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TCEMG sedia reunião técnica sobre regionalização do saneamento e investimentos na Bacia do Rio Doce

11/06/2026

Presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo - Foto: Hernando Garcia/TCEMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) recebeu, no Auditório Vivaldi Moreira, a Reunião Técnica da Associação Mineira de Municípios (AMM). O encontro aconteceu na tarde de quarta-feira, 10 de junho, e reuniu prefeitos, gestores e lideranças políticas. O objetivo foi debater a regionalização do saneamento básico em Minas Gerais e como as prefeituras podem conseguir recursos para o setor, com foco especial nas cidades da Bacia do Rio Doce.

 
A abertura do evento contou com a presença do prefeito de Iguatama e presidente da AMM, Lucas Vieira Lopes, e do secretário de Estado de Meio Ambiente, Lyssandro Norton Siqueira. Ambos destacaram que os municípios precisam ser ágeis para organizar os serviços e cumprir as metas da lei de saneamento. O presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, também participou e defendeu que os órgãos públicos devem dar o exemplo de sustentabilidade para a população e outras instituições.
 
"A água não dura para sempre e sua qualidade está ameaçada. O meio ambiente não se esgota sozinho; se não descobrirmos fontes alternativas, a energia que precisamos produzir consumiria praticamente duas Terras por ano. Esse modelo de desenvolvimento e progresso simplesmente não se sustenta. É por isso que este Tribunal tem um grupo de trabalho muito sério focado na questão dos resíduos sólidos", explicou o conselheiro.
 
O primeiro painel da tarde abordou o "Panorama da Regionalização do Saneamento em Minas Gerais" e foi conduzido pelo subsecretário de Saneamento da Semad, Anderson do Carmo Diniz. Em sua fala, foram aprofundados os impactos da redefinição do setor trazida pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). O palestrante detalhou os desafios regulatórios, o desenho das microrregiões e pontuou que os projetos da área possuem prioridade de tramitação na secretaria. Ele lembrou que o maior problema hoje não é a falta de água encanada, mas sim a coleta e o tratamento de esgoto, além do escoamento da chuva (drenagem).
 
“A questão das enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo, evidencia que investimentos adequados em drenagem reduzem danos de desastres ambientais e mostra como o Fundo Estadual de Saneamento se torna estratégico para apoiar os municípios”, completou.
 
Outro ponto importante foi a explicação sobre a adesão dos municípios à regionalização. Embora seja facultativa, caso o município opte por não aderir, a legislação exige a comprovação de capacidade técnica e financeira para manter e expandir os serviços de forma isolada. O não cumprimento dessas exigências pode gerar sanções administrativas e jurídicas. Para auxiliar as cidades menores, o subsecretário elogiou a criação de consórcios entre municípios, o que ajuda a resolver problemas graves, como o da Bacia do Rio Doce, onde 83% do esgoto e do lixo ainda vão direto para os recursos hídricos.
 
A última parte do evento tratou dos investimentos na região leste do estado com o painel "Investimento e Projetos Estruturantes de Saneamento na Bacia do Rio Doce". A secretária adjunta de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Gabriela Martins Durães Brandão, explicou que o novo acordo do estado investirá R$ 7,54 bilhões no setor. Esse modelo de verba é parecido com o que foi feito na região de Brumadinho e agora vai ajudar outras cidades. O objetivo é beneficiar uma maior parte da população mineira e transformar a realidade das áreas rurais e dos municípios de menor porte que historicamente não dispõem dessa infraestrutura.