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Acordo garante reassentamento das famílias e obras na BR 381/Anel Rodoviário

07/11/2025

Presidente Durval Ângelo foi um dos signatários do acordo - foto: Thiago Rios Gomes
Após anos de impasse, o destino das famílias que vivem às margens da BR 381, no trecho próximo ao Anel Rodoviário, ganhou um novo rumo. O Tribunal de Contas mineiro sediou, nesta sexta-feira (07/11), a homologação do acordo de permuta das áreas para o reassentamento dessas pessoas. A homologação, feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), permite, também, a continuidade das obras de duplicação da rodovia. O termo foi firmado entre o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Prefeitura de Belo Horizonte. 
 
O acordo prevê a cessão de uma área pública destinada ao reassentamento de cerca de 2 mil famílias impactadas que atualmente vivem no entorno da rodovia. Conhecida como Fazenda Capitão Eduardo, a área é localizada entre o Rio das Velhas, o Ribeirão do Onça e o Conjunto Habitacional Paulo VI —— com 2,2 milhões de metros quadrados. A construção das moradias e implantação da infraestrutura será objeto de novo acordo entre as partes. 
 
A PBH, além de ceder o terreno, ficará responsável por conduzir o licenciamento ambiental para as construções das novas moradias. O DNIT cuidará da liberação dos recursos federais e do acompanhamento técnico. O TCU vai monitorar o cumprimento do cronograma das obras, bem como fiscalizar os recursos públicos aplicados. 
 
O presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, destacou que o direito à moradia, em especial para os mais pobres, deve ser um objetivo da administração pública. “Essa é uma cerimônia muito importante. A vida deve estar acima de tudo, tem que ser o objetivo de toda norma, de toda lei”, disse, reforçando a relevância da organização popular em busca de melhorias.
 
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, ressaltou que esse acordo permitirá a retomada das obras de duplicação da BR 381. “Precisamos saber dar continuidade ao que já vinha sendo feito e buscar tirar do papel obras que estavam paralisadas”. O prefeito ainda reforçou que a PBH “ fará de tudo para que todos se sintam bem morando ali”.
 
O ministro do TCU, Antônio Anastasia, destacou a convergência de três pontos fundamentais para o acordo: a busca pelo consensualismo nos processos do TCU, a criação do TRF-6, sediado em Minas Gerais, e o processo de concessão da BR 381, conduzido pelo governo federal. “Hoje damos um passo decisivo para dar fim a um dos grandes dramas de Minas Gerais”, concluiu.
 
O ministro Jorge Oliveira, vice-presidente do TCU e relator do processo que culminou no acordo, enfatizou a importância da sensibilidade na atuação pública. “Destaco a união de autoridades e órgãos públicos que trabalharam para dar dignidade a essas pessoas. A tarefa não encerra aqui, temos muito trabalho até a solução final da questão. O TCU vai fiscalizar e acompanhar para que tudo seja de fato implementado”.
 
Nubia de Oliveira, representantes dos moradores, se emocionou ao falar da luta das mulheres e das famílias por moradia digna. “Hoje quero agradecer a oportunidade e parabenizar a todos que, nesses 20 anos de caminhada, lutaram para melhorar as nossas vidas”.
 
Participaram da cerimônia, ainda, o presidente TRF-6, Vallisney Oliveira, a defensora pública federal Giêdra Moreira, e diversas autoridades dos meios jurídico, político e do controle externo.
 
Mesa de honra da cerimônia - foto: Thiago Rios Gomes 
Duplicação da BR 381
 
Em 2023, o governo federal alterou o edital de concessão da rodovia BR 381, no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Os 31 quilômetros mais próximos da capital, trecho considerado inviável para a iniciativa privada, devido ao risco jurídico e dificuldades técnicas, foram retirados do projeto. As obras de duplicação do trecho serão executadas pelo governo federal.
 
Com isso, a licitação do restante da rodovia, entre Caeté e Governador Valadares, foi concluída, sendo concedida à iniciativa privada. O consórcio Nova 381 venceu o leilão e passou a administrar o trecho em 2024, com obrigação de duplica-lo até 2031.
 
Durval Ângelo e representantes das famílias reassentadas - foto: Thiago Rios Gomes