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Minas Gerais terá gabinete de articulação para acompanhar a política de educação

16/06/2026

O conselheiro Telmo Passareli e a procuradora Cristina Melo representaram a Corte de Contas na audiência - Foto: Guilherme Bergamini / ALMG
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) vai integrar e liderar, ao lado de outras instituições, o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação em Minas Gerais (Gaepe-Minas), iniciativa voltada a induzir ações articuladas e pactuadas para a garantia do direito à Educação. O anúncio foi feito durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nessa segunda-feira (15/6), a qual teve como tema a implementação da Lei Federal 15.326/2026, que reconhece os professores da educação infantil como profissionais do magistério.
 
Segundo o conselheiro substituto do Telmo Passarelli, que participou da audiência, o novo gabinete terá atuação horizontalizada, mais colaborativa, e reunirá diferentes órgãos para identificar entraves, mapear realidades locais e indicar providências necessárias para a efetiva aplicação da norma nos municípios mineiros. 
 
"Se cada um conhece o que cada órgão precisa e as realidades específicas, acredito que temos mais chances de acertar e implementar a lei com mais sucesso", afirmou o conselheiro, ao destacar que o lançamento oficial do gabinete será conduzido pelo Tribunal, com participação de diversas entidades convidadas para a composição do grupo. 
 
Passarelli observou, ainda, que Minas Gerais enfrenta um desafio adicional por sua dimensão territorial e pela diversidade de contextos municipais. Para ele, a implementação do novo enquadramento exige esforço coordenado, começando pela análise das funções exercidas pelos profissionais da educação infantil e pela revisão das estruturas de carreira dos municípios. 
 
O conselheiro também ressaltou que, em algumas cidades, será necessário promover enquadramento e, em outras, reenquadramento ou correção de distorções já existentes. Ele defendeu a revisão dos quadros de carreira municipais e a análise dos impactos fiscais, sem que isso sirva de justificativa para o descumprimento da lei.
 
Durante a audiência, representantes da educação defenderam a aplicação imediata da norma, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a legislação do piso salarial da categoria para incluir os profissionais da educação infantil entre os docentes da educação básica. A deputada federal Luciene Cavalcante, autora do projeto que deu origem à lei, afirmou que o texto tem efeitos imediatos e depende de adequação das legislações municipais.
 
Também presente ao debate, a procuradora Cristina Melo, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (MPC-MG), afirmou que a equiparação da educação infantil ao magistério já deveria ser realidade e destacou a importância da primeira infância para o desenvolvimento humano. "Pesquisas mostram que 95% das conexões cerebrais são formadas de 0 a 6 anos, reafirmando o valor da educação infantil. Essas sinapses só podem ser feitas se essas crianças forem estimuladas. Quem vai estimular essas crianças? São os profissionais da educação infantil que estão lá e fazem esse papel", disse.
 
Ao final, a deputada estadual Beatriz Cerqueira, responsável pelo pedido da audiência, colocou-se à disposição das profissionais e reforçou a necessidade de continuidade do diálogo com os municípios para assegurar o cumprimento da legislação. 
 
*Com informações da ALMG
 
** Mais fotos da audiência: clique aqui.