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Direitos e desafios de neurodivergentes são debatidos em seminário no TCE mineiro

09/06/2026

Troca de experiências e olhares - Transtorno do Espectro Autista é abordado em Seminário do Tribunal mineiro (Foto: Tamires Araújo/TCEMG)

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) realizou, no dia 9 de junho, o Seminário Estadual de Capacitação sobre o Autismo. Com o objetivo de promover um diálogo qualificado entre órgãos de controle, gestoras e gestores públicos, profissionais da rede de atendimento e sociedade civil, o evento teve como tema "Do controle ao cuidado: desburocratização do atendimento da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) – Caminhos para garantir os direitos".

O presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, afirmou que debater o assunto é também papel de um órgão que originalmente fiscaliza gastos públicos. “Entendemos que o Tribunal tem que ser a voz de todos e todas em Minas Gerais”, exclamou. “O Tribunal tem esmerado em discutir políticas públicas e (...) nós compreendemos que o verdadeiro controle externo não se faz apenas verificando a legalidade dos gastos, mas sobretudo, avaliando a efetividade das políticas públicas”, pontuou.

Durval disse que “não há política pública efetiva se ela não chega a quem mais precisa ou se chega acompanhada de barreiras e exigências desnecessárias”. “Para que possamos fiscalizar e aprimorar o atendimento é nosso dever como estado compreender com clareza o que é o Transtorno do Espectro Autista”, completou. O conselheiro-presidente explicou que o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento e que ele afeta a forma como o cérebro desenvolve e funciona influenciando a maneira como a pessoa percebe o mundo, interage e se comunica.

O procurador Daniel Guimarães, do Ministério Público junto ao TCE,  também participou da cerimônia de abertura do Seminário e contou que é integrante de uma família atípica. Empático à causa, Daniel declarou que há um “grande compromisso de tentar entender o que acontece com essas pessoas, de inseri-las no contexto social” para, então, discutir a temática de uma forma séria e serena.


Irmão de um portador de TEA, segundo o procurador, o tema é muito abrangente e que é necessário discuti-lo em matéria de políticas públicas, com as famílias e com especialistas da área da saúde e educação. “A pessoa com Transtorno Espectro Autista precisa de adaptações na vida cotidiana. A depender do grau de suporte que ela tem, ela pode ter uma vida autônoma. Com algumas limitações, mas ela precisa de algumas adaptações na vida e nós, que efetivamente não precisamos dessas adaptações, precisamos sim, com austeridade e empatia, entender, compreender isso de uma forma global e também prover essas pessoas desse sentimento de inclusão”, disse.

O presidente da Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara de Belo Horizonte, Diego Sanches, contou que percebe no cotidiano a dificuldade das famílias atípicas em levar dignidade à vida dos parentes neurodivergentes. Tio de um jovem portador do espectro autista, o vereador parabenizou o Tribunal de Contas pela democratização do espaço público, em debater um assunto importante para a sociedade.

O defensor público do Estado, Luis Renato Braga Arêas Pinheiro, é pai atípico e também esteve presente no dispositivo na abertura do evento.


Programação


Ainda na parte da manhã, o Seminário Estadual de Capacitação sobre o Autismo recebeu a palestra sobre "Burocratismo e outras violências simbólicas para efetividade das políticas públicas", ministrada pelo vereador Diego Sanches, da capital mineira. O político alertou aos participantes a importância de “praticar o cuidado e a empatia” em todos os momentos da vida, independente da condição das pessoas.

Em seguida, o coordenador estratégico de Promoção e Defesa da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), Luís Renato Arêas Pinheiro, levou ao público a apresentação "A vida de um pai atípico". O servidor público compartilhou a experiência de vida e a legislação direcionada às pessoas neurodiversas.

O evento continua na parte da tarde com painéis que debateram inclusão, saúde mental e legislação que protegem pessoas neurodivergentes. O seminário é uma realização do TCEMG, por meio de sua Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, e da Câmara Municipal de Belo Horizonte.