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Ministro Flávio Dino encerra fórum debatendo sustentabilidade, inteligência artificial e bem-estar social

29/05/2026

Ministro Flávio Dino encerrou fórum - Fotos: Tamires Araújo/TCEMG
Desafios jurídicos e tecnológicos para a sustentabilidade. Com esse tema central, o Tribunal de Contas mineiro encerrou o "II Fórum de Sustentabilidade – Rumo ao carbono zero" com uma palestra do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, na tarde desta sexta-feira (29/5). Dino abordou conceitos como bem-estar social, direitos, valores e princípios em busca da plena sustentabilidade, além de ressaltar decisões do STF sobre o princípio. 
 
"Quando nos reunimos para falar de princípios, sobretudo do princípio da sustentabilidade, estamos falando das árvores, das plantas, dos animais, da poluição do ar, mas estamos falando, sobretudo, de valores. E creio que as instituições não eleitas têm, hoje, um papel insubstituível no Brasil", destacou o ministro, lembrando que decisões tomadas pelos órgãos públicos podem impactar na vida das pessoas num futuro de médio e longo prazos. 
 
O ministro lembrou que o crescimento econômico deve ser ferramenta principal para a busca pelo bem-estar social. "Não existe democracia sem direitos. Por mais que a gente repita que nós somos os servidores e servidoras públicas do Estado Democrático de Direito, se as pessoas não comerem o Estado Democrático de Direito em forma de alimento, não usufruírem o Estado Democrático de Direito em forma de escola, se não vivenciarem o Estado Democrático de Direito tendo um tratamento de saúde digno", pontuou.
 
Ao falar sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) na sociedade, Flávio Dino reforçou que "existe um outro caminho de mediação em que a tecnologia apareça, mas as pessoas não desapareçam, e que os homens continuem a mandar nas máquinas, e que queiram mandar nas máquinas, porque o tecnodeterminismo é tão forte que, daqui a pouco, as pessoas duvidarão se elas devem mesmo fazer supervisão humana na ferramenta", afirmou.
 
Decisões no STF
 
O ministro citou três decisões recentes tomadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da sustentabilidade. Um que declara inconstitucional uma lei que obrigava seguradoras a comprar créditos de carbono, uma vez que "o que aparentemente era bom, estimular o mercado de crédito de carbono, se feito de modo desordenado, que na minha perspectiva estava, atrairia a incidência da máxima segundo a qual o melhor modo de matar uma boa ideia é executando-a má. Porque não havia critério, não havia parâmetro".
 
Dino ainda citou o processo estrutural de grandes áreas de preservação ambiental, como Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, que analisa a política pública e induz práticas de correção. Por fim, ressaltou a decisão na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743, em que solicitou um plano preventivo de queimadas no cenário dos riscos climáticos previstos para o segundo semestre. 
 
Transformações concretas
 
A abertura da palestra foi feita pelo diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal, que destacou a importância do sistema jurídico brasileiro para a vida das pessoas. 
 
"Decisões judiciais, quando inspiradas pelos valores constitucionais, transcendem os autos processuais e passam a produzir transformações concretas na vida das pessoas. O mesmo pode ser dito na atuação do Tribunal de Contas, na fiscalização de políticas públicas voltadas à inclusão social. E neste caso, cito, por exemplo, uma auditoria sobre a política pública destinada à população de situação de rua aqui em Belo Horizonte", disse.
 
Vidigal ainda ressaltou decisões recentes do STF que impactam no Controle Externo. "Temos acompanhado atentamente diversos temas que vêm sendo debatidos no Supremo Tribunal Federal e que impactam diretamente a atuação do controle externo. Entre eles, destaco a ADPF 854, que impulsionou uma nova agenda nacional de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares".
 
Um pouco antes, no início da tarde, o consultor-geral do TCE, João Alves, palestrou sobre economia circular e compras públicas sustentáveis. Ele apresentou conceitos fundamentais, discorreu sobre preceitos legais, mostrou o caminho das compras públicas sustentáveis e incentivou a adoção de boas práticas.