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Saúde, transporte, saneamento: os resultados das Mesas de Conciliação no 1° semestre de 2026

03/06/2026

Mesa de Conciliação mediada pelo conselheiro Agostinho Patrus - Foto: Divulgação/TCEMG

Mais de R$ 14 bilhões destinados à regularização de recursos constitucionais da saúde e da educação, equilíbrio dos contratos do transporte intermunicipal, investimentos em saneamento básico para 273 municípios mineiros e a viabilização do início dos atendimentos no Hospital Regional de Sete Lagoas. Os resultados alcançados pelas Mesas de Conciliação e Prevenção de Conflitos do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), no primeiro semestre de 2026, mostram que o diálogo e a construção de consensos são caminhos eficazes para enfrentar desafios complexos da administração pública, com benefícios diretos para a população mineira.

Instituídas pela Resolução nº 1/2025, aprovada pelo Tribunal Pleno em março de 2025, as Mesas de Conciliação e Prevenção de Conflitos estabeleceram um procedimento específico para a busca de soluções consensuais em controvérsias envolvendo órgãos e entidades públicas. Seguindo a proposta de conferir maior agilidade à resolução dos conflitos, as Mesas têm prazo de 90 dias, prorrogável por mais 30.

Sob a coordenação do vice-presidente do TCEMG, conselheiro Agostinho Patrus, as Mesas de Conciliação reúnem profissionais de diferentes áreas do Tribunal de Contas, incluindo a assessoria do gabinete, do Ministério Público de Contas e da Unidade Técnica. A diversidade de conhecimentos envolvidos no processo permite uma análise abrangente das questões discutidas, contribuindo para a construção de soluções tecnicamente consistentes, juridicamente seguras e capazes de produzir resultados concretos para a população.

Segundo o conselheiro Patrus, “somente por meio do diálogo, reunindo o Ministério Público de Contas e outras entidades que atuam junto ao Estado, é possível firmar bons acordos e garantir que esses recursos retornem para a população mineira. Além disso, realizamos as devidas fiscalizações para verificar se as medidas e demandas estão sendo efetivamente cumpridas.”

A criação das Mesas de Conciliação foi uma das primeiras ações da gestão do presidente do TCEMG, Durval Ângelo, por acreditar que o mais importante não é prolongar disputas, mas buscar soluções por meio do diálogo.

“Este tribunal tem como meta cuidar das pessoas. Não hesitei quanto à implementação das Mesas, pois sempre reconheci a importância das soluções consensuais para a resolução de conflitos.”

A iniciativa está alinhada à Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), e à Declaração da Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Intosai, em sua sigla em inglês) de 2019, que reúnem normas e princípios para orientar a atuação dos órgãos de controle.

Balanço dos primeiros 6 meses de 2026 das Mesas de Conciliação

Mesas de Conciliação finalizadas até junho de 2026

Copasa

Acordo entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Associação Mineira de Municípios (AMM) para garantir a ampliação dos serviços de saneamento em 273 municípios mineiros, contribuindo para a melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida da população.
Homologação: 13/05/26

Hospital Regional de Sete Lagoas
Acordo entre a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e a Prefeitura de Sete Lagoas garantiu o início dos atendimentos no Hospital Regional. O termo regulariza os convênios de construção da unidade e autoriza a transferência da gestão para o município.
Homologação: 27/05/2026

Restos a pagar (Saúde e Educação)
Acordo de R$ 14,2 bilhões, valor a ser atualizado pelo IPCA, entre o Governo do Estado e o TCEMG para regularização de recursos constitucionais que deixaram de ser aplicados em saúde e educação ao longo de mais de uma década.
Homologação: 27/05/2026

Seinfra x Sindpas (Transporte intermunicipal)
O acordo entre a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sindpas) viabiliza a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de transporte intermunicipal, impactados pela pandemia da Covid-19.
O montante final acordado foi de R$ 350 milhões, sendo mais de R$ 100 milhões destinados à renovação da frota. O termo também prevê medidas para modernização do sistema e intensificação da fiscalização do transporte clandestino.
Homologação: 27/05/2026

FAQ Mesas de Conciliação do TCEMG
Como funciona o processo das Mesas de Conciliação?

1. REQUERIMENTO
Feito por autoridades ou dirigentes públicos.
Deve conter descrição detalhada do tema em discussão.

2. ADMISSIBILIDADE
Análise pelo Presidente do TCEMG (verifica competência, relevância e capacidade operacional).

3. MESA DE CONCILIAÇÃO
Formada por representantes das partes envolvidas e corpo técnico do TCEMG.
Prazo de 90 dias – prorrogável por mais 30 dias.

4. SOLUÇÃO
Termo elaborado:
Encaminhamento ao Ministério Público de Contas (15 dias).
Julgamento pelo Pleno do Tribunal (em até 30 dias).
Formalização do termo de compromisso (em até 30 dias).

Quem pode solicitar a conciliação?
Autoridades de órgãos públicos

Governador/a e Prefeitos e prefeitas de municípios mineiros.
Secretários e secretárias de Estado de Minas Gerai.
Presidentes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG).
Procurador-geral de Justiça e Advogado-geral do Estado.
Senador/a ou Deputado/a Federal que seja representante de Minas Gerais.
Deputado/a Estadual (MG).
1/3 dos vereadores e vereadoras de municípios de Minas Gerais.
Dirigentes de entidades da administração pública.

Representantes do TCEMG
Conselheiros/as e Conselheiros-substitutos do Tribunal.
Ministério Público de Contas (MPC-TCEMG).
Superintendentes de Controle Externo do TCEMG.

Há sigilo no processo?
A confidencialidade é um dos pilares fundamentais da Mesa de Conciliação do TCEMG.

Todas as partes assinam um Termo de Compromisso de confidencialidade.
As informações obtidas durante o processo não podem ser usadas em outros processos administrativos ou judiciais.
As reuniões não podem ser gravadas.
O acesso ao processo é limitado às partes envolvidas diretamente nele.

Se a confidencialidade não for respeitada pode acarretar sanções administrativas.

O que acontece se não houver acordo?
O processo é arquivado pelo Relator.
Não cabe recurso das decisões tomadas durante a Mesa de Conciliação.