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Políticas inclusivas são tema de debate do IV Congresso de Comunicação

04/08/2026

Na manhã desta terça-feira (4/8) o IV Congresso Nacional de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC) trouxe  a “inclusão” para o centro do debate. Em painel sobre "Comunicar para todos: estratégias inclusivas para ampliar a participação democrática", a jornalista Larissa Carvalho e o coordenador-geral de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Jersey Simon, encerraram a programação da manhã,  discutindo as políticas públicas inclusivas  para aproximar os Tribunais de Contas da sociedade.
 
Com a mediação do conselheiro em exercício do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Telmo Passareli, os palestrantes  foram unânimes em afirmar que a comunicação pública precisa alcançar todos os públicos. E que adotar linguagem simples, recursos de acessibilidade como libras e auto descrição, além de pensar em canais diversos, é fundamental para ampliar a participação social. 
 
"Inclusão é fazer com que a mensagem chegue até o outro", destacou Telmo. Ao citar a ministra, jornalista e ativista Edilene Lobo, reforçou: "devemos dar voz ao outro porque detemos os meios".
 
Larissa Carvalho, emocionada,  dividiu sua trajetória pessoal. Mãe de João e de Théo, este último diagnosticado com doença rara, atribuída primeiramente à falta de oxigênio no nascimento, vindo a descobrir mais tarde  que a doença, responsável por matar os neurônios do filho, estava associada  à intolerância a alguns alimentos. 
 
Larissa relatou a luta para descobrir a causa da deficiência do filho e para ampliar o Teste do Pezinho no SUS. A mobilização resultou na Lei 14.154/2021, que tornou o exame mais abrangente em todo o país, beneficiando inúmeras crianças que não têm condições de pagar pelo teste. “Por trás de cada Théo, existe uma família que luta incessantemente", afirmou. Larissa sensibilizou os presentes ao salientar a necessidade imperiosa de que as políticas públicas alcancem um número cada vez maior de crianças com deficência, tendo em vista o alto custo do tratamento. 
 
A jornalista alertou para o capacitismo - discriminação e preconceito direcionado a pessoas com deficiência. Defendeu o letramento nas escolas. "É preciso que as crianças sejam mais receptivas, que aprendam a brincar, a acolher as pessoas com deficiência (PCDs)", ressaltou Larissa, que ainda reforçou a necessidade de “que sejamos aldeia, rede”, extrapolar o nosso próprio mundo e socorrer também quem está em nosso entorno.
 
Já Jersey Simon, com quase 15 anos de jornalismo, compartilhou suas experiências, remontando à infância e  ao preconceito enfrentado para cursar uma faculdade e ocupar cargos  de liderança, dada à cor negra. Esclareceu que investir na diversidade e nas políticas inclusivas é cumprir com a legislação. “Existem muitas leis que tratam da inclusão, embora a gente ainda esteja engatinhando nesse aspecto”, afirmou. 
 
Jersey Simon trouxe para o debate as práticas adotadas no TCE-RJ para democratizar o acesso à informação, com linguagem simples, que possa ser entendida por todas e todos. Complementou que precisamos desenvolver competências inclusivas para as práticas comunicacionais e que para isso é preciso combater nossos “vieses inconscientes”, expressão utilizada para dizer que certos preconceitos já nos são repassados desde que nascemos e contribuem para moldar o jeito de vermos o mundo e as pessoas. 
 
Citou  o caso de George Floyd, morto nos Estados Unidos,  que ilustra o racismo estrutural, e, reforçando ainda mais a presença do preconceito racial em todos os ambientes, propôs o  que chamou de “teste do pescoço", que consiste em entrar numa sala, olhar para um lado e para o outro, e se perguntar “quem serve o café, quem varre o chão, quem retira o lixo?". 
 
Simon provocou os presentes, indagando: “o que eu e você estamos fazendo para promover a diferença em nosso ambiente de trabalho"? Ao citar o líder norte-americano Martin Luther King - “o que me deixa triste não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” -, o coordenador defendeu que os consumidores assumam a responsabilidade de romper o silêncio e garantam que nunguém fique de fora da conversa pública. 
 
IV CNCTC
O IV Congresso de Comunicação dos Tribunais de Contas (CNCTC) acontece na histórica cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, nos dias 3 e 4 de agosto. O evento é realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB). O IV CNCTC tem patrocínio da Prefeitura Municipal de Nova Lima e apoio da Abracom, Audicon, Conselho Nacional de Presidentes dos TCs, Asur e Prefeitura de Ouro Preto.
 
 
Denise de Paula - TCE/MG