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Seminário cultural celebra criação de Lei contra violência doméstica

18/09/2026

Coral Kolping se apresenta em Auditório Vivaldi Moreira no TCEMG (Foto: Verônica Manevy)

“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça!”. Os versos da canção Maria Maria, assinada por Milton Nascimento e Fernando Brant, clamam pela força e resiliência feminina. E não haveria melhor maneira de iniciar o evento em celebração aos 20 anos da criação da Lei Maria da Penha, realizado no dia 18 de setembro, pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais. Entoada pelo Coral Kolping, vindo de Felício dos Santos, no Vale do Jequitinhonha, a música se tornou um símbolo da resistência da mulher aos enfrentamentos sociais.

O presidente do TCE mineiro, conselheiro Durval Ângelo, afirmou que celebrar a criação da Lei é “reconhecer uma transformação fundamental na maneira como o estado brasileiro passou a compreender a violência doméstica contra a mulher e também fazer uma pergunta que não podemos evitar.” Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no primeiro semestre deste ano, 732 casos foram contabilizados no Brasil. O relatório ainda registra que, nos três primeiros meses do ano, o país registrou uma vítima a cada 5 horas e 25 minutos, representando uma alta de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

A norma nº 11.340/2006 é a principal ferramenta da legislação nacional que previne, pune e busca erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher. Sancionada em agosto de 2006, a determinação homenageia a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídios cometidas pelo ex-marido e ficou paraplégica em decorrência de um tiro.

Durante a fala de abertura, Durval Ângelo destacou a auditoria operacional nº 1.095.283, realizada pelo Tribunal, dedicada às ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Entre os pontos descobertos, o trabalho realizado pelo TCEMG concluiu que não há cobertura suficiente de serviços especializados de atendimento às vítimas de violência doméstica no Estado; há mulheres vítimas de violência doméstica sem assistência jurídica gratuita que deve ser proporcionada pela Defensoria Pública; entre outos apontamentos. O Tribunal de Contas fez recomendações à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e mantem o monitoramento desses apontamentos.

Além do conselheiro-presidente, a cerimônia de abertura também contou com a participação da gestora e curadora cultural Letícia Bertelli; da representante do Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário, a juíza Lívia Borba; e da superintendente da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, desembargadora Kárin Emmerich.

Ministra aponta arte como via salvadora

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia foi a responsável pela conferência de abertura do evento em celebração ao 20º aniversário da Lei Maria da Penha.

Mineira, nascida na cidade de Espinosa, região Norte do Estado, Cármen citou Minas Gerais como um grande exemplo da riqueza da cultura produzida pela sociedade. A ministra falou sobre o direito constitucional da produção e acesso à cultura como ferramenta para denunciar, criticar, expor novas ideias, novas formas de interpretar e espaço de liberdade. “O Direito aprende, com a arte, a ouvir o que a população quer” e, dessa forma, se reinventa a partir das necessidades da população. Cármen ainda apontou a arte como um caminho salvador para mitigar a violência em qualquer esfera, já que através das manifestações artísticas a sociedade consegue expressar vulnerabilidades e ter liberdade de expressão.

Programação

Ainda na parte da manhã, a compositora e produtora cultural Deh Muss convidou a cantora Titane, a doutora em História Cultural Carô Murgel e a compositora e poetisa Alice Ruiz para debater o tema “Vozes da resistência ao apagamento das mulheres na música brasileira”. As participantes falaram sobre os embates que encontraram na produção de artes e até no meio acadêmico.

O Governo Federal disponibiliza um número de telefone da Central de Atendimento à Mulher para receber denúncias e pedido de auxílio às mulheres que sofrem violências. O 180 é gratuito, confidencial e funciona todos os dias da semana, por 24 horas. O serviço também é oferecido via WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180.