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Tribunais de Contas selam compromisso com a modernização documental, acesso à informação e controle externo ao final XII Bibliocontas

15/05/2026

Coral Cantos e Contas do TCEMG se apresentou ao final da manhã do terceiro e último dia do XII Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas - foto: Vinícius Dias/TCEMG

A reafirmação do compromisso com a transparência pública, o fortalecimento das políticas de preservação digital e a promoção do compartilhamento de tecnologias entre as bibliotecas das Cortes de Contas foram os pilares centrais da Carta de Compromisso divulgada ao final do XII Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas. O documento, que serve como guia para a cooperação técnica nacional, destaca ainda a urgência na capacitação contínua de servidores e na implementação de sistemas que garantam a integridade da memória institucional, o apoio às ações de pesquisa do Instituto Rui Barbosa, a capacitação permanente de servidores e o amplo acesso do cidadão às informações públicas.

Este documento solene foi apresentado durante o encerramento do evento no TCEMG. A leitura da Carta, que ainda destacou a importância de uma ampla cooperação entre os Tribunais de Contas dos países de Língua Portuguesa e a difusão e disponibilização de obras, por meio das bibliotecas, que combatam o racismo estrutural, foi realizada por Adriana Rangel, chefe da Divisão de Documentação e Arquivo do TCEPB, acompanhada do coordenador de Arquivo e Gestão de Documentos da Casa de Contas mineira, Júlio César Schroeder Queiroz. O ato simbolizou a união das instituições em torno de metas comuns de eficiência, gestão, inovação e pesquisa. O documento ainda destacou que a próxima edição do Bibliocontas vai acontecer em 2028, mas ainda sem local definido.

Adriana Rangel, chefe da Divisão de Documentação e Arquivo do TCEPB, fez a leitura da Carta  Compromisso - foto: Vinícius Dias/TCEMG

A cerimônia foi encerrada às 16h30 com o pronunciamento de Ana Carolina Resende, coordenadora de Biblioteca e Gestão da Informação do TCEMG. Em seu pronunciamento final, ela ressaltou que o encontro foi oportuno para que acontecessem “trocas generosas e o fortalecimento de vículos”. A coordenadora de Biblioteca e Gestão da Informação agradeceu a participação das pessoas e destacou que a edição do evento foi resultado de um esforço coletivo, empreendido por muitas áreas, em especial as equipes da biblioteca do Tribunal, o cerimonial e a comunicação institucional. Ana Carolina também agradecer o apoio concedido pelo conselheiro-presidente Durval Ângelo, o diretor geral Gustavo Vidigal e o diretor da Escola de Contas e Capacitação Pedro Aleixo, Rodrigo Marzano.

Boas práticas

Antes da leitura da Carta do Compromisso, aconteceu, no início da tarde, a mesa-redonda “Relatos de experiência em gestão da informação e do conhecimento nos Tribunais de Contas”. Sob a mediação de Adriana Rangel Pereira, chefe da Divisão de Documentação e Arquivo do TCE-PB, o debate reuniu especialistas de diferentes regiões do Brasil para discutir o fortalecimento institucional por meio da inovação e da preservação da memória técnica.

A instituição anfitriã, o TCEMG, abriu as apresentações com Bárbara Couto Cançado Santos, do Núcleo de Inovação Estratégica, que detalhou as diretrizes de Gestão do Conhecimento no TCEMG. Ela foi seguida por Júlio César Schroeder Queiroz, coordenador de Arquivo, que expôs os pilares da nova política de preservação digital da Casa. Na sequência, a inteligência coletiva e os desafios da gestão documental em Pernambuco foram os temas abordados por Maria do Socorro Félix, do TCE-PE.

O panorama nacional seguiu com a participação de Priscila Nolasco Oliveira e Rodrigo Vilas Boas Lucursi, que apresentaram o modelo de disseminação de conhecimento adotado pelo TCDF, enquanto Josimar Batista dos Santos, do TCE-CE, trouxe uma perspectiva lúdica ao tratar da inovação através do Programa Educação pela Arte. O painel foi concluído por Michele Rodrigues Dias, coordenadora no Instituto Rui Barbosa, que falou sobre a integração da rede em nível nacional. Após uma rodada de perguntas que promoveu a interação com o público, o evento foi encerrado com a entrega protocolar de certificados e lembranças aos palestrantes.

