Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

TCEMG propõe grupo de trabalho para debater impactos da Reforma Tributária nas políticas culturais

20/03/2026

Diretor-geral do Tribunal destacou a importância do planejamento nas políticas públicas - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
O financiamento da cultura como política de Estado e os efeitos da Reforma Tributária estiveram no centro dos debates que encerraram, nesta sexta-feira (20/3), o Seminário Mineiro “Os Impactos da Reforma Tributária no Orçamento Cultural”, promovido pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCEMG). Especialistas e gestores públicos discutiram os desafios para a manutenção e o aprimoramento dos mecanismos de fomento à cultura, especialmente diante das mudanças no sistema tributário.
 
O seminário resultou na criação de um Grupo de Trabalho, organizado pelo Tribunal de Contas mineiro, para debater os impactos da Reforma Tributária no financiamento das políticas públicas no setor da cultura. O projeto foi anunciado, no final do evento, pelo presidente do TCEMG, Durval Ângelo. A portaria com a composição e prerrogativas do grupo será publicada pelo Tribunal nos próximos dias.
 
Em uma das mesas de debates, o diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal, defendeu a institucionalização da cultura como política pública. Segundo ele, a cultura deve ser tratada como direito fundamental e eixo estratégico da gestão, com planejamento estruturado, metas claras e indicadores de resultado. Vidigal afirmou que a cultura é instrumento direto para a realização dos objetivos republicanos e destacou a importância de políticas contínuas, como fundos de financiamento, além da valorização da diversidade no investimento público.
 
O conselheiro estadual de Políticas Públicas, Cassiano Maçaneiro, ressaltou a necessidade de consolidar a cultura como política pública relevante e apresentou experiências de fomento cultural em municípios mineiros. Ele destacou que o apoio à cultura contribui para a manutenção econômica de atividades e para o fortalecimento das comunidades locais, embora ainda existam desafios na execução dessas políticas.
 
Já o secretário municipal de Cultura de João Pessoa, Marcus Alves, afirmou que o debate sobre a Reforma Tributária exige a retomada do histórico das políticas culturais no país. Ele destacou o aumento da demanda por atividades culturais no período pós-pandemia e avaliou que os municípios precisam se preparar para reorganizar e formalizar a cadeia produtiva da cultura diante das novas regras.
 
Reforma Tributária e ICMS Cultural
 
Em outra mesa, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, apresentou um panorama das leis de incentivo à cultura e destacou a relevância do ICMS Cultural para os municípios mineiros. Segundo ele, a possível substituição do tributo pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pode impactar os repasses destinados à área, exigindo a criação de novos mecanismos de incentivo em âmbito estadual.
O técnico da área cultural da Associação Mineira de Municípios, Ramon Diniz, chamou atenção para o período de transição da Reforma Tributária e a necessidade de que os municípios se preparem para implementar novas formas de apoio ao setor cultural.
 
Representando o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, o secretário Moisés Mota destacou o papel do ICMS Patrimônio Cultural na descentralização de recursos e na indução de políticas públicas locais. Ele alertou para o risco de perda de patrimônio cultural sem mecanismos de incentivo, mas avaliou que a Reforma Tributária também pode abrir espaço para um modelo mais estruturado e transparente de financiamento.
 
O diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), Saulo de Paula, enfatizou a importância da preservação do patrimônio histórico e artístico no estado. Ele mencionou o avanço de indicadores e a ampliação da participação dos municípios nas políticas de proteção, além da existência de legislações locais voltadas ao tombamento e à gestão do patrimônio cultural.
 
Ao final, especialistas das áreas cultural e fazendária debateram aspectos técnicos e formais para a operacionalização do fomento indireto da cultura com a Reforma Tributária, com o horizonte de que, em 2032, extingue-se o ICMS e o ISS e, com isso, as leis de incentivo estaduais e municipais.
 
Eduardo Silveira (assessor da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais), Pedro Meneguetti (secretário Municipal de Fazenda de Belo Horizonte), André Leonardi (gerente-geral da Companhia Siderúrgica Nacional), Bruno Borges (gerente de Fomento da Secretaria de Cultura de Belo Horizonte) e Carlos Paiva (assessor especial do Ministério da Cultura) trouxeram informações constitucionais, preceitos legais, normas técnicas e desafios para o fomento cultural com a Reforma Tributária.
 
O encerramento das atividades contou com a presença, ainda, do procurador-geral do Ministério Público de Contas, Marcílio Barenco, e do coordenador do TCE Cultural, João Miguel. 
 
 
 

 
Notícias relacionadas:
 
 
Seminário "Os Impactos da Reforma Tributária no Orçamento Cultural" (20/3)
 
Tarde - TCEMG propõe grupo de trabalho para debater impactos da Reforma Tributária nas políticas culturais (Você já está nesta notícia)
Manhã - "Não se faz cultura e políticas públicas sem recursos", afirma presidente do TCEMG
 
---
 
Seminário "Implementação dos Sistemas Municipais de Cultura" (19/3)
 
Tarde - Pactuação e representatividade entram em pauta em seminário sobre políticas culturais
 
Manhã - TCEMG realiza seminário e debate Cultura como identidade da sociedade
 

 Seminário Mineiro "Implementação dos Sistemas Municipais de Cultura"