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Tribunais cobram ações imediatas e alertam sobre a urgência dos planos de Primeira Infância

25/06/2026

Presidente do TCEMG disse que, em breve, será anunciada grande parceria com o MPMG para assessorar 450 municípios na elaboração de planos para primeira infância - Foto: Tamires Araújo/TCEMG

"É preciso pensar a infância de uma forma um pouco mais ampla, porque [essas crianças] serão os cidadãos e cidadãs do futuro. Mas  são formados e precisam de atenção agora, no presente". Com essa mensagem, a superintendente da Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj/TJMG), desembargadora Alice Birchal, abriu os trabalhos do evento "Primeira Infância, Governança e Responsabilidade Institucional", nesta quarta-feira (24/6), em Belo Horizonte.

A programação, que segue até quinta-feira (25/6), propõe discussões, reflexões e ações a respeito das políticas públicas estratégicas para crianças de 0 a 6 anos. A organização é do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com apoio da Associação Mineira de Municípios (AMM). 

"Não se brinca com a primeira infância. É nela que se dá 90% de todo o desenvolvimento cognitivo, intelectual, relacional e ético. E o único estado do Brasil que ainda não tem um Plano Estadual da Primeira Infância é Minas Gerais. E só três capitais do Brasil não têm Plano Municipal da Primeira Infância, com Belo Horizonte entre elas", lamentou o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo.

Segundo ele, o Tribunal já vem há algum tempo nessa caminhada de orientação e sensibilização de gestoras e gestores públicos quanto à urgência da implementação dessas políticas. "Nós estamos falando em definir prioridades, planejamento, fazer ações, concentrar realmente em medidas concretas", reforçou. "O Tribunal já alertou prefeitos e prefeitas, secretárias e secretários municipais, Associação Mineira de Municípios (AMM), que, a partir do final do ano, o município que não tiver no mínimo o plano implementado, ou em processo, será multado", afirmou o presidente, citando diversas ações preventivas e pedagógicas feitas antes se se chegar a essa possibilidade. "Se algumas questões a gente não consegue convencer, esta [a sanção] acaba sendo a única forma", reiterou.

Na sequência, o presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Júnior, ressaltou a importância da atuação em rede para promover efetivamente a justiça social. "Eventos como esse demonstram que todos nós devemos atuar em conjunto. As instituições públicas não mais se legitimam atuando isoladamente. A atuação em rede permite que cada um de nós utilizemos as nossas atribuições para atingir o maior número de pessoas", enfatizou.

• Passe o cursor do mouse neste trecho para conferir quem mais esteve no dispositivo de honra, acompanhando as mensagens em torno da temática "Primeira Infância como prioridade absoluta: dever constitucional, responsabilidade fiscal e compromisso interinstitucional". 

 
Conferência magna
 
A palestra magna do subsecretário da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância do Ministério da Educação (MEC), Alexsandro do Nascimento Santos, abordou as "Estratégias de Governança da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância". 
 
De acordo com o subsecretário, a implementação dessas políticas exige a união de esforços acima de qualquer divergência política ou ideológica. A mensagem central é a de que o tempo para proteger a infância é imediato, exigindo governança colaborativa, compromisso ético e a superação do desafio normativo de transformar as leis em realidade concreta para essas crianças. "A nossa dívida com os bebês e crianças brasileiras foi pactuada na Constituição. E nós estamos atrasados no cumprimento dessa dívida (...) O tempo da criança é hoje. Amanhã ela nem é mais criança. Nós não temos o direito de ser preguiçosos e covardes. Nós não temos o direito de piscar, porque a cada momento que a gente titubeia, morre uma criança no Brasil", afirmou.
 
O juiz de Direito integrante da Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj) e presidente do Fórum Estadual dos Juízes da Infância e da Juventude do Estado de Minas Gerais (Foeji/MG), Ricardo Rodrigues de Lima, foi o mediador da conferência. Ao final da palestra, Ricardo fez algumas considerações sobre a temática. "O que estamos fazendo aqui hoje, que é todo esse esforço de formação, é algo inigualável para que essa política dê certo. Nós termos que formar, que conscientizar sobre a importância desse trabalho integrado", pontuou. "Temos que sair da mera carta de intenções, esses protocolos de intenções que são firmados a todo momento, para termos efetividade em normas, para poder cobrar a implementação de políticas públicas relacionadas à Primeira Infância", complementou.
 
Controle Externo, Orçamento e Efetividade das Políticas da Primeira Infância entraram na pauta no painel institucional - Foto: Tamires Araújo/TCEMG
 
Responsabilidade e intersetorialidade
 
Ainda pela manhã, o TCEMG levou aos participantes o painel institucional sobre "Controle Externo, Orçamento e Efetividade das Políticas da Primeira Infância: Orçamento Criança e Adolescente; Fiscalização de políticas intersetoriais; Indicadores de desempenho e Responsabilidade fiscal com prioridade absoluta".
 
A procuradora do MPC-MG, Cristina Melo, abriu as discussões destacando a evolução das funções dos Tribunais de Contas, que hoje vão além da fiscalização contábil tradicional para atuar na indução, articulação e avaliação da qualidade do gasto público. Focando ainda na educação infantil, ela ressaltou a importância de se garantir recursos específicos no orçamento para que os direitos das crianças se materializem. "Lugar de criança é no orçamento público (...) A implementação dos direitos depende de recursos e, aí, nada melhor do que o Tribunal de Contas que tem expertise na análise de orçamentos se inserir nesse debate também", disse. 
 
Em seguida, a auditora de controle externo do TCEMG e mediadora do painel, Sílvia Ribeiro, detalhou ações práticas que a Corte de Contas mineira vem desenvolvendo, como o portal "1, 2, 3 e já" e o indicador "Prisma", criados para apoiar os municípios no planejamento e no diagnóstico de suas políticas. "O Plano Municipal de Primeira Infância (PMPI) é o pontapé inicial da atuação do Executivo e que deve contar com a participação do Legislativo e de toda a sociedade civil. E ele não pode ser um instrumento ou um documento sem efetividade. Ele precisa ser transformado em lei", defendeu.
 
Por fim, o auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) e coordenador da plataforma Piauí Primeira Infância, Gilson Araújo, apresentou dados científicos sobre o desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos e também fez um alerta para o grave problema da fragmentação das ações estatais. "Às vezes, prefeituras, creches, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e centros de referência de Assistência Social (CRAS) ficam próximas, mas ninguém se dá ao trabalho de atravessar a rua para bater na porta do outro", exemplificou, defendendo a urgente necessidade de se integrar os sistemas de dados para que o Estado enxergue a criança em sua totalidade. "A gente precisa pensar em equipes, equipamentos, quais são os recursos, monitoramento, avaliação, pensar em povos e comunidades tradicionais, a gente precisa dar uma atenção especial para tudo isso", finalizou.
 
Clique aqui para conferir a programação completa do evento "Primeira Infância, Governança e Responsabilidade Institucional".
 
 
 
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