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Tribunal de Contas recebe 2º Seminário Internacional Pró-Reparações

10/11/2025

Coordenador do Núcleo TCE Cultural, João Miguel destacou a importância da adesão a essa causa - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), por meio de seu Núcleo TCE Cultural, iniciou oficialmente, nesta segunda-feira (10/11), o 2º Seminário Internacional Pró-Reparações, com o tema "Um projeto de nações: diaspórico, popular e panafricanista". O Tribunal é uma das instituições parceiras para realização do seminário, que integra a programação preliminar do evento "Caminhos para a consciência" (clique aqui para saber mais).
 
O ciclo de debates, que segue até esta terça-feira (11/11), reúne mais de 10 painéis temáticos, com presença de autoridades internacionais, lideranças de movimentos sociais, ativistas da diáspora e do continente africano, artistas, intelectuais e parlamentares negras e negros.
 
Na abertura do evento, o coordenador do Núcleo TCE Cultural, João Miguel, representando os conselheiros da Corte de Contas, destacou a importância de se abrir as portas para ações como essa.
 
"É sinal de compromisso e comprometimento do Tribunal de Contas e, acima de tudo, um sinal de que temos muito a debater, a discutir e muito a aprender", afirmou. "Espero que o TCEMG possa, daqui para frente, estar mais afetiva e efetivamente junto dessa que é uma causa da nação brasileira, que precisa se reconhecer na sua história a partir da história que não foi escrita", enfatizou.
 
Ritual inicial
 
A coordenadora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Makota Celinha, a professora e educadora popular Ajoiê Luci de Nanã, fizeram o ritual inicial.  Elas subiram ao palco acompanhando a coordenadora do Coletivo Minas Pró-Reparações, Diva Moreira, referência na luta por Justiça Racial e Direitos Humanos, além de primeira secretária municipal de Assuntos para a Comunidade Negra, em Belo Horizonte.
 
"Para nós, Diva, esse evento é a coroação de todo o esforço que você traz. Você traz consigo toda uma ancestralidade. É alguém de quem nós nos orgulhamos muito de ter conosco. A gente sabe das dificuldades para se fazer essas construções", disse Makota.
 
"Todas e todas nós que construímos no dia a dia uma luta antirracista sabemos o que significa. E a nossa ancestralidade, nesse momento, com certeza celebra a resistência, porque todos nós sabemos que não há dinheiro no mundo que repare a humilhação que foi a escravização dos corpos pretos. Não há dinheiro no mundo que pague o que nossos ancestrais passaram e o que nós, ainda hoje, passamos em um país extremamente racista. O que nos mantém de pé é a nossa fé, é a nossa ancestralidade", completou.
 
Em seguida, a Yalorixá Andreia de Oya foi chamada, com os dois filhos, para, dentro da tradição da matriz africana, dar as boas-vindas aos presentes com a bênção de um pó sagrado, chamado pemba, para que o axé pudesse ser espalhado por todos.
 
"Que bom que a gente vê, hoje, nosso povo aqui falando sobre reparação social, reparação racial. Que Exu possa falar pelas nossas bocas, trazer o movimento", reforçou Mãe Andreia. "Que a gente construa uma nova história, não só do lado de fora, mas aqui dentro dessas casas que falam que nos representam. E a gente quer ser representada - de verdade - nesses lugares", enfatizou. 
 
Tradição e fé: ritual antecedeu a composição do dispositivo de honra - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
 
 
Pró-reparações
 
A coordenadora do Coletivo Minas Pró-Reparações, Diva Moreira, deixou reflexões para o público, em mensagem que fechou o período da manhã. "Este país que vocês conhecem é, simultaneamente, credor e devedor das reparações. O Brasil participou do tráfico negreiro, do tráfico de escravizados", lembrou.
 
"Todas as pessoas que me conhecem sabem que eu não posso ver um microfone. Mas não é porque sou exibicionista não; é porque nos calaram durante séculos nesse país. E, como diria Domitila Bairros, se me permitem falar, aí eu disparo", complementou Diva.
 
Pouco antes, o secretário-geral da Organização de Cooperação do Sul (OCS), Manssour Bin Mussallam, palestrou remotamente, direto da Arábia Saudita.
 
