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Lideranças discutem desafios jurídicos e do controle público na gestão de estatais

30/06/2026

Lideranças se reúnem no seminário 10 Anos da Lei das Estatais - Foto: Letícia Torres/TCEMG

Grandes nomes do direito e do controle público se reuniram, nesta terça-feira (30/6), para debater os avanços, desafios e o impacto da legislação (Lei nº 13.303/2016) na gestão de empresas públicas e sociedades de economia mista. O Seminário 10 Anos da Lei das Estatais, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi sediado no auditório da Cemig, em Belo Horizonte.

A mesa de abertura contou com a presença de lideranças institucionais, entre elas o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), conselheiro Durval Ângelo; o presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun; o vice-presidente jurídico da Cemig, Sérgio Pessoa; o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), João Augusto Nardes; o advogado-geral do Estado, Fábio Murilo Nazar; a presidente da OAB-RJ, Ana Teresa Basílio; e a procuradora do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas de Minas Gerais (MPC-MG), Cristina Melo.
 
Para o vice-presidente jurídico da Cemig, Sérgio Pessoa, sediar um debate tão central é importantíssimo para a eficiência das empresas públicas. Em sua fala, o anfitrião ressaltou os novos mecanismos de contratação trazidos pela lei, que permitiram um ambiente mais dialógico e garantiram que as estatais pudessem competir em igualdade de condições com o mercado privado, inclusive no setor elétrico. 
 
“Buscaremos o aperfeiçoamento contínuo do Direito para acompanhar as mudanças sociais, prevenir conflitos e abrir caminhos que consolidem a legislação de forma eficiente, ajudando a construir uma sociedade mais livre, justa e fraterna”, afirmou, quanto às projeções para a próxima década.
 
O seminário foi sediado no auditório da Cemig - Foto: Letícia Torres/TCEMG
 
Na sequência, Gustavo Chalfun reforçou o papel da advocacia e das instituições em garantir que a aplicação da norma resulte em segurança jurídica e transparência. Segundo o presidente da OAB-MG, a legislação vai além da governança e da integridade: “Ela precisa trazer competitividade para que as empresas públicas concorram em igualdade de condições com o setor privado, sem abrir mão desses pilares éticos”.
 
Em seguida, foi realizada a Conferência Magna com o tema "Controle da Administração Pública". A palestra foi ministrada pela professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, referência nacional em Direito Administrativo, com mesa conduzida pela professora Cristiana Fortini. Na oportunidade, Di Pietro contextualizou a evolução dos mecanismos de fiscalização e o equilíbrio necessário entre a autonomia das estatais e o controle por parte dos órgãos competentes.
 
Maria Sylvia Di Pietro, referência nacional em Direito Administrativo - Foto: Letícia Torres/TCEMG
 
Governança e Integridade 
 
Presidido pela professora Maria Tereza Fonseca Dias, o painel "Governança, Integridade e Profissionalização nas Empresas Estatais" contou com a participação do diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal, que debateu o tema ao lado da professora Tatiana Camarão e do procurador do MPC-MG, Daniel Guimarães. Em sua exposição, Vidigal destacou a relevância dos programas de integridade (compliance) e a urgência da qualificação contínua dos gestores.
 
“A governança, a ética e o profissionalismo são fundamentais nas estatais, mas não são o objetivo final. Eles são ferramentas para garantir que a empresa funcione bem e consiga cumprir o seu verdadeiro papel constitucional: gerar desenvolvimento nacional, reduzir as desigualdades e garantir o bem-estar da sociedade”, explicou.
 
Diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal - Foto: Letícia Torres/TCEMG
 
O diretor finalizou ponderando sobre a natureza dessas instituições, diferenciando-as do mercado particular. 
 
“O papel de buscar o lucro a qualquer custo é da iniciativa privada. As empresas estatais — como Cemig, Petrobras, bancos públicos e Embrapa — foram criadas para cumprir uma finalidade pública e social. O verdadeiro sucesso de uma estatal deve ser medido pelo lucro social, ou seja, pelo benefício que ela entrega à população, e não apenas pelo saldo financeiro positivo”, disse.