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Ata de R$221 milhões é suspensa por indícios de direcionamento

15/07/2026

Foto: Reprodução do banco de imagens

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) suspendeu, de forma temporária e urgente, a Ata de Registro de Preços nº 9/2026, resultado de uma licitação realizada pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário dos Municípios do Lago de Furnas (CIMLAGO). A disputa, com valor estimado de R$ 221 milhões, tinha como objetivo a compra de materiais educacionais para cidades da região.

A decisão foi tomada pelo conselheiro Gilberto Diniz, relator do Processo nº 1.208.091, após análise de uma denúncia que alegou que as regras da licitação limitavam a concorrência e favoreciam fornecedores específicos.
 
A licitação previa a compra de diversos materiais pedagógicos, como kits de robótica, laboratórios de ciências e matemática, livros, móveis escolares, equipamentos de inclusão e softwares educativos. No entanto, a fiscalização do TCEMG constatou que itens de áreas totalmente distintas foram reunidos em lotes únicos, o que limitou a competitividade de fornecedores especializados. O relatório apontou, por exemplo, a junção de componentes eletrônicos com armários de aço, de literatura infantil com almofadas de pelúcia, e de instrumentos de laboratório com testes de daltonismo.
 
Segundo os técnicos do Tribunal, essa prática afasta potenciais concorrentes e impede que o setor público consiga preços mais vantajosos. Também foi apurado que a descrição de alguns produtos era excessivamente detalhada, assemelhando-se a catálogos de marcas específicas, o que reforça a suspeita de direcionamento da licitação.
 
Outra falha apontada foi a falta de planejamento: os estudos iniciais do consórcio não justificaram o agrupamento dos itens dessa forma, nem comprovaram a real necessidade de cada município participante. Além disso, a quantidade de materiais foi definida antes mesmo da conclusão do estudo técnico.
 
Na prática, essas restrições prejudicaram a concorrência no processo. Mesmo sendo uma contratação de grande porte, superior a R$200 milhões, uma única empresa — a ABCD Distribuidora de Livros Ltda. — apresentou propostas para a maioria dos lotes, vencendo quase todo os lotes da licitação. Diante dessas evidências, o conselheiro Gilberto Diniz entendeu que havia motivos suficientes para paralisar a aquisição. Ele destacou que existem indícios claros de irregularidades e que, como a ata de registro de preços já havia sido assinada, novos contratos e gastos públicos baseados em regras sob suspeita poderiam começar a qualquer momento.
 
O relator determinou a imediata suspensão da ata de preços, proibindo o consórcio e os municípios associados de assinar novos contratos com base nessa licitação. Os responsáveis pelo CIMLAGO e a empresa vencedora foram notificados da decisão para que cumpram a ordem e apresentem suas defesas dentro do prazo legal. O processo continuará em análise no TCEMG para o julgamento definitivo.
 
A medida cautelar busca evitar novas contratações baseadas em uma licitação sob suspeita até que o mérito do processo seja analisado pelo Tribunal, preservando a competitividade e a correta aplicação dos recursos públicos.