seus efeitos. O tema demanda critérios claros para a análise das tarifas e dos fluxos de caixa;

Orçamento e créditos tributários: foi defendida a explicitação, nos editais, das estimativas de créditos consideradas na composição dos preços, com cálculo relacionado à obra ou contratação específica;

Luciano Ferraz assume a gestão do IMDA no período 2026-2029 - Foto: Veronica Manevy/TCEMGOutras questões: o painel debateu propostas de empresas do Simples Nacional, prorrogações e preclusão de pedidos, créditos não aproveitados na cadeia, tratamento de obras de infraestrutura, PPPs e empresas estatais.

Ao encerrar a discussão, os participantes reforçaram a importância de se documentar as premissas adotadas e fundamentar as decisões. Conforme enfatizado por Venturoso, a transparência é essencial "para evitar problemas adiante", tanto para o poder público quanto para as empresas contratadas.

Posse da nova diretoria do IMDA

A programação foi encerrada com a cerimônia de posse da diretoria do IMDA para a gestão 2026–2029. O termo foi assinado pelo presidente empossado, Luciano Ferraz, marcando o fim da gestão de Geraldo Luís Spagno à frente da instituição.

Clique na imagem abaixo para acessar a galeria de fotos:

Seminário Impactos da Reforma Tributária nas Licitações e Contratos Administrativos