O secretário-geral abordou a urgente necessidade de reparação e transformação da arquitetura financeira internacional, algo que ele descreve como um mecanismo concebido para perpetuar a desigualdade. "A história das injustiças está do nosso lado. O que precisamos é de visão, unidade, clareza estratégica e força para construir nossa alavancagem coletiva", argumentou. 
 
Manssour acrescentou que o destino que buscamos é tão moral quanto prático. "[Queremos] um mundo em que cada nação disponha de espaços fiscais para investir a serviço de seu povo. Em que as injustiças sejam reconhecidas e reparadas. Hoje, devemos encontrar comunhão entre todos que creem na justiça, todos que trabalham pela igualdade e que sonham com um mundo melhor", ressaltou. "O relógio corre e a luta continua", concluiu.
 
O evento seguiu no período da tarde e, também, na terça-feira, em dois turnos. Clique aqui para visualizar as transmissões por data e período. A galeria de imagens está disponível acessando este link
 
Mesa de abertura
 
Participaram do dispositivo inicial, além de Makota Celinha, Diva Moreira e João Miguel: o representante da coordenação estadual do Movimento Negro Unificado (MNU), José Carlos de Souza; a representante do MNU em Belo Horizonte, Simone Esterlina; o procurador da República, Ângelo Giardini de Oliveira; a pró-reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Licínia Maria Correa, representando a reitora da universidade; a secretária municipal de Cultura de BH, Eliane Parreiras; a coordenadora adjunta do Núcleo de Acompanhamento de Desastres do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), promotora de Justiça Shirley Machado de Oliveira; o diretor da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, Rodrigo Marzano; Verônica Viana, assessora jurídica do gabinete da deputada federal Célia Xakriabá; o diretor de Política de Reparação e Promoção de Igualdade Racial da Prefeitura de belo Horizonte, Gabriel Souza; o coordenador do Fórum Popular Pró-Reparações, Agustín Lao-Montes (Porto Rico/Colômbia); e a presidente da Fundação Municipal de Cultura de BH, Bárbara Boff.
 
 
Transmissão
 
- 10/11/2025 - Seminário - manhã

 
 
- 10/11/2025 - Seminário - tarde

 
 
- 11/11/2025 (terça-feira) - Seminário - manhã


 
- 11/11/2025 (terça-feira) - Seminário - tarde

 
 
 
Galeria de imagens
 
 Confira registro fotográfico do evento (Fotos de Vinícius Dias e Daniele Fernandes):

II SEMINÁRIO INTERNACIONAL PRÓ-REPARAÇÕES

 
 
Caminhos para a consciência
 
O evento tem como objetivo promover a reflexão sobre a importância da igualdade racial, o combate ao racismo e a valorização da cultura afro-brasileira.
 
Para isso, propõe o reforço do compromisso institucional com os direitos humanos e a diversidade, estimulando o diálogo e a conscientização entre servidores e servidoras, colaboradores e colaboradoras, a sociedade como um todo sobre as contribuições históricas, sociais e culturais do povo negro para a formação do Brasil. 
 
Além de celebrar o Dia da Consciência Negra, o evento pretende fomentar uma cultura de respeito, inclusão e equidade dentro e fora do ambiente de trabalho, reconhecendo a necessidade de ações continuadas para o enfrentamento das desigualdades raciais.
 
Três ações no TCEMG antecedem o grande evento (confira o que está previsto clicando aqui), agendado para o dia 17/11 (segunda-feira). No dia 4/11, abrindo os trabalhos, houve lançamento de exposição, entrevista com a escritora Conceição Evaristo (Sempre um Papo) e apresentação do Coral Afro Vozes de Caxambu (saiba mais neste link).
 
Nesta segunda e terça-feira (10 e 11/11), no TCEMG, ocorrem as palestras e apresentações do 2º Seminário Internacional Pró-Reparações Históricas. O seminário prossegue nos dias 12, 13 e 14/11, desta vez na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E, por fim, na próxima quinta-feira (13/11), será realizado um Ato Inter-religioso, no Cenáculo do Tribunal de Contas (Avenida Raja Gabaglia, 1305 - Luxemburgo - Belo Horizonte/MG).