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Primeiros painéis do Enapac abordam inovação, contencioso e Lei de Licitações

06/08/2026

Painel sobre o Contencioso, no primeiro dia do congresso - Foto: Hernando Garcia/TCEMG

Contencioso e Licitação foram os temas dos painéis do primeiro dia do II Encontro Nacional de Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas (Enapac), em andamento na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) em 2026.
 
As apresentações da primeira Mesa, dedicada ao Contencioso, foram conduzidas pela jurista, advogada e ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Edilene Lôbo; pela conselheira corregedora do TCE-MA, Flávia Gonzalez; pelo conselheiro do TCM-BA e presidente da Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom), Nelson Pellegrino, e pelo presidente do TCE-PE, Carlos da Costa Pinto Neves. A mediação das discussões foi feita pela desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), Mônica Aragão.
 
Em sua fala, a ministra Edilene Lôbo destacou a evolução das tecnologias de inteligência artificial (IA) e seu uso no poder judiciário. Ela questionou em que medida se pode falar do controle de riscos na aplicação da IA no exercício da judicatura, bem como o mau uso, a manipulação e os vieses a que as soluções tecnológicas estão sujeitas. No âmbito do judiciário, a ministra reforçou que os perigos apresentados pela IA podem ser enfrentados por meio de auditorias feitas pelos órgãos de controle para identificar se as ferramentas de inteligência artificial podem continuar a ser usadas.
 
A palestra da conselheira corregedora do TCE-MA, Flávia Gonzalez, abordou o fortalecimento institucional do Controle Externo. Isso se dá por meio de garantias oferecidas aos tribunais de contas, tais como a autonomia constitucional, a independência e a equidistância em relação aos demais poderes. Nesse sentido, o papel das procuradorias, assessorias e consultorias ganha ainda mais relevância, uma vez que esses órgãos atuam na defesa das atividades desenvolvidas pelas instituições de controle.
 
Por sua vez, Carlos da Costa Pinto Neves, presidente do TCE-PE, ressaltou que os profissionais que atuam na área jurídica levam adiante o pós-julgamento das decisões dos tribunais de contas. Ele destacou também a transformação pela qual o Controle Externo passa: de uma atuação puramente legal, as Cortes de Contas agora buscam se aproximar da população e das/os gestoras/es públicos por meio de diálogo e consenso. Para esse novo modelo de tribunal, é preciso que os/as procuradores/as, assessores/as e consultores/as sejam cada vez mais fortes.
 
Por fim, Nelson Pellegrino focou sua apresentação nas possibilidades trazidas pelas atualizações da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), realizadas em 2018. Segundo o conselheiro do TCM-BA, elas têm como grandes eixos o consequencialismo, o consensualismo e a segurança jurídica. Isso permitiu ampliar as atividades das procuradorias e assessorias. Além de zelar pela boa gestão da estrutura jurídica interna dos tribunais, elas podem ser chamadas a opinar em relação a aspectos da aplicação e interpretação da lei conforme as novas orientações da LINDB.
Mesa de Licitação
 
O segundo painel da tarde foi voltado às licitações. A Mesa foi composta pela professora e especialista em Auditoria e Inovação no Setor Público, Christianne Stroppa; pelo procurador do Estado de MG, Eduardo Grossi; e pelo advogado e doutor em direito do Estado, Rony Charles. A mediação foi feita pela consultora-geral adjunta do TCEMG, Marina Maseli.
 
As discussões abordaram a Lei nº 14.133, que trata de Licitações e Contratos Administrativos. Entre os temas apresentados, a professora Christianne Stroppa citou as inovações que a lei trouxe para as procuradorias jurídicas, como a definição das linhas de defesa, prestação de contas, rastreabilidade, análise consequencialista e atuação preventiva. No entanto, para ela, a principal novidade é a gestão de risco jurídico.
 
Já Ronny Charles refletiu, entre os desafios das assessorias jurídicas, sobre a necessidade de se analisar com profundidade e qualidade processos numerosos e complexos. Também defendeu que a lei nº 14.133 é flexível ao permitir que gestores/as usem inovações e ferramentas para uma contratação pública mais eficiente, o que proporciona soluções proativas, construtivas e arrojadas para a evolução da Administração Pública.
 
Para encerrar as atividades do dia, o procurador Eduardo Grossi também mencionou o modelo das linhas de defesa e apresentou como as procuradorias podem ajudar a gestão de risco jurídico. No estado de MG, por exemplo, foi feito um trabalho para verificar como o mercado reagia aos editais analisados pelas procuradorias e, com base nas informações referentes a pedidos de esclarecimento e impugnação aos editais, identificar e tratar os riscos. Para ele, a lei nº 14.133 veio para tirar as procuradorias da zona de conforto e, de uma análise meramente legalista, colocá-las como agentes colaboradores de governança do funcionamento das instituições.
 
Segundo painel tratou das Licitações - Foto: Hernando Garcia/TCEMG

Sobre o evento
 
O II Enapac, realizado em Belo Horizonte, é uma iniciativa do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e do Instituto Rui Barbosa (IRB).