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Sistema Tribunais de Contas formaliza criação de rede de lideranças das unidades jurídicas

06/08/2026

Minas Gerais sediou a segunda edição do Enapac - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
A Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) oficializou, nesta quinta-feira (6/8), em Belo Horizonte,  a formação da Rede de Lideranças das Unidades Jurídicas dos Tribunais de Contas (Rejur). Criada em parceria com o Instituto Rui Barbosa (IRB), a rede colaborativa foi apresentada neste último dia de programação do II Encontro Nacional de Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas (II Enapac), realizado na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), nesta quarta e quinta-feira (5 e 6/8).
 
"Venho acompanhando o movimento das procuradorias, consultorias e assessorias jurídicas desde o evento em Foz de Iguaçu, no congresso internacional. Esse movimento cresce a cada dia", afirmou o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), Carlos Thompson. "Acho de fundamental importância sairmos daqui com a ideia de que a função dos senhores e das senhoras é primordial para o fortalecimento das nossas instituições", reiterou Thompson, que representou o coordenador da Rejur e vice-presidente de Relações Jurídico-Institucionais da Atricon, Carlos Neves.
 
De acordo com a procuradora-geral do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), Gláucia Mattjie, a rede iniciou seus trabalhos em julho com 29 tribunais de contas integrantes. "Em pouco tempo, acredito que a gente esteja com a unanimidade da adesão. Essa é a intenção", reforçou.
 
Enapac: Boas práticas 

O período da tarde deste segundo dia de congresso também foi dedicado à apresentação de boas práticas, tanto do Contencioso quanto do Consultivo dos tribuinais de contas.

Contencioso

O consultor-geral do TCE-RN, Leonardo Medeiros Jr., apresentou a criação de uma API (ponte digital) após a identificação de um ponto cego na triagem de processos e atraso na disponibilização de informações essenciais para a tomada de decisões. "Nosso objetivo era acessar diariamente todos os processos públicos de que o Estado é parte", detalhou. Com a ferramenta, os sistemas da Procuradoria-Geral e do TCE-RN agora conversam, melhorando o acesso aos números e dados estratégicos. "Isso tudo faz com que a gente trabalhe de forma proativa", enfatizou.

Em seguida, a procuradora-geral do TCE-SC, Gláucia Mattjie, falou sobre a legitimação dos tribunais de contas para provocação do controle concentrado de constitucionalidade. "A intenção do tribunal é dar mais segurança jurídica para os jurisdicionados. Não seria, evidentemente, uma ampliação dos poderes, mas uma legitimidade para propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI)", explicou. As conversas com a Assembleia Legislativa (de Santa Catarina) estão em andamento para avançar nesse objetivo.

Já o assessor-chefe da Assessoria Técnico-Jurídica do TCE-BA, Wendel Ramos, trouxe uma apresentação sobre extinção da execução fiscal de títulos de baixo valor, considerando-se o piso previsto em lei. "A solução que estamos propondo seria um incentivo aos tribunais em protestar os seus próprios títulos. O TCE-BA o faz desde 2018, com resolução própria", destacou. A jurisprudência, segundo Wendel, contribui para coibir, por exemplo, a ocorrência de extinções de execuções dos tribunais de contas.

O subprocurador-geral do TCEMG, Aloysio Ximenes, também levou ao público uma boa prática. No caso, ele ressaltou a utilização de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida contra a lei que criou a Procuradoria do TCEMG como instrumento para fortalecer e respaldar a atuação do tribunal mineiro. "A procuradoria jurídica tendo uma atuação firme, tendo legitimidade e autonomia, ela acaba reforçando a segurança para poder ter implementação de garantias", pontuou.

A mesa foi presidida pelo consultor-geral do TCEMG, João Alves. Ele enfatizou que essas trocas de experiências são "importantes para a elevação da capacidade profissional da equipe, mas também para garantia das prerrogativas constitucionais dos tribunais de contas". A respeito da importância do Enapac, a representante de Santa Catarina, Gláucia Mattjie, complementou: "(Esses encontros) mudam nossa forma de ver, a gente vê que não está sozinha e que os problemas que temos geralmente se repetem nos outros estados. Com isso, conseguimos fazer esse trabalho de dialogar e de crescer a partir das diferenças, chegando a objetivos comuns".

Primeira mesa trouxe boas práticas do Contencioso - Foto: Vinícius Dias/TCEMG

Consultivo

Já as boas práticas do Consultivo foram trazidas por representantes dos tribunais de Pernambuco (TCE-PE); Rio Grande do Norte (TCE-RN); Minas Gerais (TCEMG); e do município de São Paulo (TCM-SP). A mesa foi liderada pelo procurador-geral do TCEMG, Thiago Morais. "Espero que as práticas aqui apresentadas possam inspirar os colegas das unidades jurídicas", vislumbrou o procurador.

O assessor jurídico chefe do TCM-SP, Sandro Mongelli, falou sobre a criação de um padrão de resposta para demandas urgentes. Da assessoria, a ideia de um banco de precedentes foi expandido também para questões de governança, questões envolvendo o fluxo interno de processos do tribunal, entre outros exemplos. "Isso trouxe bastante celeridade", afirmou. 

Na sequência, o procurador-chefe do TCE-PE, Aquiles Bezerra, tratou da tentativa de demonstrar a importância e, até mesmo a dificuldade, de internalização de decisões de precedentes qualificados. "E não somente aqueles elencados no Código de Processo Civil. Falo de todos os precedentes que têm como objetivo racionalizar a aplicação do direito no sistema de Justiça", explicou. "A boa prática que a gente tem a trazer para cá, e até um apelo, é que a gente tente convencer os gestores, conselheiros de incorporar o máximo possível desses precedentes", disse.

Por fim, o consultor-geral do TCEMG, João Alves, levou como experiência positiva a oficina de "Compliance Eleitoral e Vedações Legais (Responsabilização dos agentes)", inserida no Encontro Técnico TCEMG e os Municípios, iniciativa de aproximação da Corte de Contas com as instituições fiscalizadas e acompanhadas. 

"Conseguimos fazer um trabalho interessante porque, apesar de as eleições serem estaduais e federais, a gente tem riscos para o gestor municipal, como a utilização indevida da máquina pública em favor dos candidatos, por exemplo", contextualizou. "Fizemos oficinas de sensibilização com gestores municipais sobre esses riscos e como prevenir isso, transmitindo as regras sobre como funciona o processo para gestores e gestoras municipais, equipes jurídicas e administrativas, controle interno e demais agentes, dando segurança jurídica para a administração, para os jurisdicionados nesse período", afirmou.

Painel final do Enapac trouxe experiências positivas na atuação do Consultivo - Foto: Vinícius Dias/TCEMG

Enapac 2027

A próxima edição do Encontro Nacional de Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas (Enapac) será no Rio de Janeiro, no ano que vem. O evento, que já passou por Santa Catarina e, agora, Minas Gerais, representa uma oportunidade para consolidar as Procuradorias, Assessorias e Consultorias dos Tribunais de Contas como essenciais para a efetividade do Controle Externo e para o fortalecimento da Administração Pública.