Memória institucional e preservação digital 

Para Fábio Lopes, a transição do registro físico para o magnético alterou radicalmente a densidade da informação - foto: Vinícius Dias/TCEMG

Diferentemente do papel e de outros suportes físicos, que têm a longevidade como uma de suas características marcas - o que assegura o armazenamento e o acesso por longos períodos de tempo -, o dado digital é volátil. "O desafio não é apenas guardar arquivos, mas garantir que sejamos capazes de acessar o conteúdo ao longo do tempo, assegurando a autenticidade, a integridade, a funcionalidade e a usabilidade dos registros”, defendeu o coordenador geral de Sistemas de Informação Museal no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fábio Lopes de Andrade. O Ibram é o órgão central do setor museológico no Brasil, responsável por gerir a Política Nacional de Museus (PNM) e executar políticas públicas para o desenvolvimento, gestão e preservação de acervos.

Fábio Lopes comentou que a preservação digital oferece perspectivas e preocupações, simultaneamente. Para o coordenador geral dos Sistemas de Informação Museal no Ibram, em contextos digitais, a preservação passa pela compreensão do processo de registro. “A transição do registro físico para o magnético (e posteriormente o digital) alterou radicalmente a densidade da informação, mas trouxe riscos associados à obsolescência tecnológica (hardware ou software que para de funcionar ou de ser suportado). O registro no suporte digital é magnético e depende da estabilidade de campos invisíveis e da existência de programas e sistemas específicos capazes de ‘acessar’ os dados”, ressaltou. “Uma das alternativas que temos adotado são os emuladores, programas que simulam a funcionalidade de outros sistemas para acessar informações em dispositivos de armazenamento que não são operacionais”, completou.

Enfrentar a obsolescência de formatos e a fragilidade dos suportes eletrônicos torna-se, portanto, um imperativo de responsabilidade pública. “Recentemente, quando houve as chuvas no Rio Grande do Sul, passamos por uma situação bem complicada, em razão da necessidade de assegurar os registros, mas em um ambiente complexo de enchentes e falta de energia elétrica”, afirmou Fábio Lopes. Para o servidor do Ibram, sem políticas de preservação digital rigorosas e investimentos constantes, as instituições correm o risco de sofrer uma amnésia administrativa que compromete a transparência, a prestação de contas e o próprio direito constitucional do cidadão ao acesso ao patrimônio histórico e documental.

Felipe Gonçalves defende que é preciso encontrar caminhos para o registro memorial das rotinas - foto: Vinícius Dias/TCEMG

Em seguida, subiu ao palco o pesquisador e doutorando em Ciência da Informação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Felipe Lopes Gonçalves, integrante da Associação Mineira de Arquivista (AMArq). Ele trouxe para o evento reflexões sobre perspectivas da memória institucional. De acordo com o especialista, a memória ultrapassa a dimensão arquivística que, por si só, já é muito complexa. “Quando estamos pensando na memória institucional, estamos discutindo o sentido das informações e dados; estamos lidando com o conhecimento”, esclareceu. Para o pesquisador, além disso, há a perspectiva cultural, histórica das instituições, regulamentada pelo Artigo 216 da Constituição Federal.

A memória de uma instituição, de acordo com Felipe Lopes Gonçalves, não é feita apenas de grandes decretos, mas da rotina. Nas organizações, há o conhecimento explícito, que inclui normas, manuais, bancos de dados e relatórios, e o tácito, o saber subjetivo e pessoal, baseado na experiência. “Precisamos encontrar formas para registrar e guardar este conhecimento, o conhecimento construído a partir da prática de trabalho no dia a dia”, alertou.

Outro aspecto ressaltado por Felipe Gonçalves foi a necessidade de capacitação e formação permanente das pessoas. “Faltam profissionais que dominem a interseção entre a tecnologia da informação e a ciência de arquivos. As instituições precisam investir na capacitação das pessoas”, alertou.

As atividades da manhã ainda contaram com a homenagem à coordenadora do Comitê de Gestão da Informação e do Conhecimento, Michele Rodrigues Dias, do TCERN, seguida da apresentação do Coral Cantos e Contas do TCEMG.

Acesso o link para assistir aos vídeos da transmissão desta sexta-feira (15/5) XII Fórum Nacional de Bibliotecários e Arquivistas dos Tribunais de Contas (manhã e tarde). As fotos do evento também podem ser acessadas pela conta do Tribunal no Flickr