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TCEMG e MPC junto ao Tribunal participam da etapa final da Conferência Estadual de Educação; presenças selam compromisso com o direito à educação pública e relevante

04/09/2026

A agenda - de 3 a 7/9 - da Conferência Estadual da Educação conta com representantes de diversos segmentos e entidades e de todas as regiões de Minas Gerais - Foto: Marcílio Lana/TCEMG

Delegados e delegadas eleitos, representantes de diversos setores da sociedade civil e da comunidade escolar de Minas Gerais, além de integrantes de instituições e órgãos públicos do estado participaram, na manhã desta sexta-feira (3/9), da abertura do evento que marca o encerramento da Conferência Estadual de Educação de Minas Gerais. A programação, que se estende até a próxima segunda-feira (7/9), ocorre no centro de convenções de um hotel na área central da capital mineira.

A descrição do evento — “abertura do encerramento” — é curiosa, mas faz sentido. A agenda de 3 a 7 de setembro é, de fato, o ato final de um movimento anterior, amplo e democrático, que encerra um ciclo de trabalho que passou por etapas municipais e territoriais nos meses anteriores. O evento final é o momento em que são apresentadas as bases do novo Plano Estadual de Educação, documento que define as diretrizes e metas para a educação para o próximo decênio (2028 a 2038).

A Conferência não apresenta o texto final da lei, mas indica marcos históricos, institucionais e políticos, além das diretrizes que o governo estadual e os parlamentares estaduais ficam obrigados a seguir ao redigir o plano final.

"Gostaria de destacar que a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai receber o resultado do trabalho que a gente está concluindo nesta Conferência. Assim que terminarmos, nós entregaremos o documento oficialmente para o Executivo e para os demais órgãos do poder público na esfera administrativa", afirmou a coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais (Fepemg), a professora Analise de Jesus da Silva. Entidade central na condução e organização da Conferência, o Fórum atua no monitoramento das metas do Plano Estadual de Educação.

Capacidade de transformação

O conselheiro Telmo Passareli, responsável no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais pela coordenação do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação em Minas Gerais — fórum de cooperação interinstitucional voltado para aperfeiçoar processos de gestão e de mobilização para a educação pública —, participou da abertura da Conferência representando a Presidência do TCEMG.

O conselheiro revelou estar contente por fazer parte do dispositivo de abertura: “Estou feliz de ver como o evento está cheio e aqui, nesta mesa, encontramos uma representação importante". Telmo Passareli valorizou a Conferência como espaço para “escutar e ouvir vozes da diversidade, com todos os segmentos participando da construção da educação representados e com espaço de fala”.

Passareli sinalizou que os desafios do setor exigem atuação coordenada. “Os desafios são complexos, exigindo cada vez mais a capacidade de diálogo, revelada na organização desta Conferência. A coordenação e a cooperação entre as instituições perpassam questões como a inclusão de estudantes com deficiência, a garantia de acessibilidade e de atendimento educacional especializado, a proteção da identidade para as comunidades tradicionais, a valorização dos profissionais da educação, o financiamento adequado das políticas educacionais e o fortalecimento dos mecanismos de governança. Tudo isso exige uma atuação articulada e permanente entre os diversos atores envolvidos. Somente com essa participação democrática garantiremos a efetivação dos direitos previstos na Constituição", determinou.

O conselheiro lembrou, ainda, que a efetividade das ações depende da capacidade de transformação e da colaboração dos órgãos de controle externo: “É desse tripé — planejamento, governança e cooperação entre as instituições — que brotará a reflexão para a construção do próximo Plano Estadual de Educação. Ele interferirá não apenas na qualidade das metas, mas também na existência de mecanismos de articulação, acompanhamento e colaboração capazes de assegurar a implementação ao longo da próxima década”.

Ao lado do conselheiro, também esteve presente, Naila Mouthé, do TCEMG, que responde pela secretaria executiva do Gaepe em Minas Gerais.

