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Acordo concluído pelo TCEMG vai permitir a renovação da frota do transporte intermunicipal de Minas

29/05/2026

Coordenador da Mesa de Conciliação, conselheiro Agostinho Patrus reforçou a importância da seleção conjunta - Foto: Hernando Garcia/TCEMG

A pandemia provocou um profundo desequilíbrio em diversos contratos de prestação de serviços públicos, especialmente nas concessões de transporte coletivo. Com as restrições de circulação e a redução da mobilidade, o número de passageiros caiu drasticamente, impactando diretamente a circulação dos coletivos e, consequentemente, o faturamento das empresas concessionárias. 

Segundo pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), no pior momento da crise, as concessionárias registraram queda de mais de 70% na circulação de passageiros, o que impactou fortemente o faturamento das empresas.O isolamento social e a suspensão de linhas por decretos locais esvaziaram as rodoviárias, afetando diretamente lojas e estabelecimentos comerciais. 

Para contribuir com o acerto das contas  e redução de  prejuízos, foi assinado, nesta sexta-feira (29), o termo de conciliação que viabiliza a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos do transporte intermunicipal de passageiros em Minas Gerais, afetados pelos impactos da pandemia de Covid-19. O acordo reverte os valores em medidas voltadas à renovação da frota, à fiscalização do transporte clandestino e à modernização do sistema de transporte. 

Após análises técnicas e sucessivas rodadas de negociação, as partes chegaram ao montante final de R$ 350 milhões. Deste montante, mais de R$ 100 milhões serão revertidos na renovação da frota de veículos. Em 2024, acordo similar foi realizado  para o transporte metropolitano de Belo Horizonte, resultando na compra de 850 novos ônibus, o que representou a renovação de um terço da frota de veículos do transporte público da capital mineira. 

Pedido de conciliação
 
O pedido de conciliação foi apresentado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Sindpas), entidade que representa 82 concessionárias responsáveis por centenas de linhas intermunicipais em todo o estado. As empresas alegaram perdas financeiras provocadas pela redução no número de passageiros e pelas restrições de circulação impostas durante a pandemia.

“Estamos dando um passo importante neste dia. Não foi uma negociação rápida, mas necessária para que pudéssemos expôr a realidade do sistema de transporte, que atende 50 milhões de pessoas no último ano. A pandemia e os seus desdobramentos agravaram problemas que enfrentávamos, mas acredito que este acordo vai permitir que retomemos a qualidade que tínhamos, buscando garantir mais eficiência e satisfação dos usuários, afinal esta é a nossa missão como prestadores de serviços públicos”, assegurou Luiz Carlos Gontijo, presidente do Sindpas.
 
O relator do processo, conselheiro Agostinho Patrus, reforçou a importância e o impacto da solução em conjunto construída. "O acordo abrange 708 contratos de concessão e garante mobilidade para milhões de mineiras e mineiros. Em vez de anos de disputa judicial, chegamos a uma solução técnica e equilibrada, com benefícios reais para a sociedade", afirmou.

Para o secretário de Estado Adjunto de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Calixto, a assinatura do acordo “encerra uma etapa, mas mantém aberto um processo que precisa buscar um permanente avanço no serviço público de transporte”. Calixto reforçou a necessidade de modernização do serviço juntamente com o aperfeiçoamento e inovação dos contratos. 

Mais de 70% da população de Minas Gerais vive fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O sistema de transporte coletivo intermunicipal conta com uma frota de 3,5 mil ônibus cadastrados, operando em 1.053 linhas em todo o estado. O serviço é gerido por 167 concessionárias e, apenas em 2025, atendeu mais de 50 milhões de passageiros, com a realização de mais de 2 milhões de viagens. O transporte intermunicipal alcança mais de 20 milhões de habitantes distribuídos em 761 municípios (dados IBGE 2022). O transporte rodoviário intermunicipal é essencial para a integração econômica e social do Estado.
 
 
Presidente Durval Ângelo destacou a importância da boa vontade do setor empresarial e do governo do estado para que se chegasse a um acordo - Foto: Hernando Garcia/TCEMG
Como funcionará o acordo?
 
O pagamento deverá ser feito em três parcelas anuais iguais. Como contrapartida, toda a segunda parcela será destinada à renovação da frota de ônibus intermunicipais, mediante apresentação de plano de aquisição pelo Sindpas e aprovação da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). Já a terceira parcela ficará condicionada à comprovação dos investimentos realizados.
 
O termo também estabelece medidas para reforçar a fiscalização ao transporte clandestino. O Governo de Minas deverá apresentar, em até 90 dias, um plano de fiscalização elaborado com a participação do Sindpas e de um grupo de trabalho formado pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), pela Polícia Militar e pela Secretaria de Estado de Fazenda.
 
Além das ações de fiscalização, o acordo prevê a modernização dos contratos de concessão do transporte intermunicipal. 

As negociações se estenderam cerca de um ano e meio e envolveram a participação da Seinfra, da Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG), da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e de instituições técnicas responsáveis pela análise dos dados econômico-financeiros apresentados pelas partes. Estudos elaborados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subsidiaram a construção da proposta.

“O transporte público intermunicipal representa integração regional, desenvolvimento econômico e inclusão social. Por isso, sua prestação depende de três pilares fundamentais: segurança, regularidade e responsabilidade institucional. O acordo construído no âmbito do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, sob a condução do Conselheiro Agostinho Patrus, representa uma solução consensual voltada à sustentabilidade do sistema intermunicipal de passageiros diante dos impactos da pandemia da Covid-19”, destacou o conselheiro-presidente do TCEMG, Durval Ângelo.

O presidente da Casa de Contas mineira destacou, também, a importância da boa vontade do setor empresarial e do governo do estado para que se chegasse a um acordo. Segundo Durval Ângelo, os técnicos do Tribunal se manterão, como o fazem em relação a outros projetos e processos, vigilantes, “monitorando o cumprimento do que hoje foi selado com a mediação do TCEMG”.