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Solução para dívida de MG é compromisso com o futuro, reforça presidente

17/11/2025

Conselheiro-presidente afirma que conhecimento profundo das origens da dívida permite construir uma saída sustentável - Foto: Vinícius Dias/TCEMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) participou, nesta segunda-feira (17/11), no Minascentro, das discussões do seminário Minas em Conta. O evento teve como proposta a abordagem de diversos tópicos relacionados à dívida de Minas Gerais, além das perspectivas sobre a adesão e implementação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Na oportunidade, a Corte de Contas mineira foi representada pelo conselheiro-presidente Durval Ângelo.

“Ela [a dívida] expressa a interseção entre decisões políticas, contratações financeiras, regimes federativos e escolhas de Estado. Desde a origem, com o saneamento dos bancos estaduais, os empréstimos e refinanciamentos com a União, passando pelos contratos e renegociações até o momento em que o passivo alcança valores que impõem dilemas estruturais”, contextualizou. “A dívida de Minas não é apenas uma herança do passado. É um desafio para o presente e uma responsabilidade para o futuro”, reforçou Durval.

Em linhas gerais, conforme explicação da própria União, o Propag prevê uma revisão aprimorada dos termos das dívidas contraídas por estados e o Distrito Federal, com possibilidade de estabelecer novas condições de refinanciamento. Isso com algumas contrapartidas, como compromisso de realização de investimentos em áreas prioritárias e aplicação em um fundo focado em melhorias estruturais para as unidades federativas.

Segundo o conselheiro-presidente, a trajetória do endividamento de Minas Gerais exige que se olhe para trás para entender como se chegou até aqui, e também para que se possa planejar adiante, sem repetição de erros do passado.

“Apenas o conhecimento profundo das origens, dos contratos, das condições nos permite construir um caminho de saída sustentável. E a experiência de Minas poderá servir como alerta e lição também para outros entes federados", completou o presidente do TCEMG.

Durval Ângelo levantou essas considerações durante o “Painel 2 - A dívida de Minas: origens, contratos e desafios atuais". Estiveram com ele a procuradora-geral de Justiça Adjunta Jurídica do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Reyvani Jabour Ribeiro; o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), Matias Bakir; e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Minas Gerais (OAB-MG), Gustavo Chalfun. A mediadora foi a jornalista Helenice Laguardia.

"Nós temos que debater e a sociedade mineira não pode ficar com essa discussão nem parada e nem com o verbo no passado. Nós precisamos trabalhar o futuro", enfatizou o presidente do Sindifisco-MG, Matias Bakir. "Vamos continuar trabalhando na perspectiva da auditoria da dívida. Nós também já requisitamos alguns contratos, alguns aditivos à Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG), ao Parlamento e ao Tribunal de Contas. Diga-se de passagem: a única [instituição] que nos atendeu, até agora, foi o TCEMG", sinalizou.

A procuradora-geral de Justiça Adjunta Jurídica, Reyvani Ribeiro, ressaltou o papel do MPMG e sua capacidade e expertise na proteção de direitos coletivos. "Precisamos, sim, buscar uma nova forma de negociação, encontrar uma solução com serenidade, com firmeza e com espírito público", disse.

Por sua vez, o presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun, reiterou a importância de se analisar, no primeiro momento, "o necessário diálogo entre o Governo Federal e o Governo do Estado". É fundamental, segundo ele, que os representantes dessas esferas "tenham a consciência de que estamos tratando de algo literalmente muito caro e importante para todos nós mineiros".

As considerações do Painel 2 vieram logo após a rodada sobre "Gestão, autonomia e desenvolvimento: os próximos passos para Minas Gerais", com participação do vice-governador Mateus Simões e moderação da editora de Política do veículo, Cynthia Castro.

"É importante que tenhamos em mente não apenas os números, mas os impactos reais para que o Estado tenha a margem para cumprir suas obrigações com a sociedade, para investir e garantir a prestação de serviços públicos de qualidade, para honrar compromissos intergeracionais", finalizou Durval Ângelo.

Minas em Conta

Ao longo da manhã, outros três temas entraram em pauta:

- "Propag pela visão do presidente da ALMG e as opções de renegociação: avaliação dos acertos e projeções para o futuro de Minas" (Painel 3) - com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite, e moderação da jornalista Cynthia Castro;

- "O Propag e as opções de renegociação - Análise técnica do estoque atual, impactos fiscais e projeções do programa" (Painel 4) - com a presidente da Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (Affemg), Sara Costa Felix; o economista Francisco Diniz; e o ex-advogado-geral do Estado, Onofre Alves Batista Junior. A mediadora foi a editora-adjunta de Política do jornal, Letícia Fontes;

- "O Propag pela visão dos deputados mineiros:Avaliação dos benefícios e riscos em relação à adesão ao projeto e perspectivas futuras para o Estado" (Painel 5) - com os deputados estaduais Gustavo Valadares, Professor Cleiton e Cassio Soares. A moderação foi feita pelo editor-adjunto de Audiovisual, Léo Mendes.

Promovido pelo jornal O Tempo, o seminário Minas em Conta reuniu gestoras e gestores públicos, economistas, juristas, agentes políticos, entidades representativas, entre outros convidados.

Saiba mais sobre o Propag neste link.

Confira, a seguir, galeria de fotos (Crédito: Vinícius Dias/TCEMG):

O Tempo - Seminário Minas em conta