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TCEMG fecha ciclo de Encontros Técnicos de 2025 com edição em Contagem

13/11/2025

Conselheiro-presidente destacou que a Reforma Tributária traz ganhos para a sociedade - Foto: Daniele Fernandes/TCEMG

 Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foi a cidade definida pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) para concluir a série de Encontros Técnicos TCEMG e os Municípios. Com mais de 621,8 mil habitantes, é o 3º município mais populoso do estado e a 3ª maior economia mineira.

Na abertura do evento, nesta quinta-feira (13/11), na PUC Minas Contagem, o presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo, destacou a representatividade do município e reforçou a chegada do Encontro Técnico como parte do compromisso de apoiar e caminhar ao lado das instituições e órgãos fiscalizados.

"Eu sempre digo que o Tribunal de Contas, antes, era um cão de guarda seletivo, que escolhia quem ia morder. Hoje, a visão é de que atue como um cão-guia, que orienta e, mais que isso, tem o gestor como parceiro, E, além de tudo, o TCEMG tem que ser indutor de políticas públicas", ressaltou Durval.

Na oportunidade, o presidente destacou também o trabalho centrado na missão de preparar as administrações públicas para a Reforma Tributária.

"Muita gente não está percebendo que ela [Reforma] começa em 2026. O término é que está previsto para 2032. E, mesmo com a existência de vários prognósticos de quem perde e quem ganha com isso, o fundamental é saber o seguinte: a sociedade é que vai ganhar. Por isso, a preparação é essencial", afirmou.

Cenário

Grande é a responsabilidade de gestoras e gestores públicos de municípios desse porte, com tantos contribuintes e muitos desafios.

Para gestão de políticas e serviços, a população de Contagem conta com 22 secretarias (Administração; Fazenda; Educação; Habitação; Defesa Social; Planejamento, Orçamento e Gestão; Tecnologia da Informação; Desenvolvimento Econômico; Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar; Desenvolvimento Urbano; Cultura; Direitos Humanos e Cidadania; Governo e Participação Popular; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Saúde; Obras; Comunicação; Trabalho e Geração de Renda; Esporte e Lazer; Mulher e Juventude; Licitação e Contratos; e Serviços Urbanos), além de Controladoria-Geral, Procuradoria-Geral, entre outras instâncias do Executivo municipal. No Legislativo, por sua vez, são atualmente 25 vereadores na Câmara Municipal representando a comunidade local.

"A gente [gestoras e gestores públicos] erra, muitas vezes, não por querer, mas por falta de informação. E o Tribunal de Contas, hoje, fortalece uma visão de maior parceria, com ações de formação e desenvolvimento. Então, nessa oportunidade, cumprimento e parabenizo o TCEMG, porque a gente precisa de servidores e servidoras bem preparados, justamente para garantir que as nossas prefeituras sejam transparentes e cumpridoras das legislações municipal, estadual e federal", enfatizou a prefeita de Contagem, Marília Campos.

Também participaram do dispositivo de honra o presidente da Câmara Municipal de Contagem (CMC), Bruno Barreiro; o vice-prefeito Ricardo Faria; o pró-reitor da PUC Minas Contagem, Lúcio Mauro Pereira; o deputado federal Miguel Ângelo; o diretor interino da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, Paulo Sérgio Araújo; e a procuradora-geral do município, Sarah Campos, que falou sobre a importância do debate qualificado entre as instituições.

"Os órgãos de controle [como o TCEMG] estão, atualmente, em um paradigma democrático, de diálogo, reflexão, contribuição e parceria. A gente hoje tem, de fato, canais que permitem esse diálogo institucional, que nos levam à melhor prestação de serviços para a nossa população", complementou a procuradora-geral.

No evento, a Controladoria-Geral do Município (CGM) ainda entregou uma placa em homenagem ao presidente do TCEMG e à prefeita de Contagem. Marília e Durval receberam a honraria da auditora-geral, Renata Mazzoni, que representou a controladora-geral Nicolle Bleme.

A abertura foi acompanhada pelo prefeito de Queluzito e presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Alto Paraopeba (Amalpa), Danilo Albuquerque; pelo procurador-geral da Câmara de Belo Horizonte, Marcos Castro; pelo controlador-geral de Pedro Leopoldo, Nixon Richard; além de secretários e secretárias municipais; subsecretários e subsecretárias; vereadores e vereadoras; representantes da sociedade civil organizada, entre outros convidados.

Perspectivas municipais

O diretor-geral do TCEMG, Gustavo Vidigal, conduziu a aula magna sobre o grande tema, trazendo orientações e reflexões sobre os desafios e cenários para as finanças municipais com a implementação da Reforma Tributária.

"Comparativamente com outros países, a nossa carga tributária não é alta, mas o problema é que a gente não vê o retorno desse pagamento de impostos. A grande questão não é que nossa carga tributária é alta, mas sim a nossa alta desigualdade social", contextualizou Vidigal. A alíquota média de impostos sobre consumo, por exemplo, é a mais representativa entre os tributos pagos pelos brasileiros, passando dos 20%.

Mas, afinal, por que a Reforma Tributária é tão importante? Na palestra, o diretor-geral buscou responder a isso. "[A Reforma] traz a simplificação do sistema tributário, reduz o Custo Brasil para empresas, estimula a competitividade e a atração de investimentos, além de trazer mais justiça e o fortalecimento do Pacto Federativo", explicou.

Ainda que, de certa forma, as mudanças interfiram na autonomia municipal com a alteração na lógica de arrecadação, outros ganhos devem ser considerados, de acordo com Vidigal. São eles a introdução da gestão compartilhada e o fato de a Reforma reduzir distorções entre os municípios.

