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Operação Saúde: providências e resultados serão imediatos, afirma presidente

07/11/2025

Balanço preliminar foi divulgado em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (7/11), na sede do Tribunal - Foto: Thiago Rios Gomes/TCEMG
A Fiscalização Ordenada da Saúde 2025, realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), concluiu sua terceira fase com 81 unidades e hospitais públicos vistoriados em todas as 12 mesorregiões mineiras. Durante três dias (4 a 6/11), auditores de Controle Externo atuaram em 73 municípios (clique aqui para ver a lista completa), justamente para constatar a situação dos serviços públicos de saúde e, então, ajudar a promover e direcionar melhorias para a população.
 
A grande operação partiu de duas premissas: alcançar todas as 66 microrregiões do estado; e indicadores de risco elaborados pela Diretoria de Fiscalização Integrada e Inteligência (Suricato). Desse modo, chegou-se a uma amostra formada por 34 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 47 hospitais, sendo três filantrópicos estaduais (passe o cursor para ler os nomes). Conforme dados apurados pela Suricato no Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), essas unidades responderam por 16% das 240 mil internações registradas nos últimos 12 meses.
 
"Tivemos uma preocupação de orientar para que, além de aspectos técnicos, o diferencial nessa fiscalização fosse ouvir pacientes, familiares, a dor das pessoas que passam horas, dias aguardando atendimento, esperando por uma internação", ressaltou o presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo.
 
Os auditores foram divididos em 27 equipes (54 profissionais em campo), com cada uma responsável por vistoriar três unidades. As visitas, nos períodos diurno e noturno, ocorreram sem aviso prévio e de forma simultânea, conforme as escalas traçadas para os três dias.
 
A estratégia da equipe, segundo a superintendente de Controle Externo do TCEMG, Jaqueline Somavilla, foi a de revisitar as 81 unidades para entender o cenário na prática, avaliando o que havia efetivamente melhorado, o que ainda faltava ser feito, quais eram os pontos de atenção, entre outros objetivos.
 
"Nós percorremos cerca de 20 mil quilômetros. Para se ter uma ideia, é como se fosse uma distância maior que a de Belo Horizonte a Tóquio, daria para ir a Londres duas vezes. Equipes levaram até 13 horas para chegar a locais que seriam auditados", contextualizou. "Esse é o tamanho do desafio de auditar um estado com 853 municípios", destacou a superintendente.
 
 
Equipe em ação na Sala de Comando e Controle, na sede do Tribunal, para compilação das informações - Foto: Hernando Garcia/TCEMG
 
 
Resultados
 
O diretor de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas, Thiago da Silva, apresentou, na sequência, um resumo dos principais pontos positivos e negativos da operação.
 
Boas práticas
 
"Houve aumento de 180% na divulgação de especialidades médicas disponíveis, além de aumento considerável, de 2024 para 2025, na transparência quanto às escalas de médicos e plantonistas. Também foi registrada melhoria de cerca de 80% no controle de medicamentos de alto custo, que oneram bastante o cofres públicos", listou.
 
A coordenadora-geral da Fiscalização Ordenada, Luiza Queiroz, ainda mencionou outros aspectos qualitativos.
 
"Passando pelo desafio que o presidente deu à área técnica de escuta ativa da população, a equipe técnica contribuiu para benefícios relevantes. Tivemos, por exemplo, tomógrafos consertados, obras realizadas e até mesmo uma capacitação para melhoria nos serviços de farmácia, como ocorreu na Santa Casa de Itaguara", citou.
 
Embora com algumas evoluções "consideráveis", continuou Luiza, há margem para avançar mais.
 
"Para conseguir esses resultados, a gente entende que deve ser uma ação conjunta. Não só o TCEMG como Controle Externo, mas também com as próprias unidades hospitalares com seus controles internos", afirmou. "A gente espera muito mais", concluiu.
 
Irregularidades
 
Os auditores também detectaram problemas ao longo do percurso.
 
"Em primeiro lugar, houve piora na elaboração, na análise e na gestão das infecções hospitalares, algo bem relevante e que, infelizmente, acaba levando muitas pessoas a óbito", lamentou Thiago da Silva. "Também tivemos piora considerável no armazenamento e manejo de resíduos e, em terceiro lugar, houve recuo nas fiscalizações internas de apuração da frequência/presença dos profissionais", complementou.
 
Os três piores indicadores mapeados foram: ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), algo que se repete em relação a 2024; falta de gestão e controle do tempo de espera dos pacientes (aguardando em torno de 12 horas, em alguns casos); e, em terceiro lugar, a constatação de muitos equipamentos em desuso, seja por manutenção, deterioração ou falta de planejamento. "Certamente, está fazendo falta ali na demanda do dia a dia para o cidadão", disse o diretor.
 
 
>>> Clique aqui para conferir outros dados preliminares disponibilizados no Painel de Controle, gerenciado pela Sala de Comando e Controle da operação. 
 
 
Falta de gestão do tempo de espera dos pacientes está entre piores indicadores - Divulgação/TCEMG
 
 
Providências
 
No que diz respeito a medidas após a ação, o próximo passo será a produção de um relatório global, com informações de cada uma das 81 unidades vistoriadas. E, segundo o conselheiro-presidente, diferentemente de momentos anteriores, desta vez a Presidência do TCEMG vai estabelecer, para cada gestor das UPAs e hospitais públicos, um prazo para resolver os problemas detectados.
 
"Se as determinações não forem cumpridas, vamos autuar, com processos que podem gerar multa ou mesmo uma ação de improbidade. O Ministério Público de Contas (MPC) também receberá o relatório e, com sua autonomia e independência, poderá propor ações que entenderem necessárias para que a Corte de Contas tome providências", reforçou Durval Ângelo. "Esta auditoria não se perderá na burocracia. Ela vai provocar resultados imediatos para a sociedade", enfatizou.
 
A esse respeito, o procurador-geral Marcílio Barenco evidenciou o compromisso do MPC para a sequência dos trabalhos.
 
"Nosso papel é buscar a responsabilização, de cada um, diante das irregularidades dos achados técnicos dessa auditoria. E o faremos já na próxima semana, assim que esse relatório chegar às nossas mãos", afirmou. "Esse tipo de auditoria não só é uma mudança de postura do Tribunal de Contas, mas também um caminho para atingimento dos resultados em favor da sociedade”, finalizou.
 
Painel
 
O Painel de Controle já apresenta alguns dados após as jornadas de fiscalizações. Ainda haverá revisão pelos auditores após o retorno das equipes ao Tribunal e, em breve, será divulgado o relatório global consolidado referente a 2025.
 
Confira algumas das constatações disponíveis:
 
Clique na imagem para acompanhar a transmissão dos dados
 
 

Galeria de fotos

Confira as imagens da operação no Flickr do TCEMG (Crédito: Divulgação/TCEMG):

Fiscalização Ordenada da Saúde 2025

 


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