Presença do Ministério Público de Contas

Pelo Ministério Público de Contas junto ao TCEMG, esteve presente a procuradora Cristina Andrade Melo, integrante do Gaepe em Minas Gerais. A procuradora manifestou a satisfação por participar da abertura e destacou que o MPC junto ao Tribunal tem sido presente nas audiências públicas realizadas pela ALMG sobre o monitoramento do Plano Estadual de Educação (acesse a Lei 23197, de 26/12/2018, que instituiu o atual plano para a educação em Minas Gerais).

A atuação do MPC, tanto na Conferência quanto no Grupo de Articulação, funciona como o elo que une a fiscalização financeira, a indução de políticas públicas e a garantia jurídica de que os recursos da educação serão bem aplicados. “O MPC e o TCE têm dedicado especial atenção ao controle das políticas públicas de educação, especialmente por meio das funções contemporâneas do controle externo, hoje funções orientativas, indutivas e avaliativas", ressaltou a procuradora.

Cristina Andrade Melo indicou, ainda, que o Ministério Público de Contas e o Tribunal têm atuado “para garantir que os entes recebam as verbas complementares da União ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), como o VAAT e VAAR”.

O VAAT (Valor Aluno Ano Total) analisa a capacidade financeira real de cada município ou estado, somando todas as receitas disponíveis para a educação e dividindo pelo número de estudantes. Se o valor total por estudante ficar abaixo do mínimo nacional, a União envia uma complementação financeira para igualar o patamar, beneficiando municípios vulneráveis (como no Norte de Minas ou Vale do Jequitinhonha).

Já o VAAR (Valor Aluno Ano Resultado) representa a inovação do novo Fundeb. É uma complementação financeira paga pela União apenas às redes de ensino que alcançarem resultados de melhoria na aprendizagem e cumprirem regras de governança e condicionalidades de gestão e desempenho.

Metas em debate

As discussões em torno das metas do Plano Estadual de Educação em Minas Gerais ganharam forte tração por meio de ciclos de audiências públicas conduzidos pela Comissão de Educação da ALMG. Esses debates visam avaliar o cumprimento da legislação vigente e fornecer subsídios para as diretrizes educacionais do estado. Os principais debates envolvem:

  1. Inclusão e Atendimento Especializado (Meta 4): Universalizar o acesso à educação básica e ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) para estudantes de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. Sindicatos e entidades cobram a expansão real do atendimento inclusivo na rede regular e a contratação de profissionais capacitados.
  2. Educação em Tempo Integral e Qualidade (Meta 6 e Meta 7): Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, abrangendo pelo menos 25% dos alunos da Educação Básica. As discussões giram em torno de expandir as matrículas sem perder a qualidade e garantir a infraestrutura física e alimentar adequada.
  3. Gestão Democrática nas Escolas (Meta 17): Garantir a participação ativa da comunidade escolar nas decisões, fortalecendo a autonomia pedagógica, administrativa e financeira das instituições de ensino, além de assegurar a transparência na escolha de diretores e conselhos escolares.

 

Quem participa da etapa final da Conferência

  • Comunidade Escolar: Estudantes, pais e familiares de alunos, além de gestores escolares (diretores e coordenadores).
  • Profissionais da Educação: Professores, especialistas, auxiliares administrativos e demais técnicos das redes municipal, estadual e federal de ensino.
  • Entidades Sindicais e de Classe: Representantes de trabalhadores da educação.
  • Poder Público: Representantes de secretarias municipais de educação e órgãos de fiscalização.
  • Sociedade Civil: Integrantes de movimentos sociais, conselhos de educação e entidades que atuam diretamente na área educacional do estado.

Esses participantes foram referendados pelas doze comissões territoriais do estado e atuam com direito a voto nas plenárias para consolidar as propostas do novo Plano Estadual de Educação (2028-2038). 

O MPC de Contas é o elo entre a fiscalização financeira, a indução de políticas públicas e a garantia jurídica. Na foto, a procuradora Cristina Andrade Melo - Foto: Sandra Bonfim/TCEMG 

 

Telmo Passareli destacou a relevância da diversidade e da atuação de todos os atores envolvidos para garantir os direitos à educação assegurados pela Constituição - Foto: Marcílio Lana/TCEMG

 

Marcílio Lana - Coordenadoria de Imprensa