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Música, literatura e artes plásticas marcam início das comemorações do Mês da Consciência Negra no TCE

05/11/2025

Luana Tolentino e Conceição Evaristo no palco - fotos: Daniele Fernandes
“A negritude e a África estão nos nossos corações e nas nossas almas. Essa é a primeira vez que celebramos essa data aqui, no TCE”. Com essa declaração, o presidente do Tribunal de Contas mineiro, conselheiro Durval Ângelo, abriu as comemorações do Mês da Consciência Negra no TCEMG, na noite desta terça-feira (04/11). A noite foi marcada pela terceira edição do “Sempre um Papo – TCE Cultural”, com a escritora Conceição Evaristo, pela abertura da Exposição Faces, do artista plástico Agnaldo Canuto, e pela apresentação do “Coral Afro Vozes de Caxambu”. 
 
O auditório Vivaldi Moreira recebeu a terceira edição do projeto “Sempre um Papo – TCE Cultural”, com a escritora, ensaísta e professora Conceição Evaristo. Ela participou de um diálogo sobre educação, afeto e escola com a escritora e professora Luana Tolentino. Evaristo contou sobre sua experiência com o ensino, desde o auxílio aos irmãos menores e vizinhos nos deveres de casa, quando ainda criança na Favela da Pendura Saia, na Zona Sul de Belo Horizonte, até como professora primária no Rio de Janeiro, na década de 1970. “O que eu mais gosto de fazer na vida é ensinar”, ponderou.
 
Evaristo falou, ainda, sobre a contribuição que a escola, como espaço de afeto, pode exercer na educação e formação das crianças, “apesar de não ser a realidade das escolas periféricas no país”, disse. Ela reforçou a importância da valorização do professor e da visão de que a sala de aula é uma extensão da sociedade em que vivemos. 
 
A escritora perpassou por suas obras e personagens e ressaltou a importância da revolução nas vidas de mulheres pobres e pretas que conseguiram se formar em um curso superior. “Porém, não podemos cair no falso discurso da meritocracia. Ter oportunidades e acessos ainda não é a realidade da imensa maioria da população pobre”, ponderou. A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, prima da escritora, prestigiou o evento.
 
Exposição e apresentação musical
 
A “noite encantada no TCE”, como destacou o presidente Durval Ângelo, começou com a abertura da Exposição Faces, do artista plástico Agnaldo Canuto. A mostra, no Salão Mestre de Piranga, no hall de entrada do TCE, conta com esculturas em madeira que representam o olhar, a sensibilidade e a essência do artista, morador do Morro das Pedras, comunidade vizinha do Tribunal. 
 
Aos 60 anos, essa é a primeira exposição do artista. “As esculturas surgiram na vida de Canuto misturando com seu trabalho como pedreiro”, disse Durval, ao anunciar a exposição. “A arte nasce do chão, da dor, do barro, do pedaço de madeira, da alma. É isso que eu vejo nessa exposição: resistência do povo negro, de 500 anos de dominação e exploração. É o filho de dona Maria do Carmo finalmente fazendo sucesso”, enalteceu Durval.
 
Canuto, que estava acompanhado da sua família, agradeceu a oportunidade. “Fico feliz por poder mostrar um pouco do meu trabalho. A arte faz crescer a autoestima de todo o nosso povo”.
 
Em seguida, o Coral Afro Vozes de Caxambu fez uma linda apresentação para as quase 300 pessoas que prestigiaram a noite cultural no TCE. O grupo de canto do Quilombo de Caxambu, em Rio Piracicaba (MG), integra um projeto pedagógico, com 60 crianças e jovens, que busca preservar a tradição afro-brasileira e a música congadeira.
 
“Esse é apenas o início de um mês de celebrações, com muita arte e cultura. Mas também é um momento de reflexão. Ao longo de novembro, o TCEMG realizará diversas atividades para marcar o Mês da Consciência Negra”, anunciou João Miguel, coordenador do TCE Cultural.
 
Veja, abaixo, fotos dos eventos.
 
 

Sempre um Papo com Conceição Evaristo