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Tribunal recebe encontro da AMM com foco na representatividade feminina

09/03/2026

Rachel Carvalho reforçou os papéis do Tribunal na indução do diálogo interinstitucional e da avaliação de políticas públicas - Foto: Vinícius Dias/TCEMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) sediou, nesta segunda-feira (9/3), o evento "Mulheres que Governam: capítulos de coragem, voz e transformação", promovido pela Associação Mineira dos Municípios (AMM).

A iniciativa reuniu prefeitas e prefeitos, gestoras e gestores públicos, servidoras e servidores públicos, outras autoridades e especialistas para discutir os desafios enfrentados pelas 68 mulheres eleitas para comandar prefeituras mineiras em 2024 e para fortalecer a participação feminina na política municipal.

"Não há um modo leve de falar sobre equidade de gênero, feminismo e combate à violência contra as mulheres. Os tempos não têm sido fáceis para nós", pontuou a assessora da Diretoria-Geral do TCEMG, Rachel Carvalho, que representou o conselheiro-presidente Durval Ângelo na abertura do evento. 

Em sua mensagem, ela ressaltou que, no contexto do Controle Externo, cabe ao Tribunal de Contas fiscalizar políticas públicas voltadas à equidade de gênero e à proteção das mulheres, garantindo que recursos e ações sejam efetivo. Além disso, outros papéis do TCEMG são o de induzir a melhoria do diálogo entre os representantes dos poderes constituídos e a sociedade civil, e o de avaliar/incentivar a implementação de políticas públicas assertivas.

"Não há projeto de nação que não passe pela equidade entre homens e mulheres. Eu acredito nisso — e é por isso que seguimos lutando", enfatizou.

O dispositivo de honra também foi composto pela líder do Movimento Mulheres Municipalistas, Alexandra Maria Bueno (Prefeita Xanda); pela deputada estadual Lud Falcão; pela tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), Ellen Campos Pereira, representando a comandante-geral; e pelo presidente da AMM, Luís Eduardo Falcão.

Capítulos

Durante todo o dia, o evento foi organizado em formato de capítulos, com destaque para painéis de apresentação de números e cenários; propostas de escuta e identificação; além de ações motivacionais e de reflexão.

O roteiro foi montado com a seguinte jornada para experiência das participantes: "Quando as portas se abrem" (credenciamento e recepção); "O chamado" (abertura oficial); "Os números que gritam" (painel com dados e experiências); "O peso de existir sendo mulher" (vivências e sentimentos); "Pausa para respirar" (intervalo); "A virada de chave" (palestra reflexiva sobre liderança, propósito e potência das mulheres); "Quando uma mulher avança" (compartilhamento de trajetórias, desafios e conquistas); "A coragem de permanecer" (resistência, permanência e superação); "Seguimos escrevendo" (reflexão final); e "Final Feliz" (palestra de encerramento).

Participaram da programação representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Associação dos Municípios da Microrregião do Leste de Minas (Assoleste), Corpo de Bombeiros, secretarias municipais, Instituto por Elas, Instituto da Rede de Mulher Empreendedora, Federaminas Mulher, Instituto Elas, a escritora e especialista em comportamento humano e liderança, Leila Navarro, além de outros integrantes da AMM.

Cenário

A assessora da Diretoria-Geral citou, na mensagem institucional do TCEMG, alguns números que mostram o cenário de desigualdade, que evidencia a urgência de ações coordenadas entre instituições públicas, sociedade civil e gestores municipais. 

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou, por exemplo, que mais de 21 milhões de mulheres com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses, representando 37,5% do total de mulheres no Brasil. Este é o maior índice registrado desde o início das pesquisas em 2017. Além disso, 10,7% das mulheres relataram ter sofrido abuso sexual ou ter sido forçadas a manter relações sexuais contra a própria vontade.

Outro ponto: o Brasil registrou, no ano passado, o maior número de feminicídios dos últimos dez anos. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos.

Já o Relatório da Rede de Observatórios revela que 56,5% dos casos de violência sexual atingiram crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos, indicando que meninas estão entre os principais alvos da violência de gênero.

Dados recentes apontam, ainda, que o estado ocupa posição preocupante no ranking nacional de feminicídios, evidenciando a urgência de ações coordenadas entre instituições públicas, sociedade civil e gestores municipais. 

Com relação à representatividade à frente das administrações das cidades mineiras, o painel de Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (Eleições 2024, cargo Prefeito, UF=MG, filtro “sexo: feminino”), indica que são 68 prefeitas (7,9%) entre os 853 municípios de Minas Gerais que tomaram posse em 1º de janeiro de 2025.

 Veja galeria de fotos:

Encontro de Mulheres Municipalistas - AMM