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Especialistas discutem enunciados sobre contratações públicas durante seminário

08/06/2026

O seminário foi realizado no Auditório Vivaldi Moreira, na sede do Tribunal  -Foto: Tamires Araújo/TCEMG

A construção de entendimentos que garantam mais segurança jurídica, eficiência e coerência na aplicação da nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei nº 14.133/2021) foi o tema central do Seminário Mineiro de Enunciados do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA), realizado nesta segunda-feira (8/6/2026), no auditório Vivaldi Moreira do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG).

Promovido pelo Ministério Público Junto ao Tribunal de Contas de Minas Gerais (MPC-MG), em parceria com o TCEMG e o Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA), o encontro reuniu conselheiros, membros do Ministério Público, juristas, gestoras e gestores públicos, servidoras e servidores, e especialistas em direito administrativo para debater enunciados interpretativos relacionados à nova legislação de contratações públicas.

Na abertura dos trabalhos, foi destacada a importância histórica da doutrina e da jurisprudência para a consolidação do direito administrativo brasileiro e a necessidade de ampliar os espaços de diálogo entre a teoria e a prática administrativa diante dos desafios trazidos pela nova legislação.

O presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, ressaltou que o Tribunal tem buscado se consolidar como um espaço permanente de diálogo sobre temas de interesse público e de aperfeiçoamento institucional. Segundo ele, a segurança jurídica deve ser um dos pilares da atuação dos órgãos de controle, garantindo previsibilidade, transparência e respeito ao devido processo legal.

"O Estado Democrático de Direito impõe o amplo direito de defesa, o contraditório e, principalmente, a segurança no julgamento", afirmou. Durval destacou ainda a importância dos precedentes e dos enunciados para orientar a atuação dos gestores públicos. Para ele, a consulta sistemática às decisões dos tribunais pode evitar erros recorrentes na administração pública e contribuir para uma gestão mais segura.

O presidente também apresentou iniciativas desenvolvidas pelo TCEMG nas áreas de inclusão, diversidade, cultura e formação cidadã, enfatizando que o Tribunal busca ampliar seu papel institucional para além do Controle Externo.

Em seguida, o procurador do MPC-MG Daniel Guimarães destacou que as licitações e contratações públicas ocupam posição estratégica na administração pública. Para ele, a efetivação das políticas públicas e dos direitos fundamentais depende diretamente da qualidade dos processos de contratação.

"O tema das licitações e contratações públicas é central para a administração pública, porque sem contratações não há prestação de serviços públicos", afirmou. Daniel explicou que o seminário surgiu a partir da proposta de ampliar a divulgação dos enunciados produzidos durante a 3ª Jornada de Direito Administrativo do IBDA, iniciativa que reuniu profissionais de diversas áreas do Direito para debater a aplicação da nova lei.

O procurador também defendeu o protagonismo dos tribunais de contas no desenvolvimento do Direito Administrativo brasileiro. "Os tribunais não devem apenas aplicar o Direito Administrativo. Precisam contribuir para o seu aperfeiçoamento a partir da experiência prática acumulada no controle da gestão pública", ressaltou.

Estudo temático sobre licitações

A coordenadora de Sistematização de Deliberações e Jurisprudência do TCEMG, Gabriela Guerra, abriu os trabalhos técnicos do seminário apresentando o Estudo Temático sobre Licitações e Contratos Administrativos elaborado pelo Tribunal.

O material consolida entendimentos construídos a partir de consultas, deliberações e jurisprudência relacionados à Lei nº 14.133/2021, com o objetivo de facilitar a aplicação da norma por gestoras e gestores públicos.

Segundo Gabriela, a iniciativa surgiu diante do grande volume de dúvidas encaminhadas ao Tribunal após a entrada em vigor da nova legislação. “A maioria das dúvidas não estava relacionada à ausência de regra, mas à forma correta de aplicá-la”, explicou.

A coordenadora destacou que o trabalho busca transformar entendimentos consolidados em orientações acessíveis para a administração pública. “O estudo temático tem o potencial de levar a todos qual é o entendimento do Tribunal. E, quando esse entendimento é aplicado na prática administrativa, o resultado é a segurança jurídica”, afirmou.

Painéis

O primeiro painel do seminário abordou os Enunciados 58, 59 e 60, que tratam da atuação dos tribunais de contas diante da Nova Lei de Licitações. Participaram do debate o conselheiro em exercício Licurgo Mourão e o assessor do conselheiro Alencar da Silveira Jr., Pedro Azevedo, com mediação de Bárbara Machado, assessora do procurador do MPC-MG Daniel Guimarães.
 
Durante as discussões, os palestrantes destacaram que a Lei nº 14.133/2021 representa uma mudança de paradigma ao priorizar planejamento, governança, gestão de riscos e digitalização dos processos de contratação. Os debatedores e debatedoras defenderam um modelo de Controle Externo mais seletivo e estratégico, baseado em critérios de oportunidade, materialidade, relevância e risco para definição das ações de fiscalização.
Também foi enfatizada a necessidade de distinguir falhas meramente formais de situações que efetivamente gerem prejuízo à administração pública, evitando paralisações desnecessárias de políticas públicas.
 
No segundo painel, os debates se concentraram nos Enunciados 30, 31 e 35, relacionados ao credenciamento previsto na Lei nº 14.133/2021. A mediação foi conduzida pela coordenadora de Pós-Graduação da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, Luciana Raso. Participaram das discussões a professora e advogada Cristiana Fortini, ex-presidente do IBDA, e a procuradora do Estado de Minas Gerais, Raquel Melo Urbano.
 
As expositoras pontuaram que a nova legislação consolidou o credenciamento como importante instrumento de contratação pública, ampliando as possibilidades de utilização desse mecanismo em diferentes situações.
 
Entre os temas debatidos estiveram as modalidades de credenciamento previstas na lei, os critérios para contratação, a definição de prazos para chamamentos públicos, a utilização de critérios objetivos para distribuição das demandas entre credenciados e a aplicação do modelo em mercados de preços variáveis.
 
Ao longo do seminário, os participantes reforçaram que a consolidação de enunciados interpretativos contribui para reduzir incertezas na aplicação da nova legislação, fortalecer a atuação dos órgãos de controle e oferecer maior segurança aos gestores públicos responsáveis pelas contratações.
 
O evento contou com a participação de especialistas da academia, advocacia, do Ministério Público, tribunais de contas e da administração pública, fortalecendo o diálogo institucional e a construção coletiva de soluções para os desafios impostos pela nova Lei de Licitações.
 
Compuseram o dispositivo de abertura da solenidade de abertura do seminário o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo; da procuradora-geral do Ministério Público de Contas, Sara Meinberg; do procurador do MPC-MG, Daniel de Carvalho Guimarães; do presidente do Instituto Mineiro de Direito Administrativo (IMDA), Geraldo Luiz Guimarães; e do diretor da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, Rodrigo Marzano.

A coordenadora de Jurisprudência do TCEMG, Gabriela Guerra, abriu os trabalhos técnicos do seminário (Foto: Thamires Rodrigues)

Thiago Rios Gomes / Coordenadoria de Imprensa