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Tragédia de Brumadinho é tema de debate em congresso de comunicação

04/08/2026

Com a mediação da procuradora-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Sara Meinberg, o painel "Jornalismo Investigativo e Responsabilidade Socioambiental diante da Urgência Climática", no IV Congresso Nacional de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC), que se encerra nesta terça-feira (4/8) em Ouro Preto (MG), reuniu os jornalistas Lucas Ragazzi, do Portal O Fator, e Murilo Rocha, da Band Minas, para falar do livro “Brumadinho: a engenharia de um crime”, de autoria dos repórtere e que trata do rompimento da barragem da Mina Córrego Feijão, em Brumadinho (MG), um dos maiores desastres socioambientais e trabalhistas da história do Brasil.
 
“O livro nasceu da necessidade de um trabalho de maior fôlego sobre uma grande tragédia humanitária”, afirmou Rocha. Ele disse que se sentia incomodado com o fato de nenhum jornalista ter se ocupado de narrar com maior propriedade e consistência a tragédia em Mariana (MG), ocorrida em novembro de 2015, quatro anos antes de Brumadinho (MG), que ocorreu em janeiro de 2019.
 
Durante o debate, Ragazzi e Rocha destacaram a atuação da empresa Vale, responsável pela barragem que rompeu, matou 272 pessoas e despejou ao menos 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na bacia do rio Paraopeba. Segundo os autores, estudos geotécnicos apontavam que o Fator de Segurança (FS) da barragem, indicador que mede a estabilidade da estrutura, estava abaixo do mínimo exigido pela legislação.
 
Os jornalistas revelaram ainda ter tido acesso a e-mails de profissionais terceirizados que admitiam não conseguir atingir o índice exigido. Por pressão, segundo os autores, adotou-se um “malabarismo matemático” e convencionou que o Fator de Segurança apresentado seria suficiente para que a empresa não interrompesse os trabalhos. “O livro teve a importância de contar essa história e tem sido usado até por advogados em ações de indenização às famílias das vítimas”, esclareceu Ragazzi. Ele lamentou, porém, que a cobertura jornalística do problema só tenha se aprofundado após a tragédia. 
 
“Até Brumadinho, o jornalismo se limitava a pequenas notas”, criticou. Para ele, isso se deve à influência de interesses econômicos e financeiros em todos os setores, inclusive na comunicação, que muitas vezes se coloca a serviço dos grandes anunciantes, abrindo mão da ética e da transparência. Ragazzi e Rocha também defenderam o trabalho conjunto entre imprensa e poder público para evitar novos desastres. Citaram, como exemplo, a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE/MG) em 2025 para investigar a atuação das empresas mineradoras no Estado.
 
Ao apresentar outros dados da atuação do TCE/MG, os palestrantes reforçaram que o Tribunal dispõe de ferramentas que o jornalismo não tem. "É importante essa aproximação para transformar o conteúdo técnico (dados oficiais) em informação pública. A imprensa precisa buscar esses dados, apropriar-se desse conteúdo e reverberá-los em prol da sociedade”, afirmou Rocha.
 
Para os palestrantes, ainda é um desafio fazer jornalismo crítico e independente, desvinculado de grandes anunciantes, que aprofunde as investigações e que vá além do factual. 
 
IV CNCTC
 
O IV Congresso de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC) ocorre na histórica cidade de Ouro Preto (MG) nos dias 3 e 4 de agosto. O evento é realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE/MG) em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB). O IV CNCTC tem patrocínio da Prefeitura Municipal de Nova Lima (MG) e apoio da Abracom, Audicon, Conselho Nacional de Presidentes dos TCs, Asur e Prefeitura de Ouro Preto.
 

Texto: Denise de Paula

Edição: Jeferson Cioatto/Atricon