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"Não se faz cultura e políticas públicas sem recursos", afirma presidente

20/03/2026

Durval Ângelo incentivou a organização e consciência da força dos próprios agentes culturais - Foto: Thiago Rios Gomes/TCEMG

Como compreender melhor os cenários e alternativas para o desenvolvimento cultural e adaptar o planejamento público para ações eficientes nesse campo? Responder a questionamentos como esses é justamente a proposta do Seminário Mineiro "Os Impactos da Reforma Tributária no Orçamento Cultural", aberto nesta sexta-feira (20/3), na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG).

O encontro reúne, durante todo o dia, especialistas, gestoras e gestores públicos e representantes do setor cultural para debater temas como fomento indireto à cultura, ICMS Cultural, financiamento da cultura como política de Estado e os desafios de operacionalização das políticas de incentivo diante da Reforma Tributária.

"Este é um dia muito significativo. Tivemos centenas de pessoas inscritas para esse seminário, com outros estados representados e cerca de 300 cidades de Minas Gerais. Agora, a discussão é a seguinte: você não faz cultura sem recursos, não faz políticas públicas sem orçamento", destacou o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, no pronunciamento de abertura.

Segundo ele, os tribunais de contas devem e têm que ser indutores de políticas públicas, e atuar para cumprir objetivos fundamentais da Constituição, entre eles o de garantir uma sociedade livre, justa e solidária. "É possível ter vida sem cultura? Ser livre e solidário sem a cultura? Fazer isso sem políticas públicas? Não!", enfatizou. presidente.

No entanto, pontuou Durval, é importante resgatar na história que "todas as leis municipais de Cultura, as estaduais e mesmo a Rouanet, foram frutos de pressão, de organização e de luta. Nenhuma foi presente de governo, seja de esquerda, de direita ou de centro".

A mobilização e o engajamento, por isso, são fundamentais. "Se o boi soubesse a força que tem, ninguém mais comeria bife", concluiu Durval com esse ditado regional, incentivando a organização e a consciência da força dos agentes culturais.

O dispositivo inicial também contou com a participação do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC) e presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), Marcílio Barenco; o secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, Gilbberto Perre; o presidente do Fórum Nacional de Cultura, Marcos Alves; a representante do Fórum dos Conselhos Estaduais de Cultura, Aryanne Ribeiro.

Incentivo à cultura

Deputado federal Reginaldo Lopes foi o relator da Reforma Tributária - Foto: Thiago Rios Gomes/TCEMGO deputado federal Reginaldo Lopes antecipou sua participação, em razão de uma agenda extraordinária convocada pela Presidência da República, mas fez questão de deixar uma mensagem ao setor cultural sobre a Reforma Tributária, da qual foi relator.

"Acredito que todos que estão aqui participaram, direta ou indiretamente, da construção de uma proposta acessória à Emenda Constitucional 132 (Reforma Tributária). Tenho certeza de que nós teremos as 171 assinaturas para começar a tramitação dessa proposta que vai alterar o nosso novo regime tributário para conceder esse incentivo", projetou.

Segundo Lopes, essa subemenda, uma vez aprovada, "vai permitir que os Estados e municípios possam legislar nas suas Casas Legislativas e conceder um percentual de patrocínio indireto tanto para o esporte quanto para a cultura”, concluiu.

O secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, Gilberto Perre, que também precisou adiantar sua fala, endossou o apoio da instituição nessa agenda. "A Reforma Tributária, é preciso que se diga, foi na direção correta: nosso sistema tributário era, de fato, uma confusão imensa. Agora, esse processo de transição precisa obviamente respeitar e não dar descontinuidade naquilo que vinha sendo, que é o fomento à cultura nas cidades e nos estados. Esta engrenagem desse financiamento precisa ser retomada", defendeu.

Vale esclarecer que a nova normativa tributária nacional aprovada no Brasil estipula, originalmente, um cronograma para extinção progressiva e restrição mais severa da maioria dos benefícios fiscais, regimes especiais e incentivos regionais. A simplificação geral, no entanto, preocupa o setor cultural justamente porque o fim do ICMS e do ISS afeta também os incentivos vinculados a eles. A proposta de alteração da emenda vem, portanto, como alternativa para solucionar a demanda dos segmentos culturais e esportivos.

Impactos da Reforma

As contribuições encaminharam a abertura da discussão mediada pela diretora-executiva do Cine Theatro Brasil, Elaine Parreiras, na palestra "Reforma Tributária e os Impactos para o Fomento Indireto à Cultura". Participaram do debate inicial a advogada e mestre em Direito Tributário, Daniella Galvão (remotamente), e o assessor especial do Ministério da Cultura (MinC), Carlos Paiva.

Eliane Parreiras também aderiu à defesa dos instrumentos de incentivo - Foto: Thiago Rios Gomes/TCEMG

"A diversidade de fontes de financiamento, as formas diversas de participação, elas qualificam o processo para que a gente garanta uma diversidade cultural, o acesso a esse sistema, a esse financiamento, também de uma maneira plural", ressaltou Eliane, aderindo também à defesa dos instrumentos de incentivo.

Em seguida, foi a vez do painel "Reforma Tributária e o Fomento à Cultura", conduzido pelo secretário adjunto de Cultura de Contagem, Gilvan Rodrigues. A mesa contou com a participação da vice-prefeita e secretária municipal de Cultura de Salvador/BA, Ana Paula Mattos; da secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, Danielle Barros; do diretor da Fundação Cultural Santa Marcelina, Paulo Zuben; do assessor do Ministério da Fazenda; João Pedro Nobre; e do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Thiago Rocha.

"Pensamos essa mesa com o objetivo de debater com os gestores e pares como a gente pode refletir do impacto dessa Reforma Tributária. Acabamos ficando um pouco isolados se a gente não criar uma combinação junto aos secretários de Fazenda, de Planejamento. Que a gente possa fortalecer essa rede, como temos visto aqui, com os fóruns, com as frentes, sejam elas estaduais, nacionais e municipais, para não perder esse trem", disse o mediador.

Novas perspectivas

A programação segue no período da tarde, no Auditório Vivaldi Moreira, na sede do Tribunal de Contas. Organizador do evento, o coordenador do TCE Cultural, João Batista Miguel, reforçou os objetivos do seminário. "Temos grandes desafios, mas também grandes perspectivas nas discussões de hoje; Estamos colocando luz em alguns problemas e também buscando caminhos possíveis para que o orçamento da Cultura não tenha nenhum tipo de prejuízo de ordem orçamentária e financeira", sintetizou.

Também estiveram presentes na programação da manhã a procuradora do MPC Maria Cecília Borges; a secretária municipal de Cultura de Belo Horizonte, Cida Falabella; a secretáriao assessor da Subsecretaria da Receita Estadual da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG), Eduardo da Silveira; entre outras autoridades, representantes da área Cultural, servidoras e servidores, colaboradoras e colaboradores, gestoras e gestores.

O coordenador do TCE Cultural, João Batista Miguel - Foto: Thiago Rios Gomes/TCEMG

 

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