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Sempre Um Papo leva ao Tribunal a obra e a persona Rita von Hunty

09/09/2026

Rita von Hunty discute sobre a construção das narrativas, defendendo que o normal e o anormal são narrativas históricas - Foto Hernando Garcia/TCEMG

O projeto Sempre Um Papo – 40 anos trouxe a Belo Horizonte a comunicadora, escritora e intelectual Rita von Hunty. Na capital mineira, von Hunty, persona artística e drag quem criada pelo ator, professor e letrólogo brasileiro Guilherme Terreri, subiu ao palco do auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) para lançar sua primeira obra literária “Formas de Narrar um Corpo”. O evento aconteceu na noite de terça-feira (8/9).

Na obra, Rita von Hunty mostra que os seres humanos são produto da cultura, das relações sociais. Nada é ou deve ser entendido como natural ou naturalizado. Ela defende que quem tem o poder na sociedade (político, econômico e cultural) cria narrativas dominantes e essas narrativas definem quem fica no centro e quem é empurrado para a margem.

“Formas de Narrar um Corpo” foi publicado pela editoria Planeta e integra a coleção “Reticências”. A proposta é levar para o papel aulas ministradas pelos autores para turmas limitadas, formadas por profissionais de diversas áreas, a partir de perguntas elaboradas pelos estudantes.

 Foto:Hernando García/TCEMG

Neutralidade

Rita von Hunty defende que a “uma história nunca é neutra”. “Quando passamos a entender que existem regras e que essas regras são definidas, de forma interessada, por um determinado grupo social, “temos a chance e a liberdade de reescrever a nossa própria história”, sentenciou.

O livro apoia-se em três premissas: somos produtos da cultura; a sociedade é marcada por jogos de poder; e os discursos e narrativas sobre o corpo são atos políticos. Rita von Hunty recorre a pensadores da sociologia, da psicanálise, do feminismo e da teoria queer para, em diálogo com esses pensadores, construir a argumentação de que as identidades não são "naturais", mas sim construídas material e historicamente.

Nome-conceito

 Foto: Hernando García/TCEMG

A adoção do nome Rita von Hunty é ato político. Para chegar à composição final, Guilherme Terreri fez uma colagem de referências da cultura pop e do universo queer. O primeiro nome, Rita, é uma homenagem a Rita Hayworth, uma das mais importantes divas do cinema clássico de Hollywood dos anos 1940, famosa pelo filme Gilda. Von é uma referência estética e uma homenagem a Dita Von Teese, dançarina e modelo norte-americana que revitalizou o estilo e a cultura do teatro burlesco e das pin-ups (teatro de variedades que mistura humor, sátira, música e erotismo).

E Hunty está diretamente associado às raízes da cultura LGBT+. No universo das drag queens norte-americanas (popularizado globalmente por programas como RuPauls Drag Race), hunty é uma gíria e um jogo de palavras que junta honey (querido/doce) com cunt (uma palavra obscena para a genitália feminina, frequentemente ressignificada na subcultura drag).

Acompanhe, na íntegra, a conversa entre Afonso Borges, jornalista e criador do Sempre Um Papo, e Rita von Hunty.

Imagens da presença de Rita von Hunty pelo TCEMG - Fotos por Hernando García/TCEMG