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Futuro da Lei Maria da Penha e atuação em rede para proteção à mulher ganham destaque na sequência da programação

18/09/2026

As participantes do painel '20 anos da Lei Maria da Penha. É possível vislumbrar o futuro?' / Reprodução TV TCEMG

O seminário "20 anos da Lei Maria da Penha no Brasil: uma contribuição da cultura" retomou a programação, na tarde desta sexta-feira (18/9), embalado pelas vozes e pelos movimentos das Meninas de Sinhá.

Na sequência, especialistas subiram ao palco para participar da última mesa do dia, intitulada "20 anos da Lei Maria da Penha. É possível vislumbrar o futuro?". Com mediação da juíza de Direito da Comarca de Contagem, Marina de Alcântara Sena, o debate reuniu a juíza de Direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Laís Lopes; a procuradora de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Carla Araújo; e a representante do Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário e juíza de Direito do TJMG, Lívia Borba.

Ao abrir a discussão, a moderadora Marina de Alcântara destacou a importância de manter o debate sobre a legislação e de ampliar o acesso das mulheres ao Sistema de Justiça. "São 20 anos (da Lei Maria da Penha), mas ainda assim a gente precisa muito conversar sobre ela. Existem milhares de mulheres que não chegam no Sistema de Justiça até hoje. Por mais que a gente converse, divulgue, que tenhamos índices de condenação elevados, ainda assim o sistema está muito distante de muitas de nós. Então, é muito importante a gente continuar falando sobre isso", destacou a moderadora.

Ao longo do painel, as participantes abordaram diferentes aspectos da Lei Maria da Penha, como as formas de acesso à legislação e as iniciativas práticas existentes para garantir sua aplicação da maneira mais efetiva possível.

Nesse contexto, Carla Araújo chamou atenção para a dimensão da violência doméstica e para o silêncio que frequentemente envolve as vítimas. "Pelo menos 1/3 das mulheres já passou, passa ou passará por uma violência doméstica", alertou Carla. "E nossas Marias (nome selecionado pela palestrante para se referir a todas as mulheres em apresentação) não vão mostrar para ninguém que sofre violência. Não conversa com a mãe, a irmã, com a amiga e nem contar para os filhos". observou, quanto à luta muitas vezes solitária e silenciosa.

Segundo a especialista, o caminho para superar a violência não é rápido, mas a saída é possível e deve envolver toda a sociedade. "É isso que a gente quer. Quando digo a gente é o Sistema de Justiça, é a rede de proteção, homens e mulheres, não é só uma vontade das mulheres. É para a sociedade", reforçou.

A juíza de Direito do TJMG Laís Lopes enfatizou, por sua vez, que o Direito, isoladamente, não é suficiente para transformar a realidade. Para ela, a efetividade das decisões depende da articulação entre diferentes instituições e profissionais. "Essa transformação vem de uma atuação em rede, em grupo. Você poder proteger a mulher depende de todos estarem envolvidos nisso", reiterou Laís.

A também juíza de Direito do TJMG Lívia Borba completou a rodada de debates ressaltando que o enfrentamento à violência contra a mulher exige a revisão permanente das práticas institucionais. "Esse tema nos atravessa e nos incomoda. Não dá para falar disso sem pensar nas nossas práticas. Por isso é tão difícil", afirmou. Ela destacou, nesse sentido, a importância do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, de uso obrigatório. "Esse documento é tão importante porque, pela primeira vez, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconheceu que as questões de gênero, a influência do patriarcado, do machismo, do sexismo, do racismo e da homofobia são transversais a todas as áreas do direito", ressaltou.

Outros destaques

Além dos debates sobre a Lei Maria da Penha, o seminário marcou o lançamento do livro "Dercy - a diva debochada", da jornalista Adriana Negreiros. A obra foi apresentada em uma mesa de debates que contou com a participação da juíza de Direito Mariana Siani e da mestre em Educação Giovanna Ottoni.

Ao comentar a trajetória da artista, Adriana Negreiros destacou sua força e capacidade de resistência. "Para Dercy, tudo era uma grande batalha. Uma mulher que não desistia; resistia. Desistir nunca foi uma opção", contou a autora. "Para ela, a vida era um trabalho e foi por meio dele que ela conseguiu sobreviver", destacou Adriana.

A programação ainda reservou espaço para a apresentação dos resultados de uma auditoria operacional realizada pelo TCEMG sobre as ações do Estado de Minas Gerais de enfrentamento à violência contra a mulher. A servidora Janaína Evangelista foi responsável por detalhar a iniciativa, realizada em 2020 e considerada a primeira do Tribunal nessa temática. Relembre clicando aqui.

Na sequência, a programação retomou as manifestações artístico-culturais com o Sarau Sonora, que teve apresentações de Deh Muss, Sol Bueno e Gabriela Viegas.

A íntegra do seminário está disponível na TV TCEMG, no YouTube.

Veja galeria de fotos do seminário (Crédito: Veronica Manevy/TCEMG):

 Seminário - 20 anos da Lei Maria da Penha