"O conselho federativo vai buscar uma padronização. E, neste ponto, os municípios vão ter que trabalhar de uma forma mais compartilhada, por meio de consórcios públicos, de associações. É algo que terá que ser pensado, mas, no final das contas, quando começa a doer no bolso, todos começam a conversar entre si", pontuou.

Palestras e oficinas seguem, até sexta-feira (14/11), para capacitação dos participantes sobre planejamento e gestão de finanças públicas, Nova Lei de Licitações, ouvidorias e controle social, fiscalização e controle de obras públicas, medidas cautelares, entre outros assuntos.

Palestras e oficinas seguem, até sexta-feira (14/11), para capacitação dos participantes sobre planejamento e gestão de finanças públicas, Nova Lei de Licitações, ouvidorias e controle social, fiscalização e controle de obras públicas, medidas cautelares, entre outros assuntos.

Conforme dados da Escola de Contas do TCEMG, a edição de Contagem registrou mais de 300 inscrições, com outras 56 cidades de origem representadas (57 incluindo Contagem). Foram elas: Araguari; Araújos; Belo Horizonte; Betim; Brumadinho; Campo Belo; Casa Grande; Catas Altas da Noruega; Cláudio; Conceição do Mato Dentro; Confins; Congonhas; Cristais; Desterro de Entre Rios; Diamantina; Divinópolis; Dores do Indaiá; Esmeraldas; Felixlândia; Frei Gaspar; Igarapé; Ingaí; Ipatinga; Itaguara; Itatiaiuçu; Jaboticatubas; Janaúba; Januária; Juatuba; Juramento; Lagoa da Prata; Lavras; Mariana; Marliéria; Mateus Leme; Montes Claros; Nova Lima; Oliveira; Pará de Minas; Pedro Leopoldo; Piedade de Ponte Nova; Poços de Caldas; Ribeirão das Neves; Rio Vermelho; Sabará; Sabinópolis; Santa Luzia; Santo Antônio do Amparo; São Gonçalo do Pará; São João do Paraíso; São Joaquim de Bicas; São Lourenço; Sarzedo; Três Marias; Turmalina; e Unaí.

Ação com universitários

Outro destaque é a realização, na noite desta quinta-feira, de uma oficina exclusiva para alunos da PUC Minas Contagem.

Na oportunidade, as discussões vão passar pelos seguintes temas: "Tribunais de Contas e o futuro da gestão pública: constituição, planejamento e capacitação"; "A tarefa constitucional dos Tribunais de Contas e o controle das finanças públicas"; "Planejamento e eficiência: o caminho para um orçamento público sustentável"; e "Tribunais de Contas como espaços de formação e valorização do serviço público".

Nesta ação especial, estão previstas as participações do consultor-geral do TCEMG, João Alves Júnior; e do diretor-geral Gustavo Vidigal.

Jogo do Tributo

O Jogo do Tributo - finalista do Prêmio Nacional de Educação Fiscal - tem duas paradas na cidade, simultaneamente às palestras e oficinas. Nesta quinta-feira, o destino foi a Funec Inconfidentes - Instituto Educacional de Contagem. Já na sexta-feira (14/11), será a vez do Colégio Santa Maria Minas - Unidade Contagem, que funciona dentro da universidade.

Vale lembrar que a ação é uma oportunidade para estudantes aprenderem como funciona o dia a dia dos municípios, passando por situações que envolvem arrecadação de impostos, cobrança de tributos, criação de políticas públicas, fiscalização, entre outras funções. Na prática, alunas e alunos exercem atividades dos poderes Executivo e Legislativo, além de entender melhor sobre a forma como as demandas da sociedade civil são apresentadas e tratadas pelas administrações municipais.

Encontros Técnicos

Neste ano, agora incluindo Contagem, as capacitações chegaram ao total de nove municípios. Edições anteriores foram realizadas em Varginha, Juiz de Fora, Salinas, Manhuaçu, Uberlândia, Patos de Minas, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete.

As palestras e oficinas mobilizaram servidores e servidoras, gestores e gestoras, vereadores e vereadoras, representantes da sociedade civil organizada, membros de consórcios públicos, professores, estudantes, entre outros interessados.

Em 2025, ainda sem os números finais de Contagem, foram mais de 4,3 mil participantes nesta iniciativa que reafirma o compromisso pedagógico do Tribunal com os órgãos e instituições monitorados. Os dados foram fornecidos pela Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo.

“Outro objetivo traçado nesta gestão é o de levar os encontros para o interior. Fizemos nove neste ano e, em 2026, queremos chegar a 13 edições”, projetou Durval Ângelo. “A gente aproxima o nosso corpo técnico de uma realidade concreta, para ouvir a voz da sociedade e também aprender com quem participa. É isso que o Tribunal, que prefeitos, vereadores, secretários devem fazer. A gente não governa nem trata de políticas públicas só olhando números ou resultados. Temos que sentir a dor das pessoas, conhecer as suas realidades”, concluiu.

História*

Contagem foi transformada em município em 30 de agosto de 1911. Seu nome faz referência histórica à prática, na época da coroa portuguesa, de contabilização de mercadorias e cabeças de gado que vinham da região do Rio São Francisco.

Para esse controle, a monarquia instalou um posto fiscal e de arrecadação às margens do Ribeirão das Abóboras, em 1716. Ao longo dos anos, a localização passou a ser chamada informalmente de "Registro das Abóboras" ou "Contagem das Abóboras".

O espaço onde funcionava o posto fiscal abriga, atualmente, o Museu Nair Mendes Moreira considerada a casa mais antiga de Contagem.

*Com informações da Prefeitura Municipal de Contagem; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Cefet-MG.