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Governança e fortalecimento das famílias são apontados como caminhos para garantir os direitos da Primeira Infância

25/06/2026

Programação discutiu impactos das transformações tecnológicas sobre a infância até estratégias de governança - Foto: Tamires Araújo/TCEMG

A construção de políticas públicas capazes de garantir o desenvolvimento das crianças desde os primeiros anos de vida depende da atuação articulada entre diferentes instituições e do fortalecimento das famílias. Essa foi a principal mensagem do segundo dia do seminário de Primeira Infância, Governança e Responsabilidade Institucional, realizado nesta quinta-feira (25/6/2026).
 
A programação reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir desde os impactos das transformações tecnológicas sobre a infância até estratégias de governança capazes de transformar direitos previstos em lei em políticas públicas efetivas.
 
Na primeira palestra da manhã, a psicóloga Julia Machado Khoury falou dos desafios impostos pelo ambiente digital ao desenvolvimento infantil. Julia destacou que a tecnologia deve ser utilizada de forma consciente, sem substituir as relações familiares e as experiências presenciais fundamentais para o desenvolvimento emocional das crianças.
 
Ela também alertou para o aumento de problemas relacionados à saúde mental, ao uso excessivo de telas e à necessidade de se fortalecer os vínculos familiares como fator de proteção. “Investir na saúde mental na Primeira Infância significa prevenir doenças psiquiátricas na vida adulta. O retorno desse investimento é muito maior do que o custo que a sociedade terá no futuro para tratar esses problemas”, concluiu.
 
Na sequência, a psicóloga e pesquisadora Ivânia Ghesti abordou a Proteção Integral, Família e Prevenção de Violações. Doutora em Psicologia Clínica e Cultura e uma das participantes da construção do Marco Legal da Primeira Infância, ela disseque o Brasil já dispõe de uma legislação robusta para proteger crianças, mas ainda enfrenta o desafio de transformar essas normas em ações concretas.
 
Segundo a especialista, a governança colaborativa é o elemento capaz de integrar o Executivo, o Judiciário, os tribunais de contas, o Legislativo, o setor empresarial, as universidades, as organizações da sociedade civil e as famílias em torno de um mesmo objetivo: assegurar o desenvolvimento humano desde a gestação e os primeiros anos de vida. Para Ivânia, investir na Primeira Infância significa atuar preventivamente. Em vez de concentrar esforços apenas quando direitos já foram violados, as políticas públicas devem criar condições para que as famílias consigam exercer plenamente seu papel de cuidado e proteção.
 
Ela também ressaltou que a fragmentação das políticas públicas representa um dos principais obstáculos para a efetivação dos direitos das crianças. Segundo Ivânia, a ausência de articulação entre instituições e setores faz com que muitas ações deixem de alcançar quem mais precisa.
 
Outro ponto destacado por ela foi a importância de se incluir as famílias como participantes da formulação, execução e avaliação das políticas públicas. Na avaliação da pesquisadora, ouvir pais, mães e responsáveis fortalece a construção de soluções mais compatíveis à realidade de cada território e “amplia a corresponsabilidade” pela proteção das crianças.
 
Ao comentar a atuação dos órgãos públicos, Ivânia destacou a evolução do papel dos tribunais de contas, que, além da fiscalização, estão contribuindo para orientar gestores públicos, acompanhar resultados e incentivar boas práticas voltadas à Primeira Infância.
 
Programação foi realizada, em dois dias (24 e 25/6), no The One Eventos, em BH - Foto: Tamires Araújo/TCEMG
 
O juiz José Honório de Rezende, mediador do painel, ressaltou que as reflexões apresentadas reforçam a necessidade de uma mudança estrutural na forma como o poder público enfrenta a violência contra crianças e adolescentes. Para ele, a prevenção passa pela construção de estratégias bem planejadas e executadas desde os primeiros anos de vida, permitindo que as instituições atuem antes que ocorram situações de violação de direitos.
 
Durante a tarde, a médica e presidente da Associação Saúde Criança Renascer, Vera Cordeiro, abordou o tema Desigualdades, Territórios e Primeira Infância. Coube aos juízes Ricardo Rodrigues de Lima e Flávio Umberto Schmidt encerrarem o seminário apresentando as Boas Práticas e as Experiências Exitosas que já foram adotadas em prol das crianças.
 
Ao longo do seminário, os debates convergiram para uma mesma conclusão: investir na Primeira Infância significa investir no desenvolvimento humano, na prevenção da violência e na construção de uma sociedade mais justa. Nesse processo, planejamento, cooperação institucional e fortalecimento das famílias surgem como pilares fundamentais para transformar a prioridade absoluta assegurada pela Constituição em resultados concretos para as crianças.
 
O evento foi promovido pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). 
 
 

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