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Valorização dos profissionais da educação entra na agenda das primeiras ações do Gaepe-Minas

06/08/2026

Primeira agenda de trabalho do Gaepe-Minas reuniu mais de 60 pessoas, representando 18 instituições - foto: Vinícius Dias/TCEMG

Cumprimento do piso nacional, implementação de planos de carreira, valorização e atenção à saúde mental dos profissionais e realização de concursos. Esses e outros três temas, associados ao eixo denominado “Formação, valorização e condições de trabalho dos profissionais da educação”, estão entre as prioridades da primeira agenda de trabalho do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação (Gaepe) em Minas Gerais.

A decisão foi tomada, a partir de decisão coletiva, durante a primeira reunião técnica do Gabinete de Articulação, realizada nesta quinta-feira, 6/8, data oficial de homenagem e valorização dos trabalhadores que atuam no ambiente escolar e universitário, instituída pela Lei nº 13.054/2014. O encontro, realizado por videochamada, reuniu mais de 60 pessoas, representando 18 das instituições que assinaram o pacto interinstitucional que marca o lançamento do Gaepe-Minas, o primeiro do gênero instituído no Sudeste do país.

Presente à agenda, o presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo, afirmou que “a causa da educação precisa nos inspirar, nos mobilizar, pois é na manutenção da esperança de transformar este país que devemos concentrar nossos esforços. E o caminho passa pela Educação”. O presidente do TCEMG reafirmou a necessidade de cumprimento do piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da educação básica e da inclusão dos professores da educação infantil no conceito de profissionais do magistério público da educação básica.

O TCEMG publicou comunicado orientando o governo do estado e os municípios sobre a aplicação da legislação federal que inclui os professores da educação infantil, a Lei Federal nº. 15.326/2026.

Presente à reunião de trabalho do Gaepe-Minas, o presidente do TCEMG Durval Ângelo reafirmou o compromisso do Tribunal com as pautas da educação - foto: Vinícius Dias/TCEMG

Durval Ângelo destacou que Tribunal vai intensificar a fiscalização para assegurar a construção de creches. Em panorama educacional do estado, elaborado pela assessoria técnica do Instituto Articule, que faz parte do Gaepe-Minas, “as maiores limitações de acesso permanecem concentradas na creche. O estado reunia, em 2025, de acordo com a Pnad Contínua, aproximadamente 247 mil crianças de 0 a três anos que não frequentavam a educação infantil por dificuldade de acesso, o maior contingente absoluto entre as unidades federativas brasileiras.

O presidente da Casa de Contas mineira ressaltou, ainda, que também estão na mira do Tribunal o aperfeiçoamento de políticas e programas educacionais para indígenas e quilombolas. “Somos o Tribunal da cidadania, dos direitos humanos, da educação”, enfatizou o presidente.

Agenda de trabalho

Ao lado da temática “Formação, valorização e condições de trabalho dos profissionais da educação”, também foram selecionadas outras três temáticas: “Gestão, planejamento e financiamento”, incluindo a gestão financeira e captação de recursos; execução de programas e prestação de contas; fiscalização e execução de contratos; integração dos sistemas de informações; gestão baseada em evidências; segurança jurídica; monitoramento do Plano Estadual de Educação; e a aplicação dos recursos vinculados ao Propag; “Educação infantil e primeira infância”, com foco na universalização do acesso à pré-escola e ampliação das vagas para crianças de zero a três anos; e “Educação especial e inclusiva”, com ações de capacitação de educadores, articulação com os serviços de saúde e assistência social, aprimoramento da política e qualificação do atendimento a estudantes com deficiência e neurodivergentes.

As quatro temáticas, que são o ponto de partida da ação pragmática do Gaepe-Minas, integram um documento que reúne 12 eixos. O documento foi construído a partir de sugestões dos representantes das instituições que fazem parte do Grupo de Articulação mineiro. Essa forma de atuar, que mobliza ao mesmo tempo que favorece e incentiva a participação interinstitucional, é uma metodologia de trabalho desenvolvida pelo Instituto Articule que é a marca constitutiva dos Gaepes (além do Grupo de Articulação mineiro, há o Gaepe-Brasil, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande do Norte e o Arquipélago do Marajó).

A metodologia dos Gaepes parte do reconhecimento de que os desafios educacionais complexos envolvem competências institucionais distintas e, por isso, exigem coordenação, compartilhamento de informações e construção conjunta de respostas. Cada instituição contribui de acordo com suas atribuições legais, seus conhecimentos, suas experiências e suas capacidades, mantendo sua autonomia decisória. Nesse contexto, a governança funciona como espaço de diálogo e articulação, no qual os participantes compartilham informações, alinham encaminhamentos e coordenam sua atuação, respeitadas as competências e responsabilidades de cada órgão. 

O método de trabalho parte como base na participação e articulação, de acordo com a presidente executiva do Instituto Articule, Alessandra Gotti, é uma marca do Grupo. “O Gaepe não é de uma instituição e precisa da participação e da presença das principais lideranças. Assim vamos conseguir fazer uma articulação interinstitucional e atingir resultados concretos”.

O secretário de Educação de Minas Gerais, Gustavo Braga, reafirmou o compromisso do Estado com o Gaepe-Minas. Ele destacou que a Secretaria estará presente nas agendas e nos grupos de trabalho, reafirmando a importância do diálogo institucional e a busca pela melhoria da educação pública.

O próximo encontro do Grupo de Articulação acontece no dia 10 de setembro. Acontecem ainda encontros em outubro, novembro e dezembro. 

Reunião contou com a presença de representantes de 14 secretarias de educação - foto: Vinícius Dias/TCEMGBalanço
 
"A reunião marcou o início efetivo dos trabalhos do Gaepe-Minas. Tivemos a participação de mais de 60 pessoas, representando instituições de diversos níveis e setores envolvidos com a educação. Isso demonstra que existe disposição para construir respostas conjuntas aos desafios da educação mineira, com diálogo, cooperação e foco em resultados”, destacou o conselheiro Telmo Passareli.

Passareli, que responde pela coordenação das ações do Gaepe-Minas junto à Corte de Contas mineira, ressaltou também que a reunião foi importante para nivelar o entendimento sobre esse espaço de colaboração interinstitucional e definir, de forma coletiva e baseada em evidências, os principais temas que orientarão nossa atuação nos próximos meses, na busca de soluções efetivas para a educação em Minas Gerais.

“Aproveito também para registrar e agradecer a presença do presidente do Tribunal de Contas na abertura dos trabalhos, bem como a confiança depositada nesta coordenação para conduzir uma iniciativa tão relevante para o fortalecimento da educação mineira", completou o conselheiro substituto.

O Gaepe é uma metodologia de articulação desenvolvida pelo Instituto Articule. O fórum funciona como um espaço permanente de governança colaborativa entre diferentes esferas do poder público e da sociedade civil. O objetivo é promover o diálogo, a cooperação e a construção de soluções conjuntas para apoiar os gestores públicos no enfrentamento dos desafios da educação mineira.

O modelo do Grupo de Articulação é, ainda, implantado em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB), alinhando-se à Agenda 2030 da ONU. Em Minas Gerais, a governança ficará a cargo do Tribunal de Contas do Estado (TCEMG), parceiro implementador do